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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Anseio trancendente

"O homem sabe que há na alma matizes mais desconcertantes, mais incontáveis e mais inomináveis do que as cores de uma floresta outunal. . . . Ele ainda assim crê que essas coisas possam, todas elas, em todos os seus tons e semitons, em todas as suas mesclas e combinações, ser acuradamente representadas por um sistema arbitrário de grunhidos e guinchos. Crê que um corretor da bolsa civilizado pode de fato produzir de suas entranhas sons que denotem todos os mistérios da memória e todas as agonias do desejo."


G. K. Chesterton

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A sanidade e seu mistério

O misticismo mantém os homens sãos. Enquanto tiver mistério você terá sanidade; quando destrói o mistério, você cria morbidez. O homem comum tem sido desde sempre são, porque o homem comum tem sido desde sempre um místico. Ele tem se permitido a luz do crepúsculo. Tem mantido um pé na terra e outro no país das fadas. Tem sido sempre livre para duvidar dos seus deuses; porém (e ao contrário do agnóstico de hoje), livre também para crer neles. Tem dado sempre maior valor à verdade do que à consistência. Quando vê duas verdades que parecem se contradizer, fica com as duas verdades e junto com elas abraça a sua contradição. Sua visão espiritual é estereoscópica, do mesmo modo que sua visão física: ele vê duas imagens diferentes ao mesmo tempo e enxerga melhor por essa mesma razão [...] Todo o segredo do misticismo é esse: que o homem é capaz de compreender todas as coisas pelo auxílio daquilo que não compreende.


Chesterton,
em sua Ortodoxia

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Amor livre

Inventaram uma expressão; uma expressão que é como mistura de água e óleo em duas palavras: “amor livre”, como se um amante alguma vez já tivesse sido ou pudesse algum dia vir a sê-lo. É da natureza do amor prender a si próprio... Os sábios modernos oferecem ao amante, com uma risada falsa e amarga, as maiores liberdades e a mais completa irresponsabilidade... Dão-lhe todas as liberdades exceto a liberdade de vender a sua liberdade, que é a única que o amante deseja.

Temos um retrato vivo desse estado de coisas na brilhante peça de Bernard Shaw The Philanderer (“O galanteador”). Charteris é um homem sempre esforçando-se por ser um amante livre, que é o mesmo que esforçar-se por ser um solteiro casado ou um negro branco. Perambula numa busca faminta por certo tipo de excitação que só poderá obter quando tiver a coragem de parar de perambular.


G.K. Chesterton
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