terça-feira, 31 de março de 2009

Os pensamentos de Rob Bell e a igreja emergente.

Ganhei de presente de meu amigo Ed René Kivitz o livro “Velvet Elvis”, escrito por Rob Bell. Ele, e outros como Brian D. McLaren (que escreveu “A Mensagem Secreta de Jesus”, já traduzido para o português pela Thomas Nelson - Brasil) são protagonistas de um movimento chamado de The Emergent Church, que vem sacudindo o mundo evangélico norte-americano.

Devorei o livro do Brian McLaren de uma sentada e celebrei que um cara como o Rob Bell exista para contestar a monolítica teologia evangélica estadunidense.

Cito alguns pensamentos do Rob Bell no original e minha tradução logo abaixo:

A VERDADE EM LÍNGUA ESTRANHA.

One of the great “theologians” of our time, Sean Penn, put it this way: “When everything gets answered, it’s fake. The mystery is truth.

Um dos grandes “teólogos” de nosso tempo, Sean Penn, coloca da seguinte maneira: “Quando tudo tem uma resposta, é falso. O mistério é a verdade”.

PARA CRER NA BÍBLIA É PRECISO CRER EM GENTE ESTRANHA.

Already early in the life of the Jesus movement, certain letters and writings were beginning to distinguish themselves as being different, inspired, “from God” in ways that other religious writings weren’t. For the next several hundred years, there was a lot of discussion in the Christian community about which books were considered Scripture and which books weren’t. But it wasn’t until the 300s that what we know as the sixty-six books of the Bible were actually agreed upon as “the Bible”.

Cedo na existência do movimento de Jesus, algumas cartas e escritos começaram a se mostrar diferentes, inspirados “por Deus”, de uma maneira que outros escritos religiosos não eram. Pelos próximos séculos houve muita discussão na comunidade cristã sobre quais livros deveriam ser considerados Escritura e quais não. Porém, demorou até o terceiro século para que os sessenta e seis livros da Bíblia foram aceitos como “a Bíblia”.

This is part of the problem with continually insisting that one of the absolutes of the Christian faith must be a belief that “Scripture alone” is our guide. It sounds nice, but it is not true. In reaction to abuses by the church, a group of believers during a time called the Reformation claimed that we only need the authority of the Bible. But the problem is that we got the Bible from the church voting on what the Bible even is. So when I affirm the Bible as God’s Word, in the same breath I have to affirm that when those people voted, God was somehow present, guiding them to do what they did. When people say that all we need is the Bible, it is simply not true.

Esse é apenas parte do problema para quem continuamente insiste que um dos absolutos da fé cristã repousa na afirmação de que “só a Bíblia” é nosso guia. Isso soa bem, mas não é verdade. Em reação aos abusos da igreja, um grupo de crentes de um período chamado de Reforma, afirmou que só precisamos da autoridade da Bíblia. Mas o problema é que recebemos a Bíblia da igreja que votou sobre o que é a Bíblia. Então, quando eu afirmo que a Bíblia é a Palavra de Deus, no mesmo fôlego também estou afirmando que quando aquelas pessoas votaram, Deus estavapresente, de alguma maneira, guiando-os para que fizessem aquilo. Quando as pessoas dizem que tudo o que precisamos é a Bíblia, isto simplesmente não é verdade.

OS ESTRANHOS CIDADÃOS DO CÉU E DO INFERNO.

Heaven is full of forgiven people.

O céu está cheio de gente perdoada.

Hell is full of forgiven people.

O inferno está cheio de gente perdoada.

Heaven is full of people God loves, whom Jesus died for.

O céu está cheio de gente que Deus ama e por quem Jesus morreu.

Hell is full of forgiven people God love, whom Jesus died for.

O inferno está cheio de gente que Deus ama e por quem Jesus morreu.

The difference is how we choose to live, which story we choose to live in, which version of reality we trust.

A difference é como escolhemos viver, que história escolhemos escrever, que versão de realidade nós confiamos.

For Jesus, heaven and hell were present realities. Ways of living we can enter into here and now. He talked very little of the life beyond this one because he understood that the life beyond this one is a continuation of the kinds of choices we make here and now.

Para Jesus, céu e inferno eram realidades do presente; jeitos de viver, que podemos experimentar aqui e agora. Ele falou muito pouco sobre a vida além desta, porque compreendia que a vida além desta é mera continuação dos tipos de escolhas que fazemos aqui e agora.


Ricardo Gondim

segunda-feira, 30 de março de 2009

Falando do Sol

A alegria e contagiante; exatamente como o é a tristeza. Eu tenho um amigo que irradia alegria, não porque sua vida seja fácil, mas porque habitualmente ele reconhece a presença de Deus no meio de todos os sofrimentos humanos, o seu e dos outros. Onde quer que vá, seja quem for que encontre, ele é sempre capaz de ver e ouvir algo de belo, algo de que dar graças. Ele não nega a grande tristeza que o envolve, nem é cego ou surdo aos sinais e sons de agonia dos seus companheiros de existência, mas o seu espírito gravita em direção à luz no meio da escuridão e das preces, em meios dos gritos de desespero. O seu olhar é gentil, a sua voz é calma. Não se trata de sentimentalismo. È uma pessoa realista, mas a sua fé profunda permiti-lhe descobrir que a esperança é mais real que o desespero, a fé mais real que a descrença e o amor mais real que o medo. É este realismo espiritual que faz dele um homem tão alegre.

Sempre que me encontro com ele, não resisto à tentação de lhe chamar a atenção para as guerras entre as nações, para a fome de milhares de crianças, para a corrupção na política e a falsidade entre as pessoas procurando impressiona-lo com os últimos fracassos do gênero humano. Mas, sempre que experimento fazer uma coisa destas, ele olha para mim com o seu olhar gentil e cheio de compaixão e diz: “Eu vi duas crianças partilharem o seu pão uma com a outra e ouvi uma mulher dizer ‘obrigada’ e sorrir quando alguém lhe ofereceu um cobertor. Essas pessoas simples e pobres deram-me nova coragem para continuar a viver”.

A alegria do meu amigo e contagiante. Quanto mais estou com ele tanto mais consigo captar raios de Sol a brilhar por entre as nuvens. Sim, eu sei que o Sol existe, mesmo quando os céus estão cobertos com nuvens. Enquanto meu amigo fala sempre do Sol, eu continuava a falar das nuvens; até que um dia cheguei a conclusão que era por causa do Sol que conseguia ver as nuvens.

Os que continuam a falar do Sol enquanto caminham sob o céu cheio de nuvens são mensageiros de esperança, os verdadeiros santos dos dias de hoje.


Henri Nouwen
Trecho do Livro "Mosaicos do Presente" da Editora Paulinas

sábado, 28 de março de 2009

Abraçando a Dor

No mundo a nossa volta, faz-se uma distinção radical entre alegria e tristeza. As pessoas têm a tendência a dizer: "Quando estamos alegres, não podemos estar tristes e, quando estamos tristes, não podemos estar alegres". De fato, a sociedade contemporânea faz todo o possível para separar a tristeza da alegria. Por isso, a tristeza e a dor devem ser evitadas a todo custo, porque são o oposto da alegria e do contentamento que desejamos.

A morte, a doença, as franquezas humanas, tudo deve ser escondido do nosso olhar, porque são coisas que nos afastam da alegria por que anelamos. São obstáculos no caminho de nossa meta de vida.

A perspectiva oferecida por Jesus está em contraste evidente com está visão mundana. Jesus demonstra, tanto nos seus ensinamentos quanto na sua vida, que a verdadeira alegria é freqüentemente encoberta pela nossa tristeza e que a dança da vida tem o seu início quando nos tocam as desgraças. Diz ele: "Se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica sozinho. Mas se morrer, produz muito fruto. Quem tem apego à sua vida, vai perdê-la, quem despreza sua vida nesse mundo, vai conservá-la para a vida eterna" (João 12.24). A dois de seus discípulos desiludidos depois da sua paixão e morte, Jesus diz: "Como vocês custam para entender, e como demoram para acreditar em tudo em que os profetas falaram! Será que o Messias não devia sofrer tudo isso, para entrar na sua glória?" (Lucas 24.25 e 26).

É-nos revelada aqui uma maneira completamente nova de se viver. É uma maneira segundo a qual a dor pode ser abraçada, não pelo desejo de sofrer, mas por saber que algo de novo nascerá da dor. Jesus chamas às nossas dores "dores de parto". Diz assim: "Quando à mulher está para dar a luz, sente angústia, porque chegou a sua hora. Mas quando a criança nasce, ele nem se lembra mais da aflição, porque fica alegre por ter posto um homem no mundo" (João 16.21).

A cruz tornou-se o mais poderoso símbolo desta nova visão. A cruz é um símbolo de morte e vida, de sofrimento e de alegria, de derrota e de vitória. É a cruz que nos indica o caminho.


Henri Nouwen
Trecho do Livro "Mosaicos do Presente" da Editora Paulinas

sexta-feira, 27 de março de 2009

Se possivel passe de mim esse cálice...

Indagações sempre válidas, questionamentos que penso eu todos já fizeram pelo menos uma vez na vida, ou como no meu caso, quase que periodicamente. E um posicionamento diante dos imprevistos da vida e do sofrimento existe não reconfortante mais desafiante, e convidativo. Espero que possamos sempre aceitar esse convite de Deus de maneira honesta para com Ele.




A Deus Somente A Glória,
Ricardo A. da Silva

quarta-feira, 25 de março de 2009

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