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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Um pouco de São Francisco de Assis

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa , que eu leve o perdão,
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
Onde houver dúvida, que eu leve a fé,
Onde houver erro, que eu leve a verdade,
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido,
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado
e é morrendo que se nasce para a vida eterna...


Francisco de Assis

domingo, 1 de agosto de 2010

Diante dos seus olhos

E, se você tiver feito isso, desejo saber da seguinte forma se você ama ao Senhor e a mim, servo dele e seu: que não exista no mundo irmão que tenha pecado – por mais que tenha pecado – que, depois de ter olhado nos seus olhos, possa partir sem a sua misericórdia, se estiver buscando misericórdia. Que, se não estiver buscando misericórdia, seja você a perguntar se ele quer misericórdia; se ele pecar mil vezes diante dos seus olhos, que você o ame mais do que a mim de modo a atrai-lo para o Senhor; e que você estenda sempre misericórdia a irmãos como esse.


São Francisco de Assis, Carta ao irmão N. (1222)

domingo, 25 de julho de 2010

Por tão pouco

O Senhor ensina no evangelho: vigiai, permanecendo atentos contra toda malícia e cobiça. Guardai-vos de todas as ansiedades deste mundo e dos cuidados desta vida.

Portanto que nenhum dos irmãos, não importando para onde vá, leve consigo, receba ou tenha recebido qualquer forma de dinheiro ou de moeda, quer seja para vestuário, livros ou para o pagamento de qualquer trabalho – de fato, não por qualquer razão, a não ser por uma necessidade evidente de irmãos enfermos; porque não devemos de modo algum pensar que moeda ou dinheiro tenham utilidade maior do que pedras. O diabo quer cegar aqueles que desejam dinheiro e moedas ou consideram-nos melhores do que pedras. Nós, que abandonamos todas as coisas, tenhamos então cuidado para não perder o reino do céu por tão pouco.

Se encontrarmos moedas em algum lugar, não prestemos mais atenção a elas do que ao pó que pisamos com os pés, pois “vaidade das vaidades, e tudo é vaidade”. Se, por acaso e Deus não o permita, acontecer de algum irmão coletar ou carregar moeda ou dinheiro, a não ser pela supramencionada necessidade dos enfermos, que todos os irmãos passem a considerá-lo um irmão enganador, um apóstata, um ladrão, um assaltante e como aquele que levava a bolsa de dinheiro, a não ser que sinceramente se arrependa.

Que os irmãos de modo algum recebam, combinem de receber, coletem ou combinem de coletar dinheiro para colônias de leprosos ou moedas para qualquer outra casa ou lugar, e que não acompanhem ninguém que esteja pedindo dinheiro ou moedas para tal lugar. Porém os irmãos podem prestar para esses lugares outros serviços não contrários à nossa vida com a benção de Deus. Os irmãos podem pedir coisas que venham atender uma necessidade manifesta dos leprosos, mas devem tomar muito cuidado com o dinheiro. Semelhantemente, que todos os irmãos cuidem para não passar pelo mundo tendo como objetivo o sórdido lucro.


São Francisco de Assis, Regula non-bullata (1221)
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