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sábado, 12 de abril de 2014

Um pouco de Lewis

"Mais que um homem conseguiu superar a covardia, a luxúria ou o mau humor pela crença inculcada de que tudo estava abaixo da sua dignidade. Ou seja, venceram pelo orgulho. O diabo ri às gargalhadas. Fica satisfeitíssimo de nos ver castos, corajosos e controlados desde que, em troca, prepare para nós uma Ditadura do Orgulho. Do mesmo modo, ele ficaria contente de curar as frieiras dos nossos pés se pudesse, em troca, nos deixar com câncer. O orgulho é um câncer espiritual:  ele corrói a possibilidade mesma do amor, do contentamento e até do bom senso. "


C.S. Lewis

terça-feira, 21 de agosto de 2012

C.S. Lewis sobre o sexo


A castidade é a menos popular das virtudes cristãs. Porém, não existe escapatória. A regra cristã é clara: “Ou o casamento, com fidelidade completa ao cônjuge, ou a abstinência total.” Isso é tão difícil de aceitar, e tão contrário a nossos instintos, que das duas, uma: ou o cristianismo está errado ou o nosso instinto sexual, tal como é hoje em dia, se encontra deturpado. E claro que, sendo cristão, penso que foi o instinto que se deturpou. (…)

Dizem que o sexo se tornou um problema grave porque não se falava sobre o assunto. Nos últimos vinte anos, não foi isso que aconteceu. Todo o dia se fala sobre o assunto, mas ele continua sendo um problema. Se o silêncio fosse a causa do problema, a conversa seria a solução. Mas não foi. Acho que é exatamente o contrário. Acredito que a raça humana só passou a tratar do tema com discrição porque ele já tinha se tornado um problema. Os modernos sempre dizem que “o sexo não é algo de que devemos nos envergonhar”. Com isso, podem estar querendo dizer duas coisas. Uma delas é que “não há nada de errado no fato de a raça humana se reproduzir de um determinado modo, nem no fato de esse modo gerar prazer”. Se é isso o que têm em mente, estão cobertos de razão. O cristianismo diz a mesma coisa. O problema não está nem na coisa em si, nem no prazer. Os velhos pregadores cristãos diziam que, se o homem não tivesse sofrido a queda, o prazer sexual não seria menor do que é hoje, mas maior. Bem sei que alguns cristãos de mente tacanha dizem por aí que o cristianismo julga o sexo, o corpo e o prazer como coisas intrinsecamente más. Mas estão errados. O cristianismo é praticamente a única entre as grandes religiões que aprova por completo o corpo — que acredita que a matéria é uma coisa boa, que o próprio Deus tomou a forma humana e que um novo tipo de corpo nos será dado no Paraíso e será parte essencial da nossa felicidade, beleza e energia. O cristianismo exaltou o casamento mais que qualquer outra religião; e quase todos os grandes poemas de amor foram compostos por cristãos. Se alguém disser que o sexo, em si, é algo mau, o cristianismo refuta essa afirmativa instantaneamente. Mas é claro que, quando as pessoas dizem “o sexo não é algo de que devemos nos envergonhar”, elas podem estar querendo dizer que “o estado em que se encontra nosso instinto sexual não é algo de que devemos sentir vergonha”.

Se é isso que querem dizer, penso que estão erradas. Penso que temos todos os motivos do mundo para sentir vergonha. Não há nada de vergonhoso em apreciar o alimento, mas deveríamos nos cobrir de vergonha se metade das pessoas fizesse do alimento o maior interesse de sua vida e passasse os dias a espiar figuras de pratos, com água na boca e estalando os lábios. Não digo que você ou eu sejamos individualmente responsáveis pela situação atual. Nossos ancestrais nos legaram organismos que, sob este aspecto, são pervertidos; e crescemos cercados de propaganda a favor da libertinagem. Existem pessoas que querem manter o nosso instinto sexual em chamas para lucrar com ele; afinal de contas, não há dúvida de que um homem obcecado é um homem com baixa resistência à publicidade. Deus conhece nossa situação; ele não nos julgará como se não tivéssemos dificuldades a superar. O que realmente importa é a sinceridade e a firma vontade de superá-las.

Para sermos curados, temos de querer ser curados. Todo aquele que pede socorro será atendido; porém, para o homem moderno, até mesmo esse desejo sincero é difícil de ter. E fácil pensar que queremos algo quando na verdade não o queremos. Um cristão famoso, de tempos antigos, disse que, quando era jovem, implorava constantemente pela castidade; anos depois, se deu conta de que, quando seus lábios pronunciavam “ó Senhor, fazei-me casto”, seu cotação acrescentava secretamente as palavras: “Mas, por favor, que não seja agora.” Isso também pode acontecer nas preces em que pedimos outras virtudes; mas há três motivos que tornam especialmente difícil desejar — quanto mais alcançar – a perfeita castidade.

Em primeiro lugar, nossa natureza pervertida, os demônios que nos tentam e a propaganda a favor da luxúria associam-se para nos fazer sentir que os desejos aos quais resistimos são tão “naturais”, “saudáveis” e razoáveis que essa resistência é quase uma perversidade e uma anomalia. Cartaz após cartaz, filme após filme, romance após romance associam a idéia da libertinagem sexual com as idéias de saúde, normalidade, juventude, franqueza e bom humor. Essa associação é uma mentira. Como toda mentira poderosa, é baseada numa verdade – a verdade reconhecida acima de que o sexo (à parte os excessos e as obsessões que cresceram ao seu redor) é em si “normal”, “saudável” etc. A mentira consiste em sugerir que qualquer ato sexual que você se sinta tentado a desempenhar a qualquer momento seja também saudável e normal. Isso é estapafúrdio sob qualquer ponto de vista concebível, mesmo sem levar em conta o cristianismo. A submissão a todos os nossos desejos obviamente leva à impotência, à doença, à inveja, à mentira, à dissimulação, a tudo, enfim, que é contrário à saúde, ao bom humor e à franqueza. Para qualquer tipo de felicidade, mesmo neste mundo, é necessário comedimento. Logo, a afirmação de que qualquer desejo é saudável e razoável só porque é forte não significa coisa alguma. Todo homem são e civilizado deve ter um conjunto de princípios pelos quais rejeita alguns desejos e admite outros. Um homem se baseia em princípios cristãos, outro se baseia em princípios de higiene, e outro, ainda, em princípios sociológicos. O verdadeiro conflito não é o do cristianismo contra a “natureza”, mas dos princípios cristãos contra outros princípios de controle da “natureza”. A “natureza” (no sentido de um desejo natural) terá de ser controlada de um jeito ou de outro, a não ser que queiramos arruinar nossa vida. E bem verdade que os princípios cristãos são mais rígidos que os outros; no entanto, acreditamos que, para obedecer-lhes, você poderá contar com uma ajuda que não terá para obedecer aos outros.

Em segundo lugar, muitas pessoas se sentem desencorajadas de tentar seriamente seguir a castidade cristã porque a consideram impossível (mesmo antes de tentar). (…) Podemos ter certeza de que a castidade perfeita — como a caridade perfeita — não será alcançada pelo mero esforço humano. Você tem de pedir a ajuda de Deus. Mesmo depois de pedir, poderá ter a impressão de que a ajuda não vem, ou vem em dose menor que a necessária. Não se preocupe. Depois de cada fracasso, levante-se e tente de novo. Muitas vezes, a primeira ajuda de Deus não é a própria virtude, mas a força para tentar de novo. Por mais importante que seja a castidade (ou a coragem, a veracidade ou qualquer outra virtude), esse processo de treinamento dos hábitos da alma é ainda mais valioso. Ele cura nossas ilusões a respeito de nós mesmos e nos ensina a confiar em Deus. Aprendemos, por um lado, que não podemos confiar em nós mesmos nem em nossos melhores momentos; e, por outro, que não devemos nos desesperar nem mesmo nos piores, pois nossos fracassos são perdoados. A única atitude fatal é se dar por satisfeito com qualquer coisa que não a perfeição.

Em terceiro lugar, as pessoas muitas vezes não entendem o que a psicologia quer dizer com “repressão”. Ela nos ensinou que o sexo “reprimido” é perigoso. Nesse caso, porém, “reprimido” é um termo técnico: não significa “suprimido” no sentido de “negado” ou “proibido”. Um desejo ou pensamento reprimido é o que foi jogado para o fundo do subconsciente (em geral na infância) e só pode surgir na mente de forma disfarçada ou irreconhecível. Ao paciente, a sexualidade reprimida não parece nem mesmo ter relação com a sexualidade. Quando um adolescente ou um adulto se empenha em resistir a um desejo consciente, não está lidando com a repressão nem corre o risco de a estar criando. Pelo contrário, os que tentam seriamente ser castos têm mais consciência de sua sexualidade e logo passam a conhecê-la melhor que qualquer outra pessoa. Acabam conhecendo seus desejos como Wellington conhecia Napoleão ou Sherlock Holmes conhecia Moriarty; como um apanhador de ratos conhece ratos ou como um encanador conhece um cano com vazamento. A virtude – mesmo o esforço para alcançá-la — traz a luz; a libertinagem traz apenas brumas.

Para encerrar, apesar de eu ter falado bastante a respeito de sexo, quero deixar tão claro quanto possível que o centro da moralidade cristã não está aí. Se alguém pensa que os cristãos consideram a falta de castidade o vício supremo, essa pessoa está redondamente enganada. Os pecados da carne são maus, mas, dos pecados, são os menos graves. Todos os prazeres mais terríveis são de natureza puramente espiritual: o prazer de provar que o próximo está errado, de tiranizar, de tratar os outros com desdém e superioridade, de estragar o prazer, de difamar. São os prazeres do poder e do ódio. Isso porque existem duas coisas dentro de mim que competem com o ser humano em que devo tentar me tornar. São elas o ser animal e o ser diabólico. O diabólico é o pior dos dois. E por isso que um moralista frio e pretensamente virtuoso que vai regularmente à igreja pode estar bem mais perto do inferno que uma prostituta. É claro, porém, que é melhor não ser nenhum dos dois.


C.S. Lewis
retirado de Cristianismo Puro e Simples (Editora Martins Fontes)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Não sois deuses, homens é que sois


A partir do momento em que você tem um “eu”, surge a possibilidade de colocá-lo em primeiro lugar, de querer ser o centro – de querer, na verdade, ser Deus. Foi esse o pecado de Satanás; e esse também o pecado que ele ensinou à raça humana. Algumas pessoas pensam que a queda do homem está relacionada ao sexo, mas isso é um erro. (O livro de Gênesis na verdade sugere que a depravação da nossa natureza sexual foi resultado da queda, e não sua causa). O que Satanás colocou na cabeça dos nossos ancestrais mais remotos foi a ideia de que eles poderiam ser “como deuses” – que poderiam depender de si mesmos como se tivessem sido seus próprios criadores. “Sejam seus próprios mestres”, dizia ele, “Inventem o tipo de felicidade que vocês desejam para si mesmos, fora de Deus”. E foi dessa tentativa desesperada que surgiu praticamente tudo o que se relaciona ao que chamamos de história humana: dinheiro, pobreza, ambições, guerras, prostituição, classes, impérios, escravidão. A longa e terrível história do homem à procura de algo diferente de Deus para lhe trazer felicidade.


[C. S. Lewis, Mero Cristianismo. São Paulo: Martins Fontes, 2005]

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Trasposição, Lewis again

Pela tradição da minha igreja, o dia de hoje é consagrado à comemoração da descida do Espírito Santo sobre os primeiros cristãos, logo após a ascensão. Pretendo aqui examinar um dos fenômenos que acompanharam ou sucederam tal descida: trata-se do fenômeno que a nossa versão [da Bíblia] chama de “falar em línguas” e os eruditos, de glossolalia. Não que esse seja o aspecto mais importante do Pentecoste para mim. Eu o escolhi por dois motivos básicos. Em primeiro lugar, seria absurdo que eu discorresse sobre a natureza do Espírito Santo ou sobre suas formas de atuação: isso seria querer assumir as funções de mestre, quando na verdade mal iniciei meu aprendizado. Em segundo, a glossolalia sempre significou uma pedra de tropeço. Para ser franco, é um fenômeno desconcertante para mim. O próprio apóstolo Paulo parece ter ficado desconcertado com ele em 1 Coríntios, esforçando-se por desviar a atenção e a expectativa da igreja para os dons evidentemente mais edificantes. Mas ele não passa disso. Acrescenta quase parenteticamente que ele mesmo, mais do que ninguém, falou em línguas e não questiona a fonte espiritual ou sobrenatural do fenômeno.

O que tenho dificuldade de entender é a seguinte: por um lado a glossolalia continua sendo, até hoje, um dos “gêneros de experiência religiosa” mais cobiçado. De tempos em tempos, ouvimos falar de alguma reunião de avivamento em que um ou outro desatou a falar coisas ininteligíveis. Isso não parece edificante e, na opinião geral dos não-cristãos, seria considerado uma espécie de histeria, a manifestação de um estado de nervos fora do controle. Boa parte dos cristãos explicaria a maioria de casos assim, da mesma forma, e devo reconhecer ser muito difícil acreditar que o seja o Espírito Santo que estivesse agindo em todos esses casos. Usualmente supomos, mesmo sem ter muita certeza, que se trata de um problema nervoso. Esse é uma dos nós *górgios do dilema. Por outro lado, como cristãos não podemos simplesmente engavetar a história do Pentecoste ou negar que, de alguma forma, naquela ocasião, o falar em línguas tivesse sido um milagre de fato. Porque as pessoas não proferiram palavras sem nexo, mas, sim, línguas por embora fossem desconhecidas a elas, entretanto, eram, sim, conhecidas dos demais ali presentes. E todo e qualquer o acontecimento envolvido nesse fato está inserido no próprio contexto da história do nascimento da igreja. Trata-se precisamente do acontecimento pelo qual, de acordo com as palavras do Senhor ressuscitado — em das últimas que proferiu antes de sua ascensão — a igreja deveria estar aguardando. Logo, segundo nos parece, seremos forçados a concluir que precisamente o mesmo fenômeno não apenas natural, mas às vezes até patológico, é em outras circunstâncias (uma ou outra vez) o veículo do Espírito Santo. E isso parece, a princípio, surpreendente e vulnerável demais a refutações. O cético não perderá a oportunidade de falar da “navalha de Occam”, acusando-nos de emendar hipóteses a outras hipóteses. Se, na maior parte dos casos, a histeria é responsável pela glossolalia, não será bem provável (perguntará ele) que a mesma explicação seja aplicável a todos os demais casos?

É para essa dificuldade que eu gostaria de ter o prazer de trazer um pouco de esclarecimento, se puder. E vou começar, dizendo que ela pertence a uma categoria especial de problema. Nessa categoria, o exemplo mais próximo em nível de dificuldade pode ser considerado o uso linguagem e imagens eróticas pelos autores cristãos místicos da Idade Média. Encontramos neles toda uma gama de manifestações desse tipo — e provavelmente, portanto, de emoções — que, em outro contexto, seria bastante conhecidos, que nesse outro contexto, assumem o significado mais natural do mundo. Está claro, contudo, que nos escritos místicos esses elementos têm outra motivação. Mais uma vez o cético perguntará por que não aceitamos para o centésimo caso a motivação que nos prontificamos a aceitar para os noventa e nove. Para ele, a hipótese de que o misticismo é um fenômeno erótico parecerá muito mais provável do que qualquer outra.

Apresentado em linhas gerais, o nosso problema é o da evidente relação entre o que é notadamente natural e o que se supõe espiritual; o ressurgimento, naquilo que se apresenta como nossa vida sobrenatural, dos mesmos velhos elementos que compõem a nossa vida natural e (segundo parece) a de nenhum outro. Se de fato fomos favorecidos com uma revelação sobrenatural, não será muito estranho que o Apocalipse possa guarnecer o céu tão somente com elementos recolhidos da experiência terrena (coroas, tronos, música)? Também que a devoção religiosa não encontre outra linguagem senão a dos amantes e que o rito com que o cristão celebra a união mística não passe do velho ato familiar de comer e beber? E você pode acrescentar que o mesmo problema apresenta-se num plano inferior, não apenas entre o espiritual e o natural, mas entre os planos mais elevados e os mais baixos da vida natural. Por isso, os cínicos são muito plausíveis ao contestar nossa civilizada distinção entre amor e sensualidade, observando que, afinal de contas, ambos culminam no mesmo ato físico. Também contestam a diferença entre justiça e vingança, baseando-se no fato de que, para o criminoso, o resultado pode ser o mesmo. E admitimos que, à primeira vista, os cínicos e os céticos têm razão em todos esses casos. Os mesmos atos surgem de fato na justiça e na vingança; a consumação do amor conjugal é, fisiologicamente, igual à do mero desejo biológico; a linguagem e as imagens religiosas e, provavelmente, o próprio sentimento religioso, nada contêm que não tenha sido tomado por empréstimo da natureza.

Bem, parece-me que a única maneira de refutar a crítica é demonstrar que os mesmos argumentos, baseados na primeira impressão, seriam igualmente plausíveis em alguns casos nos quais todos sabem (não pela fé ou pela lógica, mas empiricamente) serem esses argumentos infundados. Será que temos algum exemplo de dois planos — um superior e outro inferior — em que o superior faça parte da experiência pessoal de quase todas as pessoas? Creio que sim.

Examinemos a seguinte transcrição do Diário de Pepys:

Fui com minha esposa à casa de espetáculos “King’s House”, assistir O Mártir Virgem (“The Virgin Martyr”) e amei [ Mas o que me deliciou, sobretudo foi a música de sopro, quando o anjo desce a terra, tão doce que me senti arrebatado. Aliás, em suma, ela absorveu minha alma a ponto de me dar náuseas mesmo, como no tempo em que me apaixonei por minha mulher [e me faz decidir estudar música de sopro e pedir à minha mulher que também o faça. (27 de fevereiro de 1668.)

Há aqui vários pontos que merecem atenção. Primeiro que a sensação que acompanhou o prazer estético era a mesma que acompanhou as duas outras experiências: a de estar apaixonado e a de atravessar, digamos, o canal da Mancha num temporal. Segundo, que, dessas duas experiências, uma pelo menos é a própria antítese do prazer. Ninguém gosta de sentir náuseas. Terceiro que Pepys desejava ardentemente ter de novo a experiência cuja sensação resultante era exatamente idêntica aos desagradáveis efeitos da náusea. E esse foi o motivo de resolver dedicar-se ao estudo da musica de sopro

É possível que nem todos tenhamos vivenciado em sua totalidade a experiência de Pepys, mas todos já experimentamos algo parecido. Eu mesmo já percebi que, se durante um momento de intenso prazer estético alguém busca captar, pela introspecção, aquilo que realmente esta sentindo, não conseguira deitar mão em nada que não seja puramente físico. No caso é uma espécie de contração ou espasmo do diafragma Talvez “náuseas mesmo” tivesse esse significado para Pepys Mas o que importa e o seguinte creio que esse espasmo e precisamente o mesmo que no meu caso, acompanha uma grande e súbita angustia. A introspecção não encontra nenhuma diferença entre minha reação neurológica a uma noticia muito ruim e minha reação neurológica a abertura da Flauta Mágica. Se eu tivesse de julgar simplesmente pelas sensações, poderia chegar à conclusão absurda de que prazer e angustia sejam a mesma coisa,* que aquilo que mais temo e também o que mais desejo. A introspecção não encontra nenhuma diferença entre os dois. E creio que a maioria de vocês, se tiver o habito de notar coisas desse tipo dirá mais ou menos a mesma coisa.

Vamos dar mais um passo. Essas sensações — a “náusea” de Pepys e o meu espasmo no diafragma — não são meros acompanhamentos insignificantes de experiências muito diversas. Podemos estar certos de que Pepys detestava tal sensação, sempre que acompanhasse uma enfermidade real, e sabemos, por suas próprias palavras, que gostava dela quando produzida pela música de sopro, pois tomou providências para garantir, dentro do possível, que a teria novamente. Eu também amo esse espasmo interno numa situação, chamando-o de prazer, e odeio-o em outra, chamando-o de sofrimento. Essa sensação não é um mero sinal de alegria e angústia: passa a ser o que significa. Quando a alegria transborda, então, pelo sistema nervoso, esse transbordamento é a sua consumação; quando a angústia transborda, esse sintoma físico é o horror concretizado. Aquilo, que faz uma gota do cálice doce ser a mais doce de todas é exatamente o mesmo que faz outra ser a mais amarga de todo o cálice amargo.

E aqui, creio eu, encontramos o que estamos procurando. Entendo que a nossa vida emocional esteja “acima” das nossas sensações — claro que não sendo moralmente superior, mas, sim, mais rica, mais variada, mais sutil. E quase todos conhecemos esse plano superior. E creio que, se alguém observar cuidadosamente a relação entre as suas emoções e as suas sensações, descobrirá que: 1) os nervos reagem, em certo sentido, de modo adequado e preciso às emoções; 2) as possibilidades de variação dos sentidos são muito menores que as das emoções, seus recursos, muito mais limitados e 3) os sentidos compensam essa deficiência servindo-se da mesma sensação para manifestar mais de uma emoção — até, como vimos, para manifestar emoções opostas.

Incorremos em erro ao concluir que, se existe uma correspondência entre dois sistemas, essa correspondência deva ser biunívoca — que A de um sistema faz-se representar por a no outro e assim por diante. Pois acontece que a correspondência entre a emoção e a sensação não segue esse padrão. E nunca pode haver tal correspondência quando um sistema é de fato mais rico que o outro. Para que o sistema mais rico possa-se fazer representar no mais pobre, é necessário atribuir mais de um significado a cada elemento deste. A transposição do mais rico para o mais pobre deve, por assim dizer, ser algébrica, não aritmética. Se você quiser traduzir de uma língua que dispõe de um vocabulário extenso para uma língua de vocabulário reduzido, precisa ter liberdade de usar várias palavras em mais de um sentido. Se tiver de representar graficamente uma língua que tenha vinte e dois sons vocálicos utilizando um alfabeto de apenas cinco caracteres vocálicos, precisará atribuir mais de um valor a cada um deles. Se tiver de transpor para o piano uma peça originalmente composta para orquestra, as notas que numa passagem representam as flautas representarão, em outra, os violinos.

Como demonstram os exemplos, todos conhecemos muito bem essa espécie de transposição ou adaptação de um plano mais rico para um mais pobre. O mais conhecido de todos é a arte de desenhar. Nesse caso, o problema é representar um mundo tridimensional numa folha de papel plana. A solução está na perspectiva, e perspectiva significa precisarmos atribuir mais de um valor a uma forma bidimensional. Assim, ao desenhar um cubo, usamos um ângulo agudo para representar o que, na realidade, é um ângulo reto. Mas, em outro lugar, o ângulo agudo pode representar no papel o que era já um ângulo agudo no mundo real: por exemplo, a ponta do espigão que remata as vertentes de um telhado. A forma que você desenha para dar a ilusão de uma estrada reta que se afasta do observador é a mesma que utiliza para desenhar a ponta de um cone. O que ocorre com as linhas também acontece com as sombras. A luz mais brilhante do desenho é, na realidade, apenas a brancura do papel; e esta deve servir para representar o sol, um lago iluminado pela luz do poente, a neve ou a carne humana.

Faço agora duas observações a propósito desses casos de transposição:

1) Em cada um deles verifica-se que o que se passa no plano inferior só pode ser compreendido quando conhecemos o plano superior. O exemplo em que esse conhecimento mais costuma falhar é o da música. A versão para piano significa uma coisa para o músico que conhece a composição original para orquestra e outra para quem simplesmente a ouve na forma de peça tocada ao piano. Mas o segundo estaria em desvantagem ainda maior se não conhecesse outro instrumento além do piano e até duvidasse da existência de outros instrumentos. Mais ainda: só compreendemos as pinturas porque conhecemos e habitamos um mundo tridimensional. Se conseguísse-los imaginar uma criatura que distinguisse apenas duas dimensões e que, mesmo assim, ainda pudesse perceber as linhas enquanto as rastreasse no papel, logo veríamos que lhe seria impossível entender. A princípio, poderia estar pronta a aceitar, como sendo de fonte segura, a nossa asseveração de haver um mundo tridimensional. Mas quando apontássemos para as linhas traçadas no papel e tentássemos explicar: “isto é uma estrada”, digamos, não replicaria ela que a forma que lhe pedimos que aceitasse como revelação do nosso misterioso mundo era precisamente a mesma que, em outro lugar, não passava de um triângulo? E em breve, imagino, essa criatura diria: “Você continua falando desse outro mundo e das suas incríveis formas chamadas sólidas. Mas não é bem provável que todas essas formas que me apresenta como imagens ou reflexos dos sólidos não passem, afinal, das velhas formas bidimensionais do mundo que sempre conheci? Não se torna evidente que esse outro mundo de que você se gaba, longe de ser o arquétipo, é antes um sonho totalmente formado por elementos deste mundo aqui?”.

2) É importante notar que a palavra simbolismo nem sempre é suficiente para abranger a relação entre o plano superior e a sua transposição para o inferior. Em alguns casos, aplica-se perfeitamente, em outros, não. Assim, a relação entre a fala e a escrita é simbólica. Os caracteres escritos existem apenas para os olhos, as palavras faladas, apenas para os ouvidos. A desconexão entre eles é absoluta. Não se parecem um com o outro, e um não pode dar origem ao outro. O primeiro é um simples sinal do segundo e tem esse significado por convenção. Mas a relação entre um desenho e o mundo visível não se reduz a isso. Os próprios desenhos fazem parte do mundo visível e só o representam por serem parte dele. A visibilidade de um tem a mesma origem que a do outro. Os sóis e as luzes parecem brilhar nos desenhos só porque os verdadeiros sóis ou as verdadeiras luzes brilham sobre eles: ou seja, parecem brilhar muito porque na realidade brilham um pouco ao refletir os seus arquétipos. Portanto, a luz do sol retratada em um quadro não se relaciona com a verdadeira luz da mesma maneira que as palavras escritas se relacionam com as faladas. É um sinal, sim, mas também mais que um sinal; e só é um sinal porque é também mais que um sinal, porque, de certa forma, a coisa que significa está presente nele. Se eu tivesse de dar um nome a esse tipo de relação, não a chamaria simbólica, mas sacramental. Mas na argumentação inicial — a da emoção e da sensação —, a relação é ainda mais íntima que a de um mero simbolismo. Porque nesse caso, como vimos a sensação não se limita a acompanhar ou meramente a significar emoções diversas e opostas: torna-se parte delas. A emoção desce fisicamente, por assim dizer, à sensação e a digere, transforma, transubstancia, de forma que a excitação que percorre os nervos é deleite ou é tormento.

Não afirmo que aquilo a que chamo transposição seja o único modo pelo qual um plano inferior possa corresponder a outro superior, mas afirmo ser muito difícil imaginar outro. Não é, por conseqüência, improvável que a transposição ocorra sempre que um plano mais alto reproduza-se num mais baixo. Assim, para divagar um pouco, direi que me parece bem possível que a verdadeira relação entre a mente e o corpo seja de transposição. Sabemos que, de qualquer maneira nesta vida, o pensamento relaciona-se intimamente com o cérebro. Em minha opinião, a teoria de que o pensamento é, portanto, um mero movimento do cérebro é inteiramente absurda; pois, se o fosse, essa mesma teoria seria mero movimento, uma atividade entre átomos que poderia ter velocidade e direção, mas que não poderia ser considerada “verdadeira” ou “falsa”. Somos, pois, levados a pensar em uma espécie de correspondência. Mas, se pressupomos uma correspondência biunívoca, significa que teremos de atribuir ao cérebro uma complexidade e variedade quase inacreditáveis de atividades. No entanto, julgo que esse tipo de relação biunívoca seja provavelmente desnecessário. Todos os nossos exemplos mostram que o cérebro pode responder — corresponder, de certo modo, de forma adequada e precisa — às variações aparentemente infinitas do consciente, sem fornecer uma única modificação física para cada modificação do consciente.

Mas isso é divagação. Voltemos à nossa questão original sobre espírito e natureza, Deus e homem. Nosso problema era que tudo o que pretende ser a nossa vida espiritual evoca os elementos da nossa vida natural e, o que é pior: à primeira vista, tudo nos leva a crer que não há nenhum outro elemento. Vemos agora que, se o plano espiritual é mais rico que o natural (e ninguém que creia na sua existência duvidará disso), nada há de estranho nesse fato. E a conclusão do cético de que, na realidade, o que chamamos espiritual deriva do natural, que é a miragem, projeção ou prolongamento imaginário do natural, também não é estranha; porque, como vimos, esse é o erro em que um observador que só conhecesse o plano inferior forçosamente incorreria, sempre que fizesse uma transposição. O indivíduo sensual nunca poderá distinguir, em sua análise, o amor da lascívia; o habitante de uma planície nada encontrará num quadro senão formas planas; a fisiologia nada verá no pensamento senão contrações da massa cinzenta. De nada servirá argumentar com o crítico que aborda a transposição a partir de um plano inferior. Com as provas que possui, sua conclusão é a única possível.

Tudo se transforma quando examinamos a transposição de cima, como fazemos no caso da emoção e da sensação ou do mundo tridimensional e dos desenhos, e como faz o homem espiritual no caso que estamos analisando. Os que já falaram em línguas, como Paulo, sabem como o santo fenômeno difere do fenômeno histérico — lembrando, entretanto, que o fenômeno é, em certo sentido, precisamente o mesmo, como era a mesma a sensação que invadiu Pepys no amor, no prazer musical e na náusea. As coisas espirituais discernem-se espiritualmente. O homem espiritual julga todas as coisas, mas de nenhuma é julgado.

Mas quem ousa considerar-se um homem espiritual? Em sentido estrito, nenhum de nós. Contudo, sabemos que, de algum modo, vislumbramos de cima, ou de dentro, pelo menos algumas dessas transposições que dão corpo à vida cristã neste mundo. Por mais que nos consideremos indignos ou audaciosos, podemos afirmar que conhecemos um pouco desse sistema superior que está sendo transposto. De certo modo, a afirmação que fazemos não é muito espantosa. Afirmamos apenas saber que nossa visível devoção, qualquer que tenha sido, não era puramente erótica, e que nosso visível desejo do céu, qualquer que tenha sido, não era mero desejo de longevidade, riqueza ou esplendor social. E possível que nunca tenhamos atingido aquilo que Paulo descreve como vida espiritual. Mas sabemos, pelo menos, ainda que de maneira obscura e confusa, que procuramos atribuir um novo significado aos atos naturais, às imagens e à linguagem; desejamos, pelo menos, um arrependimento que não é mera prudência e um amor que não é egoísmo. Na pior das hipóteses, o que conhecemos do plano espiritual é suficiente para nos tornar conscientes de que estamos longe dele; como se o quadro tivesse conhecimento do mundo tridimensional o suficiente para ter consciência de seu próprio achatamento.

Não é só por humildade (a qual, evidentemente, não se exclui) que precisamos sublinhar a imperfeição do nosso conhecimento. Suponho que, se não for por milagre de Deus, a experiência espiritual não se submete à introspecção. Se nem as nossas emoções se submetem a ela (já que a própria tentativa de descobrir o que estamos sentindo neste momento não revela mais que uma sensação física), muito menos a operação do Espírito Santo. A tentativa de descobrir a nossa condição espiritual por meio da análise introspectiva é, para mim, uma coisa horrível que jamais nos pode revelar os mistérios do Espírito de Deus ou do nosso espírito — quando muito, revela a transposição dele no intelecto, na emoção e na imaginação — e que, na pior das hipóteses, pode ser o caminho mais curto para a presunção ou o desespero.

Com isso dou o caso por encerrado, como dizem os advogados.

Mas devo acrescentar apenas quatro pontos:

1) Espero ter esclarecido que o conceito de transposição, como o apresento, é diferente do conceito empregado muitas vezes para o mesmo fim — refiro-me ao conceito de desenvolvimento. Os que defendem esse conceito explicam a relação entre o que se diz espiritual e o que com certeza é natural, afirmando que um transformou-se gradualmente no outro. Creio que esse ponto de vista explique alguns fatos, mas acredito haver abusos. De qualquer modo, não é essa a teoria que apresento. Não estou afirmando que o ato natural de comer tenha-se transformado, após milhões de anos, no sacramento cristão. O que digo é que a realidade espiritual, que já existia antes de haver sobre a terra criaturas que comessem, empresta novo significado a esse ato natural e, mais que isso, transforma-o, em determinada situação, num ato distinto. Afirmo, em suma, que são as paisagens reais que entram nos quadros, e não que um dia os quadros vão-se converter em árvores e relvados.

2) Ao pensar naquilo a que chamo de transposição, não posso deixar de perguntar-me se ela nos pode ajudar a compreender a encarnação. É evidente que, se não passasse de uma forma de simbolismo, a transposição de nada nos serviria nesse caso; pelo contrário, desviar-nos-ia completamente, levando-nos de volta a uma nova espécie de docetismo (ou seria ao velho docetismo?), desviando-nos da realidade eminentemente histórica e concreta, que é o centro de nossa esperança, fé e amor. Mas, como já fiz notar, transposição nem sempre é simbolismo. A realidade inferior pode, de fato, numa medida maior ou menor, ser elevada até a realidade superior, chegando a tornar-se parte dela. A sensação que acompanha a alegria converte-se, ela própria, em alegria; podemos até dizer que é a “encarnação da alegria”. Nesse caso, atrevo-me a propor para / consideração, ainda que com grandes dúvidas e apenas em caráter provisório, que o conceito de transposição traz alguma contribuição à teologia — ou pelo menos à filosofia — da encarnação. Pois um dos credos diz-nos que a encarnação operou-se “não pela conversão de Deus em carne, mas pela elevação da humanidade até Deus”. Creio que se possa encontrar aqui uma verdadeira analogia com aquilo a que chamo transposição: o fato de a humanidade, permanecendo o que é, não ser apenas considerada divina, mas ser verdadeiramente integrada na Divindade, compara-se com o que acontece quando a sensação, não sendo ela mesma o prazer, integra-se à alegria que acompanha. Mas ando sobre uma maravilha superior a mim, e submeto tudo à apreciação dos verdadeiros teólogos.

3) Esforcei-me por acentuar, em todo este trabalho, somente a inevitabilidade do erro cometido a cada transposição, quando alguém vem de um plano inferior. A força de tal crítico está nas expressões “meramente” ou “nada mais que”. Ele vê todos os fatos, mas não o significado. É com razão, portanto, que afirma ter examinado todos os fatos. Nada mais existe ali, exceto o significado. Ele é, por conseguinte, no que diz respeito aos dados que possui, como um animal. Com certeza, você já notou que a maioria dos cães não compreende quando você aponta alguma coisa. Apontamos para um pouco de comida no chão: o cão, em vez de olhar para o chão, cheira nosso dedo. Para ele, um dedo é um dedo, nada mais. Em seu mundo, tudo é fato; o significado não existe. Numa época em que predomina o realismo factual, encontramos muita gente que se induz deliberadamente esse tipo de mentalidade canina. Um homem que experimentou o amor dentro de si decidiria analisá-lo por fora e consideraria os resultados de sua análise mais verdadeiros que sua própria experiência. O cúmulo dessa cegueira voluntária é visto nas pessoas que, possuindo consciência, como o resto da humanidade, analisam e estudam o organismo humano como se ignorassem essa consciência. Enquanto perdurar essa deliberada recusa em entender as coisas de cima, mesmo quando esse entendimento é possível, é inútil falar de qualquer triunfo definitivo sobre o materialismo. A crítica feita a partir de um plano inferior contra qualquer experiência, a desconsideração voluntária do significado e a concentração no fato sempre apresentarão a mesma plausibilidade. Sempre haverá provas, provas frescas, todos os meses, de que a religião é apenas psicológica, a justiça, mera autoproteção, a política, simples economia, o amor, pura sensualidade e o pensamento, nada mais que bioquímica do cérebro.

4) Por fim, entendo que o que se disse da transposição traz nova luz à doutrina da ressurreição do corpo. Porque, de certo modo, nada é impossível na transposição. Por maior que seja a diferença entre espírito e natureza, entre a alegria estética e o espasmo do diafragma, entre a realidade e o retrato, a transposição, à sua própria maneira, sempre será satisfatória. Já disse que, no seu desenho, você só tem a brancura do papel para representar o sol, as nuvens, a neve, a água e a carne humana. Por um lado, como é pobre e insuficiente! Mas, por outro, como é perfeito. Se a sombra for bem feita, aquele pedaço de papel branco será, curiosamente, muito semelhante a um raio brilhante de sol; quase nos será possível sentir frio ao ver a neve no papel e aquecer as mãos no desenho do fogo. Será que não poderíamos supor, por analogia até arrazoada, que não há experiência espiritual tão transcendente e sobrenatural ou visão da própria divindade tão íntima e distante de todas as imagens e emoções que não encontre a sua devida correspondência no plano sensorial? Que, não por uma nova sensação, mas pelo incrível fluir daquelas mesmas sensações, temos agora com um significado, uma transposição de valores, do qual não temos aqui a mais tênue idéia?


C.S. Lewis

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Progesso, by Lewis

Todos nós desejamos o progresso, mas se voce está na estrada errada, progresso significa fazer o retorno e voltar para a estrada certa; nesse caso, o homem que volta atras primeiro é o mais progressista.


C.S. Lewis

sexta-feira, 5 de março de 2010

Lampejo

Em se tratando da simplicidade inocente, também nos lembremos da ausência e diluição dela na vida cristã, pois a infância é medida pelos sons, aromas e cenas, antes de surgir a hora sombria da razão e do crescimento.


C.S. Lewis

segunda-feira, 16 de março de 2009

Eu sou diferente igual a todo mundo

Aproveitando a deixa do texto abaixo e da citação do nome de Nietzche ae vai um clipe do fruto sagrado que leva o titulo de "Superman" muito bom mesmo para quem não gosta de rock afinal a letra é fantástica, inclusive dentro dela há uma referência de uam famosa frase do C.S. Lewis, realemente muito mesmo.




A Deus Somente A Glória,
Ricardo A. da Silva

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Aquilo Que Jesus Não É

Deus deu à espécie humana aquilo que eu chamo bons sonhos: quero dizer, histórias piegas espalhadas pelas religiões pagãs acerca de um deus que morre e regressa à vida e, pela sua morte, de algum modo, dá vida nova ao homem. Ele também escolheu um povo particular e gastou vários séculos a martelar nas suas cabeças o tipo de Deus que Ele era - que Ele era Um e que Ele se preocupava com a boa conduta. Essa gente eram os Judeus e o Velho Testamento dá-nos conta do processo da martelada.

É aí que entra o verdadeiro choque. Entre estes Judeus, de repente há um homem que começa a falar como se Ele fosse Deus. Ele diz que perdoa os pecados. Ele diz que Ele existiu sempre. Ele diz que vem para julgar o mundo no fim dos tempos. Aqui tenhamos isto claro. Entre os Panteístas, como os Indianos, qualquer um pode dizer que é uma parte de Deus, ou um com Deus: isto não será nada estranho. Mas este homem, que era Judeu, não podia querer dizer que era esse tipo de Deus. Deus na língua daquela gente, significava o Ser fora do mundo que tinha feito o mundo e que era infinitamente diferente de qualquer outra coisa. E quando se percebe isto, pode-se ver como o que aquele homem dizia era, simplesmente, a coisa mais chocante alguma vez sussurrada por lábios humanos.

Uma parte da pretensão tende a passar ao nosso lado despercebida porque a ouvimos tantas vezes que já não sabemos de que se trata. Estou a falar da pretensão de perdoar os pecados: quaisquer pecados. A não ser que quem diz isto seja Deus, isto é tão prepóstero como cómico. Todos podemos compreender como um homem perdoa as ofensas contra si próprio. Pisas-me o dedo do pé e eu desculpo-te, roubas-me o dinheiro e eu desculpo-te.

Mas o que pensar de um homem, que não foi roubado ou pisado, que anunciou que te perdoou por ter pisado os dedos do pé de outro homem e roubado o dinheiro de outro homem? Fatuidade asinina é a descrição mais moderada que daríamos a esta conduta. Contudo, isto é o que Jesus fez. Ele disse às pessoas que os seus pecados estavam perdoados sem nunca ter esperado para consultar todas as outras pessoas a quem aqueles pecados tinham sem dúvida prejudicado. Ele comportava-se deliberadamente como se Ele fosse a principal parte interessada, a pessoa mais gravemente ofendida com todas as ofensas. Isto só faz sentido se Ele for realmente o Deus cujas leis são quebradas e cujo amor é ferido com cada pecado. Na boca de quem quer que não seja Deus estas palavras implicariam o que eu só consigo classificar como tontice e presunção nunca antes rivalizadas por qualquer personagem na história.

Porém (e isto é a coisa estranha e significativa) mesmo os Seus inimigos quando liam as Escrituras, não ficavam usualmente com a impressão de tontice e presunção. Ainda menos ficarão os leitores sem preconceito. Cristo diz que Ele é humilde e doce e nós acreditamo-lO, não reparando, que se Ele fosse meramente um homem, humildade e doçura são das últimas características que poderíamos atribuir a algumas das Suas palavras.

Estou a tentar aqui evitar que alguém diga a coisa realmente idiota que as pessoas dizem muitas vezes d'Ele: 'Estou pronto a aceitar Jesus como um grande mestre de moral, mas não aceito a Sua pretensão de ser Deus.' Esta é a coisa que não devemos dizer. Um homem que fosse meramente homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre de moral. Seria ou um lunático - ao nível de um homem que diz que é um ovo escalfado - ou então seria o Diabo do Inferno.

Temos que fazer a nossa escolha. Ou este homem era, e é, o Filho de Deus ou então é um louco ou qualquer coisa pior. Pode-se ignorá-lo como um louco, pode-se cuspir-Lhe e matá-Lo como um demônio; ou pode-se cair a Seus pés e chamar-Lhe Deus e Senhor. Mas deixemo-nos de vir com disparates condescendentes acerca d'Ele ser um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa saída. Ele não fez tenções disso.


C. S. Lewis

C.S. Lewis Music

Certo dia me apresentaram essa musica da Brooke Fraser, de inicio me surpreendi pelo seu titulo, mas a ouvi-la oque me impressionou foi sua letra. Que a cada dia que passarmos posssamos deixar o Santo Espirito nos moldar e mover, e nos conduzir para nosso Lar Eterno, ao lugar ao qual pertencemos. E que enquanto isso, possamos nos lembrar que a Misericordia vem renovada a cada manhã.





A Deus Somente A Gloria
Ricardo A. da Silva

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Autênticidade

Quanto mais deixamos que Deus assuma o controle sobre nós, mais autênticos nos tornamos, pois foi ele quem nos fez. Ele inventou todas as diferentes pessoas que eu e você tencionávamos ser (...). É quando me viro para Cristo e me rendo à sua personalidade que pela primeira vez começo a ter minha própria e real personalidade.


C. S. Lewis
Citação do livro "Mero Cristianismo"
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