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domingo, 25 de setembro de 2011

Misturar tudo, será que é uma boa?

É, parece que não temos opção não! E o pior, às vezes, misturam pra nós!

Nesse frenesi que, aparentemente, não tem solução nos encontramos nós. Umas vezes nos encontramos, outras nos perdemos, outras nem queremos achar. Logo de manhã, bom dia!

Muita coisa tá rolando, imagino o Rui Barbosa lendo isso, tudo ao mesmo tempo e em todo lugar. São convites, apelos, ordens, desejos, vontades, ações, rotinas, obrigações, reponsabilidades, compromissos. E tem mais, só não vou citar, nós sabemos!!

E tudo vai se misturando perdendo o seus sabores e tons naturais. Ouvimos os conselhos que não deveríamos e desconsideramos os realmente importantes. Ah como somos bons nisso!! Depois, saimos chorando à procura de ajuda para consertar o que não deu certo e, nunca dará se não mudarmos o rumo, decidirmos amadurecer e deixamarmos a obstinação para trás. E essa tarefa é dura! Envolvidos em aspectos que, nem sempre consideramos mas que estão por aí vamos vivendo. Cansados, às vezes, e nem sabemos porque.

Meu caro, minha cara! Não se iluda! Essa maneira de organizarmos as coisas em nossas vidas e sociedade não precisa ser assim. Há coisas muitos boas que podemos e devemos manter mas, há coisas horríveis que podemos e devemos nos desfazer.

Considere hoje comigo o seguinte, essa é a minha proposta:

Viva a sua cidade, seu bairro, sua vila, seu país. Isso é política que, quando traduzida em ações corretas em benefício de nosso povo chama-se cidadania. Não abandone o diálogo. Seja cidadão!

Decifre o seu modo e o dos outros de pensar, sentir e agir. Herdamos isso e nem nos damos conta. Estamos inseridos em um contexto cultural específico e que, se sub-divide e inúmeros outros. Isso é cultura. Pratique a tolerância!

Pense, planeje o seu futuro e leve em conta o mundo que o cerca, sua rede de relacionamentos, pois é lá que você vai passar o restante da sua vida. Cuidado com isso!

Tenha um manual de instruções confiável que é à prova de erro e que pode instruir-te em tudo que de melhor você poderá ser, fazer e ter. Saiba da Boa-notícia, chamada de Evangelho de Jesus o Cristo. Leia isso!

Pratique uma boa vivência comunitária, junte-se aos outros que também estão em processo na jornada. Ria com eles, chore também. Faça parte de uma Igreja!


Zé Libério
Organização Toca do Estudante

sábado, 23 de julho de 2011

O verdadeiro encontro

Ninguém é alguém, sozinho.

Se a essência de Deus é o amor, sua natureza é a comunidade. Sendo um Deus único, coexiste de forma perfeitamente harmônica sendo três pessoas, deu-se o primeiro ENCONTRO.

Percebendo a beleza dessa coexistência perfeita, Deus quis multiplicá-la, estendendo a nós a possibilidade de partilharmos consigo dessa relação, deu-se o ENCONTRO mais importante da vida de qualquer pessoa.

Esse ENCONTRO com Deus, nos faz um outro tipo de gente. Gente que enxerga com outros olhos, decide em outras categorias e relaciona-se com profundidade e pessoalidade.

Quem encontra-se com Deus nunca permanece a mesma pessoa. É a partir desse encontro, dessa nova vida e dessa outra consciência que vamos nos encontrando com outras pessoas, nos tornando parte delas e fazendo-as parte de nós, sendo sempre misturados uns aos outros pelo Espírito Santo, e vamos nos tornando mais gente.

Encontrar-se é preciso!!!

Encontrar-se é misturar-se ao outro, tornando o outro um “outro melhor”.

Encontrar-se é incluir o outro em nós, tornando-nos “ uma pessoa melhor”.

Quem se encontra de verdade, tendo como ato fundante o encontro com o Senhor, não encontra-se COM, encontra-se EM, afinal, nesses encontros, vamos nos tornando parte do outro e o outro parte da gente.

EmComOutro, deu-se o verdadeiro ENCONTRO!!!


Fabricio Cunha

quarta-feira, 29 de junho de 2011

terça-feira, 19 de abril de 2011

Amigos dão significado à vida

Quando os discípulos de Jesus viviam um momento dramático, às vésperas de perderem seu grande referencial, que era o próprio Cristo, este os conforta dizendo que queria tão-somente que eles fossem seus amigos: “não vou chamá-los de servos, agora vou chamá-los de amigos”.

Essa proposta de amizade coloca a relação entre eles num outro patamar. Não mais só mestre, ou líder religioso, ou qualquer outra coisa, mas também e, principalmente, amigo. E uma amizade que não ficasse apenas no nível das superficialidades. A proposta dele não é pra ser apenas um conhecido, um colega de trabalho, um irmão da igreja. Tampouco para ser um soldado ou um escravo, mas um amigo.

É uma amizade de verdade, franca, aberta e onde há um grande amor, pelo menos por parte de Jesus que diz: “Não há maior amor do que dar a vida pelos seus amigos”. Foi o que ele fez.

Ninguém vive sem amigos.

No fundo Jesus sempre quis que seus discípulos fossem seus amigos. Por isso, talvez, ele valorizou tanto os momentos triviais, informais. Um jantar na casa de Zaqueu, um bate-papo com Maria, na casa de Marta em Betânia, um copo d’água na beira de um poço com uma mulher samaritana, uma jantinha com pão e vinho com os discípulos, um peixinho assado com pão depois da ressurreição, na praia. Momentos sagrados para celebrar a amizade.

Creio que o grande desejo de Deus, desde a criação, é ser nosso amigo. Que fôssemos seus amigos. Cristo é a iniciativa de Deus para estabelecer essa amizade. Ele nos escolheu. Ele escolheu vir ao mundo para fazer-nos uma proposta de amizade.

Ah, se soubéssemos o que é ser amigo de Jesus. Somos como aquela mulher samaritana que ouviu de Jesus: Ah se você soubesse quem lhe pede água, você lhe pediria e ele te daria a água da vida. Se nós soubéssemos quem é que nos pede nossa amizade, nós lhe pediríamos ele nos daria sua eterna amizade, que é vida, que nos dá sentido à vida.

Amigos dão sentido à nossa vida, como escreveu Carlos Drummond de Andrade: “Precisa-se de um amigo que faça a vida valer a pena, não porque a vida é bela, mas por já se ter um amigo. Precisa-se de um amigo que nos bata no ombro, sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo. Precisa-se de um amigo para ter-se a consciência de que ainda se vive”.

Além do amigo Jesus, não teríamos condições de viver sem os amigos de carne e osso ao nosso redor. Talvez por isso o mandamento: “amem-se uns aos outros como eu os amei”. Ele sabia que a vida só é possível quando amamos e quando temos amigos que também nos amam. Uma vida assim, repleta de amigos, em que se celebram como sagrados os momentos com os amigos e onde há disposição a sacrifícios pelos amigos, proporciona uma existência plena de significado.


Márcio Rosa da Silva

sábado, 11 de setembro de 2010

Essa igreja não existe mais

“Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos.” At 2:43-47

Na época do surgimento da Igreja do Novo Testamento, a palavra igreja significava, apenas, uma reunião qualquer de um grupo organizado ou não. Assim, o texto nos revela que havia um grupo organizado em torno de sua fé (Todos os que criam estavam unidos) – todos acreditavam em Cristo.

Segundo o texto, os participantes do grupo do Cristo não tinham propriedade pessoal, tudo era de todos (tinham tudo em comum) – os membros desse grupo vendiam suas propriedades e bens e repartiam por todos – e isso era administrado a partir da necessidade de cada um; e se reuniam todos os dias no templo; e pensavam todos do mesmo jeito, primando pelo mesmo padrão de vida (unânimes); e comiam juntos todos os dias, repartidos em casas, que, agora, eram de todos, uma vez que não havia mais propriedade particular; e eram alegres e de coração simples; e viviam a louvar a Deus; e todo o povo gostava deles, e o grupo crescia diariamente. Diariamente, portanto, havia gente acreditando em Cristo, se unindo ao grupo, abrindo mão de suas propriedades e bens e colocando tudo à disposição de todos.

Essa Igreja era a Comunhão dos santos – chamados e trazidos para fora do império das trevas, para servirem ao Criador, no Reino da Luz.

Essa Igreja não precisava orar por necessidades materiais e sociais, bastava contar para os irmãos, que a comunidade resolvia a necessidade deles.

Deus havia respondido, a priori, todas as orações por necessidades materiais e sociais, fazendo surgir uma comunidade solidária.

O pedido: “O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje." (Mt 6.9) estava respondido, e diariamente.

Então, para haver o “pão nosso” não pode haver o pão, o bem ou a propriedade minha, todos os bens e propriedades têm de ser de todos.

Mais tarde, eles elegeram um grupo de pessoas, chamadas de diáconos – garçons, para cuidar disso (At 6.3). Então, diante de qualquer necessidade, bastava procurar os garçons, que a comunidade cuidava de tudo. Era o princípio do direito: se alguém tinha uma necessidade, a comunidade tinha um dever.

Essa Igreja não existe mais!


Ariovaldo Ramos
retirado do blog da FLAM

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O dom da unidade

A unidade entre as pessoas não é consequência do esforço humano mas sim um dom divino.

A unidade entre as pessoas é um reflexo da unidade de Deus.

Quando Jesus reza pela unidade (João 17, 21), Ele pede ao Pai que aqueles que crêem nele, que está em perfeita comunhão com o Pai, façam parte dessa unidade. Continuo a ver em mim próprio e nos outros como nos esforçamos por ser unidos, focando toda a nossa atenção uns nos outros e tentando descobrir o ponto onde nos possamos sentir unidos. Mas ficamos muitas vezes desiludidos, quando vemos que nenhum ser humano é capaz de nos oferecer o que mais desejamos. Esta desilusão pode tornar-nos facilmente amargos, cínicos, exigentes e até mesmo violentos.

Jesus chama-nos a procurar a nossa unidade com e através dele. Quando dirigimos primeiramente a nossa atenção interior não para os outros mas para Deus, a quem pertencemos, então sim, descobriremos que em Deus também pertencemos uns aos outros.
A amizade mais profunda é a que tem Deus como mediador; os mais fortes laços matrimoniais são os mediados por Deus.


Henri Nouwen, em "A Caminho de Daybreak"

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Uma Parábola Da Igreja

Segue baixo uma mensagem do Ariovaldo Ramos sobre igreja, e como ele disse agradeço a Deus por podem ter amigos assim como os citados na mensagem, e sinceramente espero que possa ser amigo dessa forma também.




A Deus Somente A Glória,
Ricardo A. da Silva

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Amizades Espirituais

Earl C. Willer conta a história de Jim e Phillip, dois meninos que cresceram juntos e se tornaram melhores amigos. Atravessaram a adolescência e a juventude juntos, e depois de formados na universidade decidiram ser tornar marines, os fuzileiros navais norte-americanos. Pro uma casualidade rara, foram enviados para a Alemanha e lutaram lado a lado em uma das mais cruéis batalhas da Segunda Guerra Mundial. No meio da batalha, sob fogo cruzado, explosões e muitas perdas, receberam ordem do comandante para que recuassem. Enquanto corriam em fuga, Jim percebeu que Phillip não estavam com os que voltavam. Entrou em pânico, pois sabia que se Phillip não retornasse em um dois minutos, provavelmente nunca mais o faria. Pediu ao comandante para que o deixasse voltar para buscar o amigo, mas não obteve permissão, sob a justificativa de que seria suicídio.


Arriscando a própria vida, Jim desobedeceu à ordem e voltou ao encontro de Phillip. Com o coração quase explodindo e sem fôlego, sumiu entre a fumaça, gritando pelo nome do amigo. Poucos instantes depois, tinha o amigo ferido nos braços, e tudo quanto conseguiu foi presenciar o último suspiro de vida de Phillip.


Ao regressar para juntar-se aos outros soldados, o comandante estava aos berros. Dizia que aquele fora um ato impensado, tolo, inconseqüente e inútil. “Seu amigo estava morto, e não havia nada que você pudesse fazer.” ”O Senhor está errado”, replicou Jim. “Cheguei a tempo. Antes de morrer, suas ultimas palavras foram: ‘Eu sabia que você viria’”.


Esta história pequena e verídica, registrada por John Maxwell em seu livro “The theasure of a friend”, conduziu-me a muitas reflexões a respeito da amizade genuína e despertou em mim alguns sentimentos extraordinários. Vivemos a era da tecnologia, em que o valor de todas as coisas deriva de sua funcionalidade e eficiência. Tudo ao nosso redor vai aos poucos se tornando maquina de manipulação a serviço de nosso conforto e conveniência. Experimentamos um tipo de tecnostress, tentando equilibrar uma parafernália eletrônica que nos oprime com sues botões e suas falsas promessas de facilitação e simplificação da vida.


A maneira que nos relacionamos com os objetos é transferida para as pessoas. Organizamos a agenda como quem ajeita um painel de controle, colocando cada pessoa num lugar de fácil acesso, do outro lado de um botão de celular ou a alcance da mão, na exata distância entre o mouse e a remessa do e-mail. Pessoas que acionamos quando bem desejamos ou dela necessitamos. Pessoas que se tornam biotecnoparafernálias com a missão literal de funcionar para nos suprir e servir.


Talvez de tão acostumados a interagir com secretárias eletrônicas já não saibamos o que fazer, com que tom falar, com que dosagem de afetividade temperar a fala quando alguém de carne que osso nos atende. E assim vamos tocando os dias: maridos usando esposas, filhos usando pais, patrões usando funcionários, pastores usando seus rebanhos, empreendedores usando seus clientes, numa fila interminável de relacionamentos utilitaristas, que acontecem dinâmica de um vice-versa sem fim.


Com isso, perdemos a capacidade de estar ao lado desinteressadamente mesmo quando a única coisa que se pode fazer é estar ao lado. Manipuladores de máquinas, formos mordidos pelo vírus da onipotência que a tudo pretende fazer funcionar, e já não admitimos que há momentos na vida dos quando tudo o que podemos fazer é estar ao lado e ouvir: ”Eu sabia que você vivia”.


Larry Crabb fala sobre a comunidade como “o lugar mais seguro da Terra”, e diz que nos tornamos consertadores – não podemos suportar um problema a respeito do qual nada podemos fazer. Nossa preocupação é melhorar as coisas. Ouvimos desabafos e confissões entre lágrimas e os rotulamos como se fossem problemas a resolver. Ocupamo-nos em diagnosticar, abrimos nossas maletas de frases feitas e chavões como quem saca ferramentas, tecnobisturis para consertar tecnopessoas que recebemos não para abraçar, mas para estender sobre o balcão da pseudo-oficina psico-espiritual.


Chega de campanhas políticas, apelos institucionais, convocações para a “obra do Senhor”, atividades religiosas e frenesi expansionista. Já é hora de pagar o preço, qualquer que seja ele, diz Crabb, de fazer parte de uma comunidade espiritual, e não uma organização eclesiástica. Já é hora de nos lembrarmos que “não sois máquinas, homens é que sois”, como profetizou a pedra chamada Chaplin. Quero amigos. Amigos que voltem ao de batalha e arrisquem a vida por mim. Amigos que voltem ao campo de batalha e arrisquem a vida por mim. Amigos que me tomem nos braços, ainda que seja quase tarde. E quero viver a altura de cada um deles.



Ed Rene Kivitz

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A Unidade Como um Fim

Após a ceia comunitária, conjunta, ecumênica – no sentido evangélico da palavra – programaram uma reunião para pastores e líderes com o objetivo de falar sobre as vantagens da unidade. Coube-me o privilégio de falar sobre o tema “A unidade e a evangelização”. Ao elaborar o que haveria de falar, comecei, obviamente, a tentar entender a relação entre uma coisa e outra. Como não poderia deixar de ser, recorri à oração de Jesus Cristo registrada pelo evangelista João, no capítulo 17 do livro que leva o seu nome, principalmente os versículos que se sucedem a partir do versículo 20, que diz: “não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim por intermédio da sua palavra, a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim, e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.”

Procurei, nestes dois versículos (20 e 21, de João 17), trabalhar o que deveria ser a minha fala. Entretanto, tão logo comecei a trabalhá-los me dei conta de que, historicamente falando, unidade e evangelização não são necessariamente complementares entre si. Isso não é difícil de provar, tendo em vista que há milênios estamos divididos. Contudo, a igreja continua a crescer, o Evangelho continua a ser pregado, às pessoas continuam a se converter. Então eu me dei conta de que unidade não é conditio sine qua non para uma evangelização eficaz. A evangelização tem ocorrido e produzido o adensamento da Igreja, a despeito de todas as divisões que sabidamente temos sofrido, por motivos que variam dos mais nobres aos mais mesquinhos, ao longo de nossa história.


O pior é que parece que o apóstolo Paulo concorda comigo, pois, em Filipenses, capítulo 1, do versículo 15 ao versículo 18, ele diz: “Alguns efetivamente, proclamam a Cristo por inveja e porfia; outros, porém, o fazem de boa vontade; estes, por amor, sabendo que estou incumbido da defesa do evangelho; aqueles, contudo, pregam a Cristo, por discórdia, insinceramente, julgando suscitar tribulação às minhas cadeias. Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei”. Em outras palavras, o apóstolo Paulo está ratificando o que temos dito, que evangelização e unidade não são conseqüentes, entre si, ou interdependentes. Pode haver evangelização sem que haja um mínimo de unidade, até mesmo em termos de intenção de alcançá-la. Isto é o que a História tem nos ensinado e, segundo testemunho do apóstolo Paulo, desde priscas eras da Igreja cristã.


O que, então, evangelização tem a ver com unidade? Creio que, em termos de operacionalização, muito pouco. E acho que o que os irmãos mineiros, de fato, estavam buscando, não era a relação entre evangelização e unidade, mas sim, a relação entre evangelização e união. Nesse caso, não há dúvida de que esforços conjuntos, promovidos por igrejas unidas num só propósito, facilitariam, e muito, a evangelização de qualquer cidade. Por exemplo, a cidade poderia ser dividida em áreas, e cada área ser alocada para uma igreja, de modo que esta se responsabilizasse pela evangelização de todos os indivíduos que habitam na sua proximidade. É óbvia que isso não só apressaria o trabalho de evangelização da cidade como o tornaria factível. Há exemplos históricos disso, não só no Brasil, mas também, no Exterior. Aqui no Brasil, um dos exemplos mais eficazes foi o da evangelização de Santo André, encabeçada pela Primeira Igreja Batista de Santo André, quando o pastor Bartimeu era, então, o pastor titular daquela comunidade. Ele logrou envolver um grande número de igrejas evangélicas de Santo André no projeto e foi exatamente o que fez: dividiu a cidade em regiões e alocou uma para cada igreja, ou denominação, ou grupo de igrejas, o que, obviamente, não só acelerou como o tornou possível.


Mas é óbvio que união e unidade não são exatamente a mesma coisa. Unidade fala de um só pensar, de um só sentir, de um único desejo e consciência. É algo muito profundo. A unidade fala de um homem coletivo, enquanto que a união fala da soma de esforços, da conjugação de esforços, da organização de esforços, independente do que sentem ou do que pensam individualmente os participantes (conjugados).


Temos então que concluir que, do ponto de vista operacional, evangelização prescinde da unidade. Mas, quando observo a oração de Jesus Cristo, me dou conta de que se a operacionalização da evangelização pode prescindir da unidade, o resultado da evangelização não o deveria. E por quê? Porque no versículo 20, do capítulo 17, do Evangelho de João, Jesus Cristo, diz: “não rogo somente por eles, mas também por aqueles que vierem a crer em mim por intermédio da sua palavra, a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim, e eu em ti, também sejam eles em nós.” Ora, há um desejo explícito de Jesus Cristo aqui, e mais do que um desejo há um propósito. O Senhor parece deixar claro que Ele espera que todos os que vierem a crer nele, de fato, participem de uma unidade. Dessa forma, podemos dizer que o grande objetivo da evangelização é adensar a unidade que Jesus Cristo veio instaurar ou, melhor dizendo, restaurar.


Eu penso que é disso mesmo que estamos falando. Quando falamos de unidade da Igreja, não estamos falando de uma opção eclesiológica, ou de uma forma de ser Igreja, mas falando da Igreja na sua essência. Porque Jesus Cristo, em Sua oração, parece não ver a Igreja de outra forma, senão, como uma grande unidade humana. Daí Sua oração para que todos os que vierem a crer n´Ele, adensem essa unidade, já preexistente em relação àqueles que vão chegar. Dessa forma podemos perceber que “unidade”, para Jesus Cristo, é uma questão de essência. O que é a Igreja? Igreja é a unidade humana restaurada por Jesus Cristo. E parece-me que esse foi o grande objetivo de Jesus Cristo, ao ir à cruz. A gente pode perceber isso em Efésios, capítulo 2, versículo 15, onde está afirmado: “aboliu na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade.”

O que estes dois versículos, o 15 e o 16, do capítulo 2 de Efésios, estão nos dizendo? Que o grande propósito da vinda de Jesus Cristo ao mundo e de Sua subida ao madeiro era criar uma unidade humana que Ele chamou de Igreja – a Sua Igreja. Dá-nos, portanto, a impressão de que a visão de Jesus Cristo era muito maior que a Salvação de indivíduos, isoladamente, e muito maior do que a transformação destes mesmos indivíduos – porque, como é sabido, o movimento da salvação é duplo: de um lado ele tira o sujeito do inferno e, do outro, tira o inferno do sujeito. Mas esta informação de Efésios parece nos dizer que não pára aí, porque, se parasse, estaríamos falando de algo meramente individual. Efésios, contudo, aponta-nos para o coletivo. Inclusive, a Bíblia de Jerusalém traduz este trecho, “um novo homem” como “um só novo homem” que, na minha opinião, é a tradução que capta o sentido mais profundo desta afirmação paulina. Ou seja, Jesus Cristo veio ao mundo para restaurar a unidade humana que foi quebrada no Éden, quando da rebelião da raça.


A impressão que este texto nos passa, portanto, é que Igreja, para Jesus Cristo, é o homem coletivo; que o grande objetivo de Jesus Cristo é ter um corpo de pessoas, como Igreja, que não apenas se amem, mas que, por tanto se amarem, tornam-se um só homem. Que têm, em si, inclusive como Paulo aconselha, um mesmo sentimento – “tende em vós”, diz ele, “um mesmo sentimento” – que, como Paulo também aconselha, referindo-se às duas irmãs que estavam em litígio, pensam a mesma coisa e são permeados pela mesma consciência, uma vez que o Cabeça, o Cérebro, e a Consciência da Igreja é Cristo.


Na Igreja, assim, as pessoas já se vêem como extensão umas das outras – ou ao menos deveriam, – mesmo porque, por definição, são “membros uns dos outros” – o grande corpo de Cristo. A própria figura do corpo já nos aponta para esta realidade: a realidade da harmonia, da unidade, a realidade do homem coletivo que tem a Jesus Cristo como cabeça.


Portanto, evangelização está intrinsecamente ligada à questão da unidade, não necessariamente pela operacionalização, mas, pelo seu propósito de convocar e agregar o maior número possível de seres humanos à unidade humana que Jesus Cristo implantou, e que chamou de “Sua Igreja”.


Agora parece claro que, se o propósito da evangelização é o adensamento da unidade, era de se esperar que o movimento que leva esta mensagem de conversão aos seres humanos fosse caracterizado justamente pela unidade. Portanto, a unidade dá credibilidade à evangelização, e conseqüentemente, dá testemunho da obra de Cristo. Parece-me que é isto é o que está explícito na afirmação de Jesus Cristo em Sua oração ao Pai, quando Ele coloca a unidade como condição para que o mundo creia que Ele foi enviado pelo Pai. É uma colocação fortíssima, e nos leva a considerar que, se a unidade não é imprescindível para a operacionalização da evangelização, ela é imprescindível para que essa operacionalização goze de crédito, e mais, para que a evangelização, de fato, revele tudo o que Jesus Cristo gostaria de ver revelado a respeito de Sua obra a Seu próprio respeito. Jesus Cristo veio para restaurar a unidade humana, unidade esta que, uma vez restaurada, tornar-se-ia a casa viva do Deus vivo, porque um deus vivo tem que morar numa casa viva.


Assim, a Igreja, ao evangelizar, não apenas chama os homens à unidade, como está obrigada a evangelizar a partir da unidade, porque é na unidade que ela revela, de fato, o grande projeto de Jesus Cristo. Hoje, quando pregamos o Evangelho, a partir de nossas divisões e idiossincrasias, o que comunicamos sobre Jesus Cristo é que Ele está dividido; que Ele não consegue manter o Seu povo unido; que Ele, no mínimo, não conta com a fidelidade de todo o Seu povo. Porque, ainda que o Seu desejo explícito seja a unidade de Seu povo, ainda que o Seu clamor seja pela unidade, ainda que o propósito da Sua obra tenha sido a formação de uma unidade humana. Seus filhos não se submetem à Sua vontade, não se abrem a essa unidade proposta por Jesus Cristo. Pelo contrário, cada vez mais se dividem e por, cada vez, menos. É claro que a evangelização vai continuar a acontecer, que as pessoas vão continuar a se converter, até porque a conversão do ser humano é uma obra da graça de Deus e um ato soberano de Deus. Mas não há a menor dúvida de que esta evangelização está comprometida. Ele não revela a verdadeira natureza do projeto de Jesus Cristo, e ela não testemunha de Jesus Cristo o que Ele gostaria de ver testemunhado; ela não fala do grande projeto de Cristo que é a grande unidade humana, unidade esta, que tornaria possível ao homem a expressão de Deus Triuno.


Por isso, unidade e evangelização, realmente, têm muito a ver. A unidade é a base da evangelização, e é o fim, o propósito da evangelização. Além do que o Senhor Jesus Cristo deixa claro que a unidade é um lugar. Ele afirma, na Sua oração ao Pai, uma relação. Ele diz: “para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim.” Ele diz: “a fim de que todos sejam como és tu, ó Pai, em mim, e eu em ti, também sejam eles em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” Então, a unidade, aqui, é também um lugar: é o lugar espiritual da Igreja. Assim como Deus está em Cristo, Cristo está em Deus, e nós estamos n´Eles; assim como Eles são unidos, assim como Eles constituem uma unidade, nós, n´Eles, nos constituímos, ou fomos constituídos também unidade. E isso significa que o nosso esforço, o nosso trabalho, a nossa evangelização, enfim, todos os nossos atos, deveriam expressar a nossa unidade, a que foi constituída na Trindade. Logo, quando evangelizamos sem levar em consideração a unidade, falamos de Deus como se Ele estivesse dividido; falamos de Cristo como se Ele não tivesse, de fato, tanta autoridade assim sobre os Seus filhos; e falamos do Evangelho como algo meramente individual. Parece-me que, ao perder a dimensão da unidade, fomos, necessariamente, relegados ao individualismo, que é a negação do cristianismo. Penso que é hora de repensarmos esta relação entre unidade e evangelização, para que de fato a nossa evangelização tenha crédito e Jesus Cristo possa ser crido, como todos o desejamos.



Ariovaldo Ramos

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Esse é o Corpo, esse é o Sangue...

Segue esse video com a musica Communion do grupo Third Day, essa é apenas uma das diversas musicas desse grupo que tem abençoado tanto minha vida.





A Deus Somente A Gloria,
Ricardo A. da Silva
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