
sábado, 31 de dezembro de 2011
Contar os dias e celebrar a vida!

segunda-feira, 25 de julho de 2011
Amizade

sábado, 23 de julho de 2011
O verdadeiro encontro

domingo, 26 de junho de 2011
A poética do encontro

segunda-feira, 13 de junho de 2011
Em clima de Dias dos Namorados
quinta-feira, 19 de maio de 2011
A vida urbana - desafios e facilidades

terça-feira, 19 de abril de 2011
Amigos dão significado à vida

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
A vida é a arte do encontro

Quando criança tudo o que se quer é o conforto do colo materno, a segurança do abraço paterno e a alegria dos momentos fraternos descontraídos. Sair correndo para abraçar o pai, a mãe ou mesmo o tio na porta da escolinha é uma celebração. A celebração do encontro. Cedo aprendemos a celebrar esses momentos mágicos e cheios de afetos que são os encontros com os que amamos.
A adolescência chega e já não se quer a presença tão próxima dos pais, agora o encontro é outro, o primeiro amor, a primeira paixão. Ah, como é esperada a hora de ir para escola para ver a garota que faz sentir um frio no estômago, os batimentos cardíacos acelerarem e a boa secar. O primeiro amor é celebrado num mundo que se revela pleno de sentimentos. Mas como há tantos desencontros pela vida, na maioria das vezes aquele primeiro amor se desfaz e o mundo desaba. Mas outros virão.
Amigos, os encontros que duram a vida inteira. Como são raros, mas como são preciosos. O bom amigo não cobra a sua presença, mas parece estar sempre presente. Sabe se ausentar quando necessário e sabe estar presente quando se precisa dele. Mesmo quando se distanciam e ficam anos sem se falarem pessoalmente, quando se vêem os verdadeiros amigos celebram, sem cobranças, e continuam a conversa de onde tinham parado da última vez que se viram. É uma pena que haja distanciamentos, que amigos se afastem, e, às vezes, virem até inimigos.
E quando achamos uma pessoa a quem amamos e que nos ama também e percebemos que queremos estar com aquela pessoa todos os dias, a vida inteira? Que coisa fantástica. Daí a vida é só encontro. Nem sempre dá certo, mas vale à pena tentar.
Em meio a todos os encontros e desencontros, há Um que deseja se encontrar conosco, mas insistimos em pegar rotas outras. Ainda bem que Ele está em todos os caminhos. Bom é ter sensibilidade para perceber no sorriso carinhoso da criança, no olhar embevecido do apaixonado, no abraço afetuoso do pai e no colo sempre disponível da mãe, além de um momento especial com as pessoas que amamos, um encontro com Aquele que nos ama. Deus é amor. Se nossos encontros são celebrações de amor, também são reveladores da sutil presença dEle.
Eu sei, às vezes parece que Ele é quem se afastou de nós. Até o crucificado perguntou o porquê do abandono. Mas são momentos em que é necessário estar só. Acredite, eles são necessários. Bom é saber que chegará o dia em que nosso encontro com Ele será definitivo e não haverá mais desencontros.
Até lá, vamos fazendo nossa vida ter sentido nos aprimorando na arte do encontro.
Márcio Rosa da Silva
Encontros e Despedidas

Uma semana antes o clima era outro. Os abraços eram apertados, mas festivos. Em vez de voz embargada, todos falando alto, exaltados, entusiasmados. Risos, gargalhadas. Era o clima do reencontro, da chegada, o desaguar da saudade em presença.
Melhor seria se não houvesse despedidas. Talvez não ir visitar os queridos, para não ter que se despedir deles. Mas para me privar da dor da partida, me privaria também da alegria do encontro. Se quisesse evitar a dor do abraço de despedida, também não teria o festivo abraço da chegada. Prefiro enfrentar a aguda tristeza do beijo banhado de lágrimas do que jamais sentir a alegria do abraço carregado de afeto e saudade represada do reencontro.
Já se disse que viver é aprender a se despedir. A vida é feita de ciclos e também de despedidas. A criança que tem de abandonar as coisas pueris, porque está ficando grandinha. O adolescente, que ainda sem ser adulto, tem que deixar as coisas de criança. O adulto que tem assumir todas as responsabilidades da vida e se desprender das coisas de adolescente. Os pais que vêem os filhos indo embora depois de adultos. Os velhos, que têm que aprender a se despedir de tudo e sabem que também terão que se despedir da vida. Despedidas. Em cada uma delas, os sentimentos de que falei no início estão presentes.
A única coisa que me consola em despedidas é a esperança. Quando me despeço da minha mulher com um beijo, no início do dia, o que me alegra é a esperança de encontrá-la mais tarde para celebrarmos, de novo, a presença um do outro. Todo ano, quando choro abraçado com minha avó, consolo meu coração com a esperança do reencontro. Quando um ciclo da vida é encerrado, há a possibilidade de novos horizontes, de um novo ciclo.
Por outro lado só houve despedida porque antes houve um encontro. Para aprender a me despedir também preciso aprender a celebrar intensamente os momentos. Só chora a despedida quem celebra o encontro. Se a despedida é indolor, também a presença é irrelevante. E se a despedida é temperada com esperança, haverá dor, mas não desespero.
Márcio Rosa da Silva
quarta-feira, 4 de março de 2009
Amigos, amigos, religiões à parte
grandes criações de Deus.
– Então você acha que um ser de algum tipo fez
tudo isso?
– Você não?
– Você está me perguntando se eu acredito que se
olhar para o céu e prometer alguma coisa, o figurão
fará tudo isso desaparecer? Não.
– Então 95% das pessoas na Terra estão enganadas?
– Se a vida me ensinou algo é que 95% das pessoas
estão sempre erradas.
– Isto é o que chamamos de fé.
– Tenho inveja das pessoas que têm fé. Eu apenas não
consigo que minha cabeça aceite isso.
– Talvez sua cabeça seja o empecilho, Edward.
– Carter, nós tivemos centenas destas discussões.
E elas sempre acabam no mesmo beco sem saída.
Existe uma dimensão 'contos de fada' ou não?
– Então, no que você acredita?
– Eu evito todas as crenças.
– Não houve Big Bang? O surgimento do Universo
por acaso?
– Nós vivemos, morremos e a estrada continua.
– E se você estiver errado, Edward?
– Eu adoraria estar errado. Se eu estiver errado,
eu saio ganhando.
Este diálogo é um trecho do filme Antes de partir, de Rob Reiner, com dois de meus atores favoritos: Morgan Freeman e Jack Nicholson. Freeman interpreta Carter, personagem cristão, fiel à esposa e apaixonado pelas estrelas e por Deus. Nicholson faz o papel de Edward, um milionário incorrigível, arrogante, mulherengo e, como ficou claro no diálogo, absolutamente ateu. E ambos são amigos. íntimos.
O filme é ótimo, mas foi a amizade entre Carter e Edward que me chamou a atenção. O ateísmo de Edward não impediu que Carter fosse seu amigo e curtisse loucamente o tempo que puderam passar juntos. E, ainda assim, o testemunho de Carter foi exemplar, como mostra o diálogo citado e outros momentos do filme.
Infelizmente, há poucas pessoas como Carter no meio cristão. Poucos evangélicos estão dispostos a ter uma amizade autêntica com quem não compartilha sua fé com pessoas que seguem outros credos. Isso é no mínimo estranho, uma vez que devemos ser o sal da terra e fomos mandados pelo próprio Jesus para ir por todo o mundo. Ora, se não nos relacionamos com o mundo, não estamos nele, e portanto, não cumprimos o mandamento de Jesus. Pior – ao nos relacionarmos apenas entre nós mesmos, cristãos, acabamos por ampliar o 'gueto gospel', criando o efeito Tostines da intolerância: tornamo-nos cada vez mais intolerantes aos não-evangélicos que, por sua vez, desenvolvem preconceitos contra os crentes, os quais acabam se isolando ainda mais e tornando-se mais intolerantes.
Esta questão do 'gueto gospel' é o que mais me incomoda na cultura evangélica contemporânea. Tive o privilégio de crescer na igreja e freqüentar uma escola judaica, o que me obrigou desde cedo a ser tolerante e simpático às minorias – mesmo porque eu era uma minoria cristã dentro de uma minoria judia. Acho que esta educação bi-religiosa influenciou muito a diversidade de amigos que tenho: evangélicos, católicos, espíritas, ateus, judeus, vascaínos, flamenguistas e mesmo homossexuais.
Tais amizades permitem que eu testemunhe o amor de Cristo continuamente. Mas veja bem, não vale ser amigo apenas para testemunhar. Você deve ser amigo sem nenhum interesse além do carinho mútuo e de um bom relacionamento pessoal. é o testemunho contínuo que deve naturalmente criar amizades com as mais diversas pessoas – e essas amizades não devem existir apenas para criar oportunidades utilitaristas de evangelização. Lembremo-nos que Jesus nunca aceitou o gueto, mas vivia conversando com samaritanos, fariseus e prostitutas. E lembremo-nos também de que existem inúmeras formas de testemunhar. Falar é apenas uma delas.
Carlos Carrenho
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Amizades Espirituais
Earl C. Willer conta a história de Jim e Phillip, dois meninos que cresceram juntos e se tornaram melhores amigos. Atravessaram a adolescência e a juventude juntos, e depois de formados na universidade decidiram ser tornar marines, os fuzileiros navais norte-americanos. Pro uma casualidade rara, foram enviados para a Alemanha e lutaram lado a lado em uma das mais cruéis batalhas da Segunda Guerra Mundial. No meio da batalha, sob fogo cruzado, explosões e muitas perdas, receberam ordem do comandante para que recuassem. Enquanto corriam em fuga, Jim percebeu que Phillip não estavam com os que voltavam. Entrou em pânico, pois sabia que se Phillip não retornasse em um dois minutos, provavelmente nunca mais o faria. Pediu ao comandante para que o deixasse voltar para buscar o amigo, mas não obteve permissão, sob a justificativa de que seria suicídio.
Arriscando a própria vida, Jim desobedeceu à ordem e voltou ao encontro de Phillip. Com o coração quase explodindo e sem fôlego, sumiu entre a fumaça, gritando pelo nome do amigo. Poucos instantes depois, tinha o amigo ferido nos braços, e tudo quanto conseguiu foi presenciar o último suspiro de vida de Phillip.
Ao regressar para juntar-se aos outros soldados, o comandante estava aos berros. Dizia que aquele fora um ato impensado, tolo, inconseqüente e inútil. “Seu amigo estava morto, e não havia nada que você pudesse fazer.” ”O Senhor está errado”, replicou Jim. “Cheguei a tempo. Antes de morrer, suas ultimas palavras foram: ‘Eu sabia que você viria’”.
Esta história pequena e verídica, registrada por John Maxwell em seu livro “The theasure of a friend”, conduziu-me a muitas reflexões a respeito da amizade genuína e despertou em mim alguns sentimentos extraordinários. Vivemos a era da tecnologia, em que o valor de todas as coisas deriva de sua funcionalidade e eficiência. Tudo ao nosso redor vai aos poucos se tornando maquina de manipulação a serviço de nosso conforto e conveniência. Experimentamos um tipo de tecnostress, tentando equilibrar uma parafernália eletrônica que nos oprime com sues botões e suas falsas promessas de facilitação e simplificação da vida.
A maneira que nos relacionamos com os objetos é transferida para as pessoas. Organizamos a agenda como quem ajeita um painel de controle, colocando cada pessoa num lugar de fácil acesso, do outro lado de um botão de celular ou a alcance da mão, na exata distância entre o mouse e a remessa do e-mail. Pessoas que acionamos quando bem desejamos ou dela necessitamos. Pessoas que se tornam biotecnoparafernálias com a missão literal de funcionar para nos suprir e servir.
Talvez de tão acostumados a interagir com secretárias eletrônicas já não saibamos o que fazer, com que tom falar, com que dosagem de afetividade temperar a fala quando alguém de carne que osso nos atende. E assim vamos tocando os dias: maridos usando esposas, filhos usando pais, patrões usando funcionários, pastores usando seus rebanhos, empreendedores usando seus clientes, numa fila interminável de relacionamentos utilitaristas, que acontecem dinâmica de um vice-versa sem fim.
Com isso, perdemos a capacidade de estar ao lado desinteressadamente mesmo quando a única coisa que se pode fazer é estar ao lado. Manipuladores de máquinas, formos mordidos pelo vírus da onipotência que a tudo pretende fazer funcionar, e já não admitimos que há momentos na vida dos quando tudo o que podemos fazer é estar ao lado e ouvir: ”Eu sabia que você vivia”.
Larry Crabb fala sobre a comunidade como “o lugar mais seguro da Terra”, e diz que nos tornamos consertadores – não podemos suportar um problema a respeito do qual nada podemos fazer. Nossa preocupação é melhorar as coisas. Ouvimos desabafos e confissões entre lágrimas e os rotulamos como se fossem problemas a resolver. Ocupamo-nos em diagnosticar, abrimos nossas maletas de frases feitas e chavões como quem saca ferramentas, tecnobisturis para consertar tecnopessoas que recebemos não para abraçar, mas para estender sobre o balcão da pseudo-oficina psico-espiritual.
Chega de campanhas políticas, apelos institucionais, convocações para a “obra do Senhor”, atividades religiosas e frenesi expansionista. Já é hora de pagar o preço, qualquer que seja ele, diz Crabb, de fazer parte de uma comunidade espiritual, e não uma organização eclesiástica. Já é hora de nos lembrarmos que “não sois máquinas, homens é que sois”, como profetizou a pedra chamada Chaplin. Quero amigos. Amigos que voltem ao de batalha e arrisquem a vida por mim. Amigos que voltem ao campo de batalha e arrisquem a vida por mim. Amigos que me tomem nos braços, ainda que seja quase tarde. E quero viver a altura de cada um deles.
Ed Rene Kivitz