Mostrando postagens com marcador Relacionamentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Relacionamentos. Mostrar todas as postagens

sábado, 31 de dezembro de 2011

Contar os dias e celebrar a vida!

É sempre o mesmo sentimento: noutro dia começávamos o ano, ele parecia longo, tanto por fazer, tanto tempo pela frente e, agora, já passou. O tempo passa muito rapidamente, nós voamos com ele. O tempo passou e fizemos muitas coisas das quais nos orgulhamos e, certamente, muitas outras pelas quais nos arrependemos. O fato é que o que passou é imutável, não é possível alterar absolutamente nada. Mas é possível se apropriar desse passado para, como matéria prima, usá-lo para um futuro melhor. É importante olhar para o passado para aprender com ele. Talvez essa seja a única forma de realmente saber apreciar melhor a vida e o ano que começa daqui a pouco.

Aprendi com Ricardo Gondim que o tempo foge, que devo saborear os anos como o menino que saboreia as últimas jabuticabas de uma bacia, uma de cada vez, lentamente, apreciando cada uma. Quanto mais velhos ficamos, mais vamos dando valor ao tempo, porque ele vai escasseando, vai ficando, portanto, mais precioso. Daí porque temos que ter reverência pela vida e pelo tempo.

“Ensina-me a contar os meus dias, de modo que eu alcance um coração sábio”, foi a oração de um poeta bíblico. Contar os dias com sabedoria, não desperdiçá-los de maneira tola, mas, com inteligência, aproveitá-los ao máximo. Seguem alguns palpites para isso. Repito, são apenas palpites.

Não espere que chegue o dia em que finalmente você vai ser feliz. A felicidade é fugidia, são momentos, muitos deles pequenos, em que você a experimenta. Não espere que um emprego, um casamento, uma viagem, uma faculdade, farão você feliz. O que vai determinar se você vai ser feliz mesmo é o modo como você vai trabalhar nesse emprego, a disposição que você vai ter para uma vida compartilhada pelo casamento, o espírito com que você vai curtir a viagem, por exemplo.

Valorize pessoas mais do que coisas. No fim, serão pessoas que estarão ao seu lado quando você precisar. Ou não. Quem sempre valoriza coisas em detrimento de pessoas, corre o sério risco de ficar sozinho com suas coisas.

Seja mais indulgente com as pessoas, elas não são perfeitas. Assim como você, todas são imperfeitas, falhas, incoerentes. Mas é preciso amá-las assim mesmo, porque você precisa ser amado também. Não tenha expectativas mirabolantes, irrealizáveis, você vai acabar frustrado. Não cobre tanto das pessoas, do mundo e de você. Aceite o fato de que você é humano, e, portanto, inacabado e imperfeito. Assuma sua humanidade e seja autêntico.

Não perca a esperança. O amargo que você pode ter provado no tempo que passou não tira a capacidade do seu paladar de sentir o doce novamente. Por mais dolorosas que tenham sido as lágrimas que você derramou no ano que vai embora, há a possibilidade do riso feliz no ano que começa. Por maiores que tenham sido as frustrações, um novo tempo sempre é a possibilidade de novas realizações, novos sentimentos, uma nova postura diante da vida.

Celebre a vida sempre, celebre os pequenos momentos com as pessoas que você ama. Celebre o tempo que passou e o que está por vir.

Celebremos 2012.


Márcio Rosa da Silva

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Amizade

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.

Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor.

Eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências.

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. É delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí.

E me envergonho, porque essa minha prece é em síntese, dirigida ao meu bem estar.

Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer.

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que não desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.


Vinícius de Morais

sábado, 23 de julho de 2011

O verdadeiro encontro

Ninguém é alguém, sozinho.

Se a essência de Deus é o amor, sua natureza é a comunidade. Sendo um Deus único, coexiste de forma perfeitamente harmônica sendo três pessoas, deu-se o primeiro ENCONTRO.

Percebendo a beleza dessa coexistência perfeita, Deus quis multiplicá-la, estendendo a nós a possibilidade de partilharmos consigo dessa relação, deu-se o ENCONTRO mais importante da vida de qualquer pessoa.

Esse ENCONTRO com Deus, nos faz um outro tipo de gente. Gente que enxerga com outros olhos, decide em outras categorias e relaciona-se com profundidade e pessoalidade.

Quem encontra-se com Deus nunca permanece a mesma pessoa. É a partir desse encontro, dessa nova vida e dessa outra consciência que vamos nos encontrando com outras pessoas, nos tornando parte delas e fazendo-as parte de nós, sendo sempre misturados uns aos outros pelo Espírito Santo, e vamos nos tornando mais gente.

Encontrar-se é preciso!!!

Encontrar-se é misturar-se ao outro, tornando o outro um “outro melhor”.

Encontrar-se é incluir o outro em nós, tornando-nos “ uma pessoa melhor”.

Quem se encontra de verdade, tendo como ato fundante o encontro com o Senhor, não encontra-se COM, encontra-se EM, afinal, nesses encontros, vamos nos tornando parte do outro e o outro parte da gente.

EmComOutro, deu-se o verdadeiro ENCONTRO!!!


Fabricio Cunha

domingo, 26 de junho de 2011

A poética do encontro

Sem dúvida um dos lugares que me dão mais alegria em estar, hoje em dia, é o pátio da Fundação Casa (Febem), onde faço visitas semanais.

Existe uma poética linda por trás de meu encontro com aqueles meninos.

A Adélia Prado tem um poema que diz: “Algumas vezes Deus me tira a poesia, quando isso acontece ao pegar uma maçã vejo apenas uma maçã”. Minhas idas a Fundação são repletas desta percepção de belezas poéticas que são reveladas através do Espírito, belezas que a maioria das pessoas não consegue mais enxergar.

Tenho visto, por exemplo, a vitória da esperança. Temos uma capacidade quase infinita de suportar a dor, desde que haja esperança. Diz-se por ai que a esperança é a última que morre, creio que é a penúltima porque quando se morre a esperança se conclui que não há mais razões para viver. Alguns daqueles meninos chegam àquele lugar horrível sem razões pra viver, sem esperança. Já ouviram tantas vezes que nunca seriam nada na vida, já passaram por tanta violência, já foram maltratados de tantas formas que acreditam realmente que a vida não tem mais jeito, que o jeito é morrer.

Impressionante o que um abraço pode fazer! O poder do abraço, o poder do sorriso! Minha mãe dizia que não existe cara feia pra quem sabe sorrir. Não existe sensação mais maravilhosa do que ver nosso sorriso contagiando semblantes tristes e carrancudos.

A palavra compaixão ganha novos contornos em meu coração e saio de lá mais humano, com muita reverência pela vida. Após longos abraços e muitos sorrisos, as fisionomias tristes agora ganham brilho especial, brilho do céu. Creio que ficam parecidas com a do Jesus menino.

A minha face também sai de lá resplandecente!

Hoje, sei que Jesus não pregava simplesmente o evangelho, Ele era e é o próprio evangelho.

Minha oração é para que você também se torne o evangelho, boas novas para alguém. Sorria, abrace, toque, a fim de ver a face do Cristo resplandecendo nas pessoas.

Você conseguirá ver algo novo resplandecendo dentro de você.


Rogério Quadra

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Em clima de Dias dos Namorados

Apesar de ser solteiro aqui vai o primeiro post que roubo do Marcos Botelho para o blog, rs.



A Deus Somente A Gloria,
Ricardo A. da Silva

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A vida urbana - desafios e facilidades


A urbe, cidade, nos traz o melhor e o pior da natureza humana. Talvez, parafraseando Dickens, é o melhor dos lugares; é o pior dos lugares. Sem dúvidas esse conjunto de pessoas que vive em aglomerações chamadas cidades causa boas e más influências em todos os que nela habitam, não importando se cristãos são, ou não.

A vida se mistura em todas as suas esferas e, sinceramente, não espero aqui conseguir, sequer tentar, separar de alguma maneira “compartimental” a vida em, cristã e não cristã. Creio que seria um exercício desnecessário e improdutivo. Um dos desafios que enfrentamos enquanto seguidores de Jesus, o Cristo, é referente aos relacionamentos superficiais.

Uma das dificuldades que se nos apresentam é que nossa crença e conjunto de valores consiste em uma vivência comunitária, ao mesmo tempo em que a cidade nos empurra para uma experiência cada vez mais individual. É próprio da cidade uma pessoa habitar em meio a uma multidão e ao mesmo tempo ser uma pessoa solitária, sem relacionamentos.

Na cidade nos escondemos dos outros e de nós mesmos, na cidade nos encontramos com outros e, às vezes conosco. Na cidade não precisamos ter uma história de nossa tradição familiar, na cidade podemos construir belas histórias com aqueles que são acrescentados à nossa jornada. Na cidade não há espaço para todos nos melhores lugares, na cidade encontramos lugares aconchegantes na mais extrema periferia. Na cidade criamos os marginais, gente diferenciada que só percebe a parte boa pela vitrine de lojas bonitas ou pelas propagandas de TV, na cidade aprendemos que o que importa ao final do dia é a companhia de pessoas fiéis que nos valorizam pelo o que somos e não pelo o que temos.

Enfim, fomos criados para nos espalhar pelo mundo, dominá-lo, mas decidimos nos ajuntar e criarmos sistemas de dominação, não da natureza, mas sim, de um homem sobre outro homem.
Ao invés de nos tornarmos jardineiros nos tornamos pedreiros, ao invés de plantarmos jardins, construímos muros e paredes.

As cidades estão aí, muita gente para alcançar, as cidades estão aí, muita gente que eu não quero conhecer. Muita gente ansiando por uma amizade aberta e sincera que agregue valor às suas existências pobres, muita gente fechada e desconfiada das intenções de tantos estranhos que as rodeiam.

Creio ser assim desafios e facilidades, depende de como nós os encaramos.

Paz e Bem,
Zé Libério

terça-feira, 19 de abril de 2011

Amigos dão significado à vida

Quando os discípulos de Jesus viviam um momento dramático, às vésperas de perderem seu grande referencial, que era o próprio Cristo, este os conforta dizendo que queria tão-somente que eles fossem seus amigos: “não vou chamá-los de servos, agora vou chamá-los de amigos”.

Essa proposta de amizade coloca a relação entre eles num outro patamar. Não mais só mestre, ou líder religioso, ou qualquer outra coisa, mas também e, principalmente, amigo. E uma amizade que não ficasse apenas no nível das superficialidades. A proposta dele não é pra ser apenas um conhecido, um colega de trabalho, um irmão da igreja. Tampouco para ser um soldado ou um escravo, mas um amigo.

É uma amizade de verdade, franca, aberta e onde há um grande amor, pelo menos por parte de Jesus que diz: “Não há maior amor do que dar a vida pelos seus amigos”. Foi o que ele fez.

Ninguém vive sem amigos.

No fundo Jesus sempre quis que seus discípulos fossem seus amigos. Por isso, talvez, ele valorizou tanto os momentos triviais, informais. Um jantar na casa de Zaqueu, um bate-papo com Maria, na casa de Marta em Betânia, um copo d’água na beira de um poço com uma mulher samaritana, uma jantinha com pão e vinho com os discípulos, um peixinho assado com pão depois da ressurreição, na praia. Momentos sagrados para celebrar a amizade.

Creio que o grande desejo de Deus, desde a criação, é ser nosso amigo. Que fôssemos seus amigos. Cristo é a iniciativa de Deus para estabelecer essa amizade. Ele nos escolheu. Ele escolheu vir ao mundo para fazer-nos uma proposta de amizade.

Ah, se soubéssemos o que é ser amigo de Jesus. Somos como aquela mulher samaritana que ouviu de Jesus: Ah se você soubesse quem lhe pede água, você lhe pediria e ele te daria a água da vida. Se nós soubéssemos quem é que nos pede nossa amizade, nós lhe pediríamos ele nos daria sua eterna amizade, que é vida, que nos dá sentido à vida.

Amigos dão sentido à nossa vida, como escreveu Carlos Drummond de Andrade: “Precisa-se de um amigo que faça a vida valer a pena, não porque a vida é bela, mas por já se ter um amigo. Precisa-se de um amigo que nos bata no ombro, sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo. Precisa-se de um amigo para ter-se a consciência de que ainda se vive”.

Além do amigo Jesus, não teríamos condições de viver sem os amigos de carne e osso ao nosso redor. Talvez por isso o mandamento: “amem-se uns aos outros como eu os amei”. Ele sabia que a vida só é possível quando amamos e quando temos amigos que também nos amam. Uma vida assim, repleta de amigos, em que se celebram como sagrados os momentos com os amigos e onde há disposição a sacrifícios pelos amigos, proporciona uma existência plena de significado.


Márcio Rosa da Silva

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A vida é a arte do encontro

Vinicius de Moraes foi quem disse a frase do título no meio do Samba da Benção, linda canção do poeta e diplomata. Ele ainda completou dizendo: “embora haja tanto desencontro pela vida”. A vida só faz algum sentido por conta de nossos encontros e desencontros.

Quando criança tudo o que se quer é o conforto do colo materno, a segurança do abraço paterno e a alegria dos momentos fraternos descontraídos. Sair correndo para abraçar o pai, a mãe ou mesmo o tio na porta da escolinha é uma celebração. A celebração do encontro. Cedo aprendemos a celebrar esses momentos mágicos e cheios de afetos que são os encontros com os que amamos.

A adolescência chega e já não se quer a presença tão próxima dos pais, agora o encontro é outro, o primeiro amor, a primeira paixão. Ah, como é esperada a hora de ir para escola para ver a garota que faz sentir um frio no estômago, os batimentos cardíacos acelerarem e a boa secar. O primeiro amor é celebrado num mundo que se revela pleno de sentimentos. Mas como há tantos desencontros pela vida, na maioria das vezes aquele primeiro amor se desfaz e o mundo desaba. Mas outros virão.

Amigos, os encontros que duram a vida inteira. Como são raros, mas como são preciosos. O bom amigo não cobra a sua presença, mas parece estar sempre presente. Sabe se ausentar quando necessário e sabe estar presente quando se precisa dele. Mesmo quando se distanciam e ficam anos sem se falarem pessoalmente, quando se vêem os verdadeiros amigos celebram, sem cobranças, e continuam a conversa de onde tinham parado da última vez que se viram. É uma pena que haja distanciamentos, que amigos se afastem, e, às vezes, virem até inimigos.

E quando achamos uma pessoa a quem amamos e que nos ama também e percebemos que queremos estar com aquela pessoa todos os dias, a vida inteira? Que coisa fantástica. Daí a vida é só encontro. Nem sempre dá certo, mas vale à pena tentar.

Em meio a todos os encontros e desencontros, há Um que deseja se encontrar conosco, mas insistimos em pegar rotas outras. Ainda bem que Ele está em todos os caminhos. Bom é ter sensibilidade para perceber no sorriso carinhoso da criança, no olhar embevecido do apaixonado, no abraço afetuoso do pai e no colo sempre disponível da mãe, além de um momento especial com as pessoas que amamos, um encontro com Aquele que nos ama. Deus é amor. Se nossos encontros são celebrações de amor, também são reveladores da sutil presença dEle.

Eu sei, às vezes parece que Ele é quem se afastou de nós. Até o crucificado perguntou o porquê do abandono. Mas são momentos em que é necessário estar só. Acredite, eles são necessários. Bom é saber que chegará o dia em que nosso encontro com Ele será definitivo e não haverá mais desencontros.

Até lá, vamos fazendo nossa vida ter sentido nos aprimorando na arte do encontro.


Márcio Rosa da Silva

Encontros e Despedidas

Todo ano é assim, quando chega o momento de ir embora não dá para segurar as lágrimas, o nó na garganta, a tristeza. Abraços apertados e demorados, sentidos. Frases curtas, voz baixa, embargada, e rostos banhados. Quando fui abraçar e beijar a minha avó, como sempre eu me despeço dela por último, meu rosto molhado tocou o rosto molhado dela. Encontro de lágrimas, encontro de dores, uma saudade antecipada, um sofrimento que se antevê. A dor da despedida.

Uma semana antes o clima era outro. Os abraços eram apertados, mas festivos. Em vez de voz embargada, todos falando alto, exaltados, entusiasmados. Risos, gargalhadas. Era o clima do reencontro, da chegada, o desaguar da saudade em presença.

Melhor seria se não houvesse despedidas. Talvez não ir visitar os queridos, para não ter que se despedir deles. Mas para me privar da dor da partida, me privaria também da alegria do encontro. Se quisesse evitar a dor do abraço de despedida, também não teria o festivo abraço da chegada. Prefiro enfrentar a aguda tristeza do beijo banhado de lágrimas do que jamais sentir a alegria do abraço carregado de afeto e saudade represada do reencontro.

Já se disse que viver é aprender a se despedir. A vida é feita de ciclos e também de despedidas. A criança que tem de abandonar as coisas pueris, porque está ficando grandinha. O adolescente, que ainda sem ser adulto, tem que deixar as coisas de criança. O adulto que tem assumir todas as responsabilidades da vida e se desprender das coisas de adolescente. Os pais que vêem os filhos indo embora depois de adultos. Os velhos, que têm que aprender a se despedir de tudo e sabem que também terão que se despedir da vida. Despedidas. Em cada uma delas, os sentimentos de que falei no início estão presentes.

A única coisa que me consola em despedidas é a esperança. Quando me despeço da minha mulher com um beijo, no início do dia, o que me alegra é a esperança de encontrá-la mais tarde para celebrarmos, de novo, a presença um do outro. Todo ano, quando choro abraçado com minha avó, consolo meu coração com a esperança do reencontro. Quando um ciclo da vida é encerrado, há a possibilidade de novos horizontes, de um novo ciclo.

Por outro lado só houve despedida porque antes houve um encontro. Para aprender a me despedir também preciso aprender a celebrar intensamente os momentos. Só chora a despedida quem celebra o encontro. Se a despedida é indolor, também a presença é irrelevante. E se a despedida é temperada com esperança, haverá dor, mas não desespero.


Márcio Rosa da Silva

quarta-feira, 4 de março de 2009

Amigos, amigos, religiões à parte

– Veja todas estas estrelas. Sem dúvida, uma das
grandes criações de Deus.
– Então você acha que um ser de algum tipo fez
tudo isso?
– Você não?
– Você está me perguntando se eu acredito que se
olhar para o céu e prometer alguma coisa, o figurão
fará tudo isso desaparecer? Não.
– Então 95% das pessoas na Terra estão enganadas?
– Se a vida me ensinou algo é que 95% das pessoas
estão sempre erradas.
– Isto é o que chamamos de fé.
– Tenho inveja das pessoas que têm fé. Eu apenas não
consigo que minha cabeça aceite isso.
– Talvez sua cabeça seja o empecilho, Edward.
– Carter, nós tivemos centenas destas discussões.
E elas sempre acabam no mesmo beco sem saída.
Existe uma dimensão 'contos de fada' ou não?
– Então, no que você acredita?
– Eu evito todas as crenças.
– Não houve Big Bang? O surgimento do Universo
por acaso?
– Nós vivemos, morremos e a estrada continua.
– E se você estiver errado, Edward?
– Eu adoraria estar errado. Se eu estiver errado,
eu saio ganhando.

Este diálogo é um trecho do filme Antes de partir, de Rob Reiner, com dois de meus atores favoritos: Morgan Freeman e Jack Nicholson. Freeman interpreta Carter, personagem cristão, fiel à esposa e apaixonado pelas estrelas e por Deus. Nicholson faz o papel de Edward, um milionário incorrigível, arrogante, mulherengo e, como ficou claro no diálogo, absolutamente ateu. E ambos são amigos. íntimos.

O filme é ótimo, mas foi a amizade entre Carter e Edward que me chamou a atenção. O ateísmo de Edward não impediu que Carter fosse seu amigo e curtisse loucamente o tempo que puderam passar juntos. E, ainda assim, o testemunho de Carter foi exemplar, como mostra o diálogo citado e outros momentos do filme.

Infelizmente, há poucas pessoas como Carter no meio cristão. Poucos evangélicos estão dispostos a ter uma amizade autêntica com quem não compartilha sua fé com pessoas que seguem outros credos. Isso é no mínimo estranho, uma vez que devemos ser o sal da terra e fomos mandados pelo próprio Jesus para ir por todo o mundo. Ora, se não nos relacionamos com o mundo, não estamos nele, e portanto, não cumprimos o mandamento de Jesus. Pior – ao nos relacionarmos apenas entre nós mesmos, cristãos, acabamos por ampliar o 'gueto gospel', criando o efeito Tostines da intolerância: tornamo-nos cada vez mais intolerantes aos não-evangélicos que, por sua vez, desenvolvem preconceitos contra os crentes, os quais acabam se isolando ainda mais e tornando-se mais intolerantes.

Esta questão do 'gueto gospel' é o que mais me incomoda na cultura evangélica contemporânea. Tive o privilégio de crescer na igreja e freqüentar uma escola judaica, o que me obrigou desde cedo a ser tolerante e simpático às minorias – mesmo porque eu era uma minoria cristã dentro de uma minoria judia. Acho que esta educação bi-religiosa influenciou muito a diversidade de amigos que tenho: evangélicos, católicos, espíritas, ateus, judeus, vascaínos, flamenguistas e mesmo homossexuais.

Tais amizades permitem que eu testemunhe o amor de Cristo continuamente. Mas veja bem, não vale ser amigo apenas para testemunhar. Você deve ser amigo sem nenhum interesse além do carinho mútuo e de um bom relacionamento pessoal. é o testemunho contínuo que deve naturalmente criar amizades com as mais diversas pessoas – e essas amizades não devem existir apenas para criar oportunidades utilitaristas de evangelização. Lembremo-nos que Jesus nunca aceitou o gueto, mas vivia conversando com samaritanos, fariseus e prostitutas. E lembremo-nos também de que existem inúmeras formas de testemunhar. Falar é apenas uma delas.


Carlos Carrenho

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Amizades Espirituais

Earl C. Willer conta a história de Jim e Phillip, dois meninos que cresceram juntos e se tornaram melhores amigos. Atravessaram a adolescência e a juventude juntos, e depois de formados na universidade decidiram ser tornar marines, os fuzileiros navais norte-americanos. Pro uma casualidade rara, foram enviados para a Alemanha e lutaram lado a lado em uma das mais cruéis batalhas da Segunda Guerra Mundial. No meio da batalha, sob fogo cruzado, explosões e muitas perdas, receberam ordem do comandante para que recuassem. Enquanto corriam em fuga, Jim percebeu que Phillip não estavam com os que voltavam. Entrou em pânico, pois sabia que se Phillip não retornasse em um dois minutos, provavelmente nunca mais o faria. Pediu ao comandante para que o deixasse voltar para buscar o amigo, mas não obteve permissão, sob a justificativa de que seria suicídio.


Arriscando a própria vida, Jim desobedeceu à ordem e voltou ao encontro de Phillip. Com o coração quase explodindo e sem fôlego, sumiu entre a fumaça, gritando pelo nome do amigo. Poucos instantes depois, tinha o amigo ferido nos braços, e tudo quanto conseguiu foi presenciar o último suspiro de vida de Phillip.


Ao regressar para juntar-se aos outros soldados, o comandante estava aos berros. Dizia que aquele fora um ato impensado, tolo, inconseqüente e inútil. “Seu amigo estava morto, e não havia nada que você pudesse fazer.” ”O Senhor está errado”, replicou Jim. “Cheguei a tempo. Antes de morrer, suas ultimas palavras foram: ‘Eu sabia que você viria’”.


Esta história pequena e verídica, registrada por John Maxwell em seu livro “The theasure of a friend”, conduziu-me a muitas reflexões a respeito da amizade genuína e despertou em mim alguns sentimentos extraordinários. Vivemos a era da tecnologia, em que o valor de todas as coisas deriva de sua funcionalidade e eficiência. Tudo ao nosso redor vai aos poucos se tornando maquina de manipulação a serviço de nosso conforto e conveniência. Experimentamos um tipo de tecnostress, tentando equilibrar uma parafernália eletrônica que nos oprime com sues botões e suas falsas promessas de facilitação e simplificação da vida.


A maneira que nos relacionamos com os objetos é transferida para as pessoas. Organizamos a agenda como quem ajeita um painel de controle, colocando cada pessoa num lugar de fácil acesso, do outro lado de um botão de celular ou a alcance da mão, na exata distância entre o mouse e a remessa do e-mail. Pessoas que acionamos quando bem desejamos ou dela necessitamos. Pessoas que se tornam biotecnoparafernálias com a missão literal de funcionar para nos suprir e servir.


Talvez de tão acostumados a interagir com secretárias eletrônicas já não saibamos o que fazer, com que tom falar, com que dosagem de afetividade temperar a fala quando alguém de carne que osso nos atende. E assim vamos tocando os dias: maridos usando esposas, filhos usando pais, patrões usando funcionários, pastores usando seus rebanhos, empreendedores usando seus clientes, numa fila interminável de relacionamentos utilitaristas, que acontecem dinâmica de um vice-versa sem fim.


Com isso, perdemos a capacidade de estar ao lado desinteressadamente mesmo quando a única coisa que se pode fazer é estar ao lado. Manipuladores de máquinas, formos mordidos pelo vírus da onipotência que a tudo pretende fazer funcionar, e já não admitimos que há momentos na vida dos quando tudo o que podemos fazer é estar ao lado e ouvir: ”Eu sabia que você vivia”.


Larry Crabb fala sobre a comunidade como “o lugar mais seguro da Terra”, e diz que nos tornamos consertadores – não podemos suportar um problema a respeito do qual nada podemos fazer. Nossa preocupação é melhorar as coisas. Ouvimos desabafos e confissões entre lágrimas e os rotulamos como se fossem problemas a resolver. Ocupamo-nos em diagnosticar, abrimos nossas maletas de frases feitas e chavões como quem saca ferramentas, tecnobisturis para consertar tecnopessoas que recebemos não para abraçar, mas para estender sobre o balcão da pseudo-oficina psico-espiritual.


Chega de campanhas políticas, apelos institucionais, convocações para a “obra do Senhor”, atividades religiosas e frenesi expansionista. Já é hora de pagar o preço, qualquer que seja ele, diz Crabb, de fazer parte de uma comunidade espiritual, e não uma organização eclesiástica. Já é hora de nos lembrarmos que “não sois máquinas, homens é que sois”, como profetizou a pedra chamada Chaplin. Quero amigos. Amigos que voltem ao de batalha e arrisquem a vida por mim. Amigos que voltem ao campo de batalha e arrisquem a vida por mim. Amigos que me tomem nos braços, ainda que seja quase tarde. E quero viver a altura de cada um deles.



Ed Rene Kivitz

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...