Sozinho no meu quarto, venho a ti, meu Senhor, celebrar minha fraqueza.
Sim, eu a celebro! É nela que descubro que careço de Ti e que todo espírito de autossuficiência é tolice de quem é incapaz de amar e aprender com o outro.
Diante de Ti reconheço que não sou um super-herói, que não tenho todas as respostas, que não sei a solução de tudo, que sinto cansaço e preciso de ajuda. Farto de ver tanta injustiça, miséria e corrupção, clamo por Teu socorro!
Diante de Ti, vejo quem sou: pequeno, temeroso, vacilante e errante. Um pecador! Por vezes incrédulo, descrente, em estado de falência. Sozinho na tua presença, lanço fora minhas máscaras e retiro minhas maquiagens religiosas que estupidamente uso para disfarçar minhas imperfeições, carências e medos.
Agora está minha alma nua. Desnudo, é possível ver minha cobiça por poder, meus desejos camuflados e interesses mais mesquinhos. Também percebo a falsa necessidade de ser o centro das atenções, de manipular os outros, de tirar proveito das situações.
É impossível esconder-me de tua presença e tapeá-lo, Meu Senhor! Por mais que tente apresentar uma versão editada de mim, és o supremo Mestre. Tu sabes tudo, sabes quem sou.
Salva-me de mim mesmo! Perdoa-me, mas não tires de mim a minha humanidade. Torna-me mais sensível, mais gente! Deus, livrai-me do mal de projetos religiosos megalomaníacos de tornar pessoas em anjos... Agradeço-te porque na medida em que te revelas a mim em oração, mais tenho consciência da minha natureza.
Faz-me lembrar sempre que sou um ser humano enraizado no chão desse mundo. Desejo ser vaso de barro em tuas mãos e que em minha fraqueza, operes teu poder. Só assim posso promover teu Reino e Justiça, lutar pela vida e me derramar em favor dos pobres e esquecidos desse mundo mau.
Tu conheces minha estrutura e assim como um Pai se compadece de seus filhos, me amas com amor paciente. É o teu amor que me dá dignidade e que rompe os grilhões da baixa estima. Obrigado por não me lançares fora.
Ajuda-me a olhar para meu próximo com a mesma misericórdia que tens por mim. Ao experimentar a tua graça, que eu seja mais gracioso. Tu perdoaste os meus pecados, que eu viva como um perdoador.
Deus, que eu nunca esqueça que sou feito do pó dessa terra. Que eu proclame o tesouro da graça que depositaste em mim!
Peço-te em nome Daquele que se fez fraco abrindo mão de seu trono, porém venceu até a morte, para trazer abundância de vida. Amém!
Caio Marçal
Devocional da Rede FALE
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segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Oração da fraqueza
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
O caminho da humildade
É na humildade que se encontra a maior liberdade.(...)
É só quando deixamos de prestar atenção aos nossos feitos, à nossa fama e à nossa superioridade, que estamos finalmente livres para servir Deus perfeitamente e por Ele só.
A pessoa que não está despojada, pobre e despida no íntimo da sua alma tenderá insconscientemente a realizar em seu proveito as obras que tem a fazer, mais do que para a glória de Deus. Será virtuosa não porque ame a vontade de Deus, mas porque deseja admirar as suas virtudes pessoais. Mas cada momento do dia irá trazer-lhe alguma frustração que a tornará ríspida e impaciente, e será descoberta na sua impaciência.
Planeou executar actos espectaculares. Não pode imaginar-se sem uma auréola. E, quando os acontecimentos da sua vida diária lhe vão recordando a sua insignificância e mediocridade, fica envergonhado e o orgulho impede-o de engolir uma verdade que não surpreenderia qualquer pessoa sensata.
Thomas Merton, em "Novas sementes de contemplação"
É só quando deixamos de prestar atenção aos nossos feitos, à nossa fama e à nossa superioridade, que estamos finalmente livres para servir Deus perfeitamente e por Ele só.
A pessoa que não está despojada, pobre e despida no íntimo da sua alma tenderá insconscientemente a realizar em seu proveito as obras que tem a fazer, mais do que para a glória de Deus. Será virtuosa não porque ame a vontade de Deus, mas porque deseja admirar as suas virtudes pessoais. Mas cada momento do dia irá trazer-lhe alguma frustração que a tornará ríspida e impaciente, e será descoberta na sua impaciência.
Planeou executar actos espectaculares. Não pode imaginar-se sem uma auréola. E, quando os acontecimentos da sua vida diária lhe vão recordando a sua insignificância e mediocridade, fica envergonhado e o orgulho impede-o de engolir uma verdade que não surpreenderia qualquer pessoa sensata.
Thomas Merton, em "Novas sementes de contemplação"
terça-feira, 26 de maio de 2009
A Humildade
obre a humildade, concordo com André Comte-Sponville: “Não é a ignorância do que somos, mas, ao contrário, conhecimento, ou reconhecimento de tudo o que não somos”. É a admissão de que cheguei onde estou sem gabar-me: “sou o que sou pela graça”.
Quando penso em humildade, acompanho Dwight Moody: “O homem pode demonstrar um falso amor, uma falsa fé, uma falsa esperança e outras graças, mas jamais poderá simular humildade”. Também concordo com Stanley Jones: “A essência do divino é a humildade. O primeiro passo para encontrar a Deus é destruir nosso orgulho”.
A humildade não sobrevive sem que se aniquilem as falsas onipotências. O petulante não admite fragilidades, não reconhece limites, não aceita inadequações. O soberbo se embrutece porque é insaciável. Apropria-se da pergunta do poeta: “Por que não é infinito o poder humano, como o desejo?” Dionisíaco, atropela quem estiver na frente. Odeia ser frustrado.
Spinoza dizia que “a humildade é uma tristeza nascida do fato de o homem considerar sua impotência ou sua fraqueza”. Nietzsche bateu o martelo: “Conheço-me demais para me glorificar do que quer que seja”. E Comte-Sponville conclui: “O que é mais ridículo do que bancar o super-homem?... A humildade é o ateísmo na primeira pessoa: o homem humilde é ateu de si, como o não-crente o é de Deus”.
A humildade e a gratidão necessitam uma da outra. O humilde sabe que não se fez; não é o self-made man, que se recusa a reconhecer os que lhe ajudaram nos primeiros degraus. Sente-se devedor dos pais que se sacrificaram para que estudasse, dos professores que lhe incutiram valores, dos amigos que nunca censuraram na vergonha, dos poetas que traduziram beleza, dos profetas que lhe falaram em nome de Deus. Nos solilóquios, repete: “Não sou a causa de mim mesmo; vejo nos outros a raiz da minha alegria; celebro o meu presente como um dom".
A humildade é esvaziamento. O prepotente não consegue amar. Só quem abre mão dos controles sabe deixar-se invadir pela compaixão.
Simone Weil afirmou que “o amor consente tudo e só comanda os que consentem em ser comandados”. Amor é renúncia. Não existe a possibilidade de coerção e amor se misturarem. O pretensioso é inflexível, impaciente e estúpido. O humilde recua, na recusa de exercer força, poder, violência.
A humildade é demasiadamente discreta. Se pretendo, um dia, ser humilde ninguém pode perceber. Mas, espero aprender a não cobiçar a divindade.
Ricardo Gondim
Quando penso em humildade, acompanho Dwight Moody: “O homem pode demonstrar um falso amor, uma falsa fé, uma falsa esperança e outras graças, mas jamais poderá simular humildade”. Também concordo com Stanley Jones: “A essência do divino é a humildade. O primeiro passo para encontrar a Deus é destruir nosso orgulho”.
A humildade não sobrevive sem que se aniquilem as falsas onipotências. O petulante não admite fragilidades, não reconhece limites, não aceita inadequações. O soberbo se embrutece porque é insaciável. Apropria-se da pergunta do poeta: “Por que não é infinito o poder humano, como o desejo?” Dionisíaco, atropela quem estiver na frente. Odeia ser frustrado.
Spinoza dizia que “a humildade é uma tristeza nascida do fato de o homem considerar sua impotência ou sua fraqueza”. Nietzsche bateu o martelo: “Conheço-me demais para me glorificar do que quer que seja”. E Comte-Sponville conclui: “O que é mais ridículo do que bancar o super-homem?... A humildade é o ateísmo na primeira pessoa: o homem humilde é ateu de si, como o não-crente o é de Deus”.
A humildade e a gratidão necessitam uma da outra. O humilde sabe que não se fez; não é o self-made man, que se recusa a reconhecer os que lhe ajudaram nos primeiros degraus. Sente-se devedor dos pais que se sacrificaram para que estudasse, dos professores que lhe incutiram valores, dos amigos que nunca censuraram na vergonha, dos poetas que traduziram beleza, dos profetas que lhe falaram em nome de Deus. Nos solilóquios, repete: “Não sou a causa de mim mesmo; vejo nos outros a raiz da minha alegria; celebro o meu presente como um dom".
A humildade é esvaziamento. O prepotente não consegue amar. Só quem abre mão dos controles sabe deixar-se invadir pela compaixão.
Simone Weil afirmou que “o amor consente tudo e só comanda os que consentem em ser comandados”. Amor é renúncia. Não existe a possibilidade de coerção e amor se misturarem. O pretensioso é inflexível, impaciente e estúpido. O humilde recua, na recusa de exercer força, poder, violência.
A humildade é demasiadamente discreta. Se pretendo, um dia, ser humilde ninguém pode perceber. Mas, espero aprender a não cobiçar a divindade.
Ricardo Gondim
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