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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Quem é Deus?



O famoso literato russo, Fiodor Dostoiévski, disse no auge de sua vida que “existe no homem um vazio do tamanho de Deus.” Santo Agostinho, o primeiro homem a escrever uma autobiografia da história, disse no prefácio das suas Confissões: “o nosso coração não encontra descanso até que descanse em Ti.” O que esses e outros personagens querem nos dizer é que sem Deus, o ser humano é nulo, vazio, não encontra o sentido para a vida e pior, jamais encontrará a si mesmo.
Seja sincero comigo: falta-nos algo. Falta-nos um encontro com algo que vá além de nós. Falta-nos sentido. Falta-nos a eternidade. O Eterno, tudo nos falta sem Ele; o grande Mistério do qual o ser humano se pergunta desde o início da história até os dias de hoje e continuará a se perguntar até o fechar das cortinas desta vida: Deus, o Autor da vida.
Mas quem é Ele? As Escrituras afirmam que tudo começa com Deus. “No princípio Deus...” é a primeira afirmação dos escritores bíblicos. Falar de Deus é difícil; é como tentar mesclar o tempo com a eternidade. Deus é ilimitado. Ele não é derivado de coisa alguma, nem é condicionado por coisa alguma: Ele simplesmente é. Pense um pouco no que acabei de afirmar: “Deus é.” A dimensão desta breve oração significa que Ele é a causa de todas as coisas, de toda a existência, todo ser tem sua origem nele. Ele está além de tudo.
Deus tem coisas que só Ele tem: é eterno, não muda, está em todo lugar, tem todo o poder, tem todo o saber, é perfeitamente belo, lindo e glorioso. É infinito, é espírito, é uma Trindade, isto é, um único Deus que existe em Três Pessoas (Pai, Filho, Espírito). E ao mesmo tempo Ele tem virtudes que de alguma forma “empresta” para nós: é bom, é fiel, é puro, é justíssimo, é verdadeiro, é misericordioso, e é titular de um inexplicável amor.
Como posso me aproximar dEle sendo tão diferente de mim? C.S. Lewis nos ajuda afirmando que “quando se trata de conhecer a Deus, toda a iniciativa depende dEle. Se Ele não se quiser revelar, nada do que façamos nos permitirá encontrá-lO.” A grande questão aqui é a seguinte: Deus está correndo atrás de nós. Ele nos quer para Ele, para um relacionamento. Ele quer ser o nosso sentido, esperança e realização.
Deus está a nossa procura. Ele não é uma energia, uma vibração positiva, uma força impessoal. Não! Deus é alguém que sabe tudo sobre nós, e nos quer para Ele por inteiro. Pois Ele sabe que o alvo de toda a nossa busca nesta vida, todos os nossos empenhos, é o de estarmos pessoalmente mais próximos dEle, o nosso Deus. O fim principal e supremo da existência humana é lançar toda a glória a Deus e se satisfazer nele eternamente.
Eu te desafio hoje a um encontro pessoal com Deus. Prove que Ele é bom, pois uma coisa é saber com a mente que Deus é bom, outra é experimentar na pele a sua doçura, alegria e incomparável graça! Faça isto por intermédio de Jesus Cristo, pois o Filho é “a expressão exata do Seu ser” (Heb. 1.3). Deus é uma fonte inesgotável. Saber quem Ele é, é demais para nós. Portanto, vamos viver tentando até o dia em que a eternidade chegar!
Jean Francesco

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Eu ainda acredito nos livros


Quando eu tinha 16 anos tinha uma professora que sempre nos dizia: “eu acredito no poder dos livros”. E ela repetia essa frase em quase todas as aulas. Muitas vezes interrompia a matéria para enfatizar tal pensamento.
Pena que eu nunca dava bola para o que ela dizia e acabei não lendo os livros que ela pedia, bem como fiquei de exame. Eu dizia: maldita literatura! Maldito José de Alencar! Maldito “a viuvinha”, Maldito “Iracema”, Maldito “Macunaíma”, Maldito Machado de Assis, Maldito “A Senhora”, Maldito “Os Lusíadas” e o Camões também! (Esse Camões era a paixão da minha professora, depois do Antônio Fagundes).
Hoje, um pouco mais velho, (mas nem tanto) percebi a real influência dos livros, como a professora sempre me dizia.
Os livros têm o poder de:
Abrir a nossa mente e tornar a nossa vida mais intensa e bela; aumentar a nossa criatividade e aprender a lidar com histórias da nossa própria vida; dialogar melhor com o passado; manter-nos acompanhados mesmo estando sozinhos; embelezar a nossa angústia; decifrar a nossa história enquanto lemos o romance do outro; viajar mundos sem mudar de endereço; tornar-nos pessoas mais inteligíveis; ensinar-nos o valor de ser um inconformado com a injustiça; treinar nossos pensamentos e educar nossas sensações.
Se os livros tem a força de abrir a nossa mente, quanto mais a Escritura Sagrada o tem para transformar radicalmente a nossa história e o nosso mundo. Como bem nos encorajou o escritor aos Hebreus 4.12: “a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortando do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.”
Hoje eu acredito no poder da leitura, como um dia disse Bill Gates: “Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever – inclusive a sua própria história.”


Jean Francesco,
Campinas, 13 de Junho de 2012

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O Maracujá

[*Escrevi este poema enquanto tomava um sorvete de chocolate com cobertura de maracujá num sábado, noite fria e chuvosa na cidade de São Paulo.]


Mistério; essa é a melhor palavra.

O maracujá é um mistério, deve ser isso.
A cada interação com a nossa língua,
Ele é sutil e azedo.
Todavia, comemo-lo até o fim com prazer.
O maracujá é um dia frio, de chuva,
Mas consegue nos alegrar como um dia ensolarado.
Ele é como um susto: é ruim de tomar,
Mas sempre redunda em multidão de risos.
O maracujá é um arrepio de azedume,
Que por ser azedo é mais provocante e maravilhoso.
O maracujá deixa nossa garganta ácida,
Contudo perfuma o nosso hálito de um jeito inigualável.

Como os momentos ásperos da vida:
Uma azeda briga que enriquece nossa amizade;
Um choro amargo que acaba em abraço;
Uma ruim primeira impressão de alguém
Que virou a melhor das amizades.
Aquela distância cruel e cítrica
Que multiplicou nossas paixões.
Um sonho inatingível e amargoso
O qual rendeu-se em realidade.
Um agro destino certo
Que foi revertido pela esperança trazida do Céu.

Isso me remete a algo mais extraordinário:
A sabedoria dAquele que arquitetou o mistério do Maracujazeiro.


Jean Francesco

quarta-feira, 4 de maio de 2011

De "mar a mar"

Os “quatro cantos do mundo” ou Terra é mais que matéria, é criação, algo feito, arquitetado, do grego “poiema” (poema), obra de um Artista.

É o lugar onde nossos pés pisam e se firmam. É o fascinante ambiente em que nos momentos de calmaria nós mergulhamos. É o infinito de alegria pelo qual rolamos. É o palco onde as coisas mais belas da vida voam e até nós de relance alçamos voo. É um sítio incomensurável que observamos e babamos de inveja. É neste arraial que nos encantamos de maravilha; renovando-nos de prazer; redescobrindo o mistério venturoso do Criador.

Ela aponta para o Céu; ela é coisa boa e bela; ela é uma placa numa estrada nebulosa dizendo: Alguém me fez para embelezar o Dono. Ela foi criada como um espelho para refletir uma Magnitude maior do que ela mesma o é. Por isso somos seus zeladores; aqueles que anseiam ver seu espelho sempre nítido apontando para além de si mesma, o que em seguida nos oferece dignidade e qualidade de vida.

Ela precisa ser defendida por ser obra do Designer e também por ser digna de respeito. Ela existe por amizade e não por autonomia, pelo riso e não para o luxo, para o descanso e não para ser mutilada, para soprar e não para tossir.

Infelizmente ela anda asmática pois nós ainda a vemos como uma máquina, fonte de matérias-primas e um meio para o lucro. No entanto, ela geme e está em processo de parto, ela certamente dará a luz. Contudo não cremos em um fim catastrófico (como muitos pensam, outros até gostariam), mas na esperança segura de renovação. A percepção cristã do universo vê o futuro com os olhos da ressurreição, não apenas de indivíduos, muito menos de almas, mas de tudo: espaço (nova terra); tempo (eternidade); indivíduo (imagem do Cristo); povo (família).

O que cremos a respeito do futuro naturalmente deve mudar o que cremos a respeito do presente. Enquanto ando de bicicleta, ou a pé; limpando as fezes do meu cão tão fofinho (mais tão porco); pregando um estilo de vida mais simples; informando-me no que posso e também votando naqueles que vigiam com a vida o estrado dos nossos pés.

Afinal, existe simbolismo entre a criação e criaturas. A missão da humanidade (isso inclui cristãos!) é neste mundo; ao som do hino: “teu formoso céu, risonho e límpido”, o “som do mar e à luz do céu profundo”. Marina Silva salienta a esse respeito: “como cristãos, acreditamos que a ciência descobre a engenhosa graça da inteligência de Deus”.

Como cidadãos e como cristãos carecemos de olhos para enxergar a engenhosidade de Deus "de mar a mar". Engenhosidade manchada pela vaidade, mas que terá o Grand Finale da ressurreição do cosmos quando nosso Rei volver para instaurar seu reino, como rotineiramente temos orado: “Venha o Teu Reino”. Finalmente, quando Deus pensou o mundo a primeira coisa que veio a mente do Altíssimo não foi uma cidade povoada de arranha-céus, foi um jardim.


Jean Francesco
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