Mostrando postagens com marcador . Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador . Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Por que sou cristão de tradição reformada calvinista?

Longe de tentar fazer um estudo robusto demonstrando ponto a ponto as razões do porque sou cristão (de tradição calvinista), vou tentar fazer apenas uma leve pontuação das coisas que me são aparentes ao observar os vários sistemas de pensamento dentro do gueto cristão. Ao longo da trajetória cristã tenho observado através dos perfis cristãos, as nuances de vários sistemas ou linhas de pensamento e as implicações dessas visões em suas vidas. Assim, não pretendo aqui elucidar as questões profundas relacionadas ao tema, mas apenas demonstrar minhas impressões após uma série de observações da vida e do cotidiano. 
Uma das profundas questões que me levaram a essa tradição foram as questões relacionadas a vida cotidiana e a reflexão de ordem psicológica. O cristianismo (reformado calvinista) surgiu para mim como um sistema que emerge numa suave vontade que equilibra o fazer e o esperar. Ao longo da vida somos desafiados para um grande número de empreitadas que nos trazem ansiedade, frustação, desconforto, tristeza e grande quantidade de estresse. Dentro desse contexto, o sistemareformado tem em si um potencial terapêutico bastante efetivo mediante a essas questões, visto que a escritura aponta que somos responsáveis por selar o cavalo, se preparar para a guerra e ir ao ponto de confronto, mas a escritura afirma que somente Deus decidirá quem será o vencedor do confronto, ou seja, há uma forte relação que pode aparentar paradoxal, mas que suavemente demonstra a responsabilidade em trabalhar com afinco e atenção no projeto proposto, mas que tem como pano de fundo o Deus soberano regendo todas as coisas do universo, mesmo os menores processos, pois seu governo se estende a todas as áreas da vida humana e do cosmos, e isso inclui nossa incapacidade de decidir quem ganhará a batalha. 
Dessa forma ser cristão reformado implica necessariamente em uma vida de calma, de trabalho, mas de um trabalho não desesperador. A melhor figura para isso é o pecuarista que lidava na antiguidade com ovelhas. Lidar com ovelhas em tempos remotos era uma tarefa bastante peculiar e de total entrega a Deus, visto que o pastor tinha que levar as ovelhas para comer as gramíneas, beber água e cuidar dos animais ferozes e salteadores que existiam naquelas regiões. A tarefa de ser um pastor de ovelhas remetia a uma total atitude de dependência da vontade dos deuses no mundo antigo. Pois não se poderia operar máquinas para arar a terra a fim de cultivar gramíneas, não existiam sistemas de controle de irrigação efetivo, sistema meteorológico ou qualquer controle automotiva para adubar a terra. Assim, o pastor estava sujeito as variações ambientais e a fisiologia das ovelhas para otimizarem a ingestão de alimento, produção de lã, produção de leite e de carne. O trabalho de um pastor remete a uma visão cristã da vida, aonde o trabalho está imerso nesse ambiente de imprevisibilidade e aonde o sossego e conforto só se sustentam quando o indivíduo entende que Deus controla todas as coisas tanto as boas quantos as más e que nada na terra ocorre sem a sua vontade e governo.
Uma outra perspectiva que me fez adentrar ao sistema reformado de pensamento foi o silêncio. Vivemos em um mundo barulhento, aonde se falam muito, cada um cria seu próprio sistema de pensamento ancorado em um padrão global de consumo e exigências. Essas questões são de ordem muito profundas e acabaram desestruturalizando as categorias do pensar a vida e a si mesmo. Com a divisão da reflexão filosófica (filosofia) e da análise racional (ciência), a partir de Descartes, o homem passou a querer analisar tudo por seu prisma lógico separando racionalidade e irracionalidade, criando a autonomia da razão que não é algo novo, mas que remetem a ecos das histórias do aurorescer da consciência humana já descrito dentro do imaginário judaico-cristão no Éden. 

Assim, o silêncio que a fé reformada proporciona é libertador, ao que o homem se despi de todas as suas elucubrações e passa a simplesmente ouvir a voz de Deus em seu silêncio da vida, na música, na arte, nas flores ou na escura capela. Pois a visão calvinista parte de um referencial Téo-referente, ou seja, a vida e todas as dimensionalidades dela passam pelo prisma desse ser pessoal que cuida a todo momento da sua criação, mesmo que haja terremotos, crises globais, doenças, competição e caça, a vida segue seu pulsar em segurança porque o Deus eterno cuida de todos, a despeito das crises e mortes que fazem parte da condição desse planeta em pecado e de uma humanidade que tomou a decisão de romper com Deus em épocas passadas. Mesmo assim, a bíblia garante que esse mesmo Deus ainda mantem o sistema sobre total controle e cuidado. 

O silêncio é uma parte imprescindível da fé cristã, pois é no silêncio do quarto que as mudanças reais acontecem, é no silêncio da prece que a vida muda, é no silêncio da renúncia que se faz a vontade de Deus, sem holofotes, sem grandes shows, apenas você e Deus, não estou aqui dizendo para se ter uma espiritualidade sem as outras pessoas, até porque isso não é espiritualidade sadia, o que estou realmente dizendo é que o cristianismo (reformado) proporciona ou propõe uma relação em que você abre espaço para Deus falar em meio ao tumulto da vida sem grandes euforismos ou liturgias shows, apenas na tranquilidade da vida, Deus fala e o servo houve e somente os servos ouvirão e somente as ovelhas escutarão a voz do pastor. 

Uma outra característica que me chamou para adentrar ao sistema, foi o realismo que se o sistema está construído. O sistema reformado te coloca consciente no mundo. Ele remove os contos de fadas, ele remove a fantasia, isso não quer dizer que não mais existe beleza no mundo, não estou querendo dizer isso. O que de fato quero dizer é que a perspectiva reformada te coloca consciente de suas responsabilidades como cristão e como ser humano moral no mundo. Assim, não há espaço para preguiça, para letargia, para infantilidade. A fé cristã te amadurece para conseguir ficar dentro da espaçonave igreja, por exemplo, ou para você lidar com você mesmo, que também está dentro da espaçonave. A saber, a igreja sempre será assim, falha, imperfeita, hipócrita, mas essa “merda” parafraseando João Alexandre tem o efeito poderoso no mundo ao ser disperso em doses menores ao redor do globo. Assim, a fé reformada coloca a importância do culto formal, da liturgia formal e da necessidade de se viver em um ambiente eclesiástico que antes de ser divino é humano. E na humanidade que Deus resolveu trabalhar, são com os vasos de barro que Deus resolveu fazer sua obra. 

Os vasos de barro também demonstram claramente como a visão reformada da vida pode lhe fornecer uma atitude de desprendimento e de abertura do seu próprio jeito de pensar e de ser. A saber, o vasos de barros estão nas mãos do oleiro, o vaso está nas mãos do oleiro que modifica, quebra, aquece, esfrega ou o refaz e diz que tipo cada vaso deve ser. Assim, a perspectiva de vaso te reduz, te diminui, te fragiliza, pois como disse um pregador uma vez “Deus gosta de lidar com o frágil e até se tornou um”. A atitude cristã reformada de pensamento nos coloca com situação de total dependência de Deus em todas as áreas da vida, para que sejamos como uma pena, leve, solta, nas mãos do vento que é o Espirito. Aqui não cabe mais infantilidade, crise de insatisfação, rebeldia com a tradição e com os costumes que a escritura apresenta como reflexo do caráter de Deus, a saber a lei moral é o resplendor do caráter de Deus.

Que o desafio cristão entendido por uma perspectiva reformada calvinista da vida possa encontrar espaço em meio a um mundo de apostasia e ateísmo prático cristão dos dias atuais. 

Soli Deo Gloria 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Ter fé é também correr riscos

O que é fé, senão uma aposta? Para aquilo se tem certeza a fé não é necessária. Fé é para aquilo que não se vê, que não se pode tanger, pode-se tão somente esperar. Ter fé é arriscar-se. Acreditar num futuro diferente e melhor é ter fé. Por isso que em Deus temos fé. Não o vemos, não o tocamos, mas cremos. É uma aposta que fazemos.

Isso acontece também nos relacionamentos. O casamento, por exemplo, é uma aposta. Não há certeza que vai dar certo, não se consegue prever o futuro. Mas quem se casa, o faz apostando que vai dar certo.

Em tudo na vida é assim. Por mais planejamento que se tenha, por mais que se tenha calculado todas as probabilidades, há sempre uma dose de imprevisão.

Quem não quer correr riscos não pode empreender coisa alguma, nem se relacionar com ninguém, porque relacionar-se é correr riscos, inclusive de se decepcionar muito e gravemente. Mas se não arriscar como saber?

Se não quer correr o risco de se decepcionar com pessoas, nunca se envolva, não faça amigos, se isole completamente, assim você não corre o risco de se machucar e também não machucará ninguém. Mas isso não é vida. É preciso arriscar-se.

Se você só vai participar de uma igreja quando encontrar uma em que as pessoas sejam perfeitas, cheias de fé, plenas de amor, retas em justiça, prontas para o céu, então se isole, fique só em sua casa, nunca entre em uma igreja. Mas se você aceita se arriscar para caminhar ao lado de gente capenga, falha, finita, pecadora, com todos os vícios e todas as virtudes que qualquer ser humano tem, então arrisque-se, envolva-se, comprometa-se com uma comunidade de fé.

Se você acha que o mundo não tem jeito, que nada nunca vai mudar, que os injustos sempre vão se dar bem e que os bons sempre vão sofrer, que não há nada que você possa fazer para alterar o mundo em sua volta para melhor, então não faça nada, fique olhando as coisas acontecerem e seja absorvido pelo seu cinismo. Mas se acredita que alguma coisa pode ser diferente e que você pode colaborar para isso; se você aposta que alguma coisa pode ser alterada se você deixar o imobilismo e o comodismo, então arrisque-se. Dê um salto de fé.

Se você acha que a vida é uma droga. Se não consegue ver nada de belo na vida, se não é agradecido por nada, então tem mesmo que ficar sentado num “trono de um apartamento, com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar”, como já cantou Raul Seixas. Mas você pode se arriscar e fazer algo.

Se você acha que as palavras de Jesus são uma balela e que a proposta de amor ao próximo como lei maior não vale nada e não muda nada, então tudo bem, continue como está, vivendo uma religiosidade fria, sem vida e irrelevante. Se você vê a Deus como um Papai Noel bíblico que está pronto a dar a você os brinquedinhos que você tanto pede, se sua relação com o sagrado é infantil e baseada na troca, então continue se infantilizando.

Mas se você vê algo de transformador na mensagem de Cristo, algo revolucionário na proposta dos Evangelhos, então arrisque-se e comece a agir de modo a alterar para melhor o atual estado de coisas. Isso é fé.


Márcio Rosa da Silva

domingo, 17 de julho de 2011

Criança

Ainda estou tentando criar a disciplina de assistir um Talmidim por dia, mas a correria dificulta essa tarefa, mas todos que vejo são muito bons, e aqui vai deles.



A Deus Somente A Glória,
Ricardo A. da Silva

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A sanidade e seu mistério

O misticismo mantém os homens sãos. Enquanto tiver mistério você terá sanidade; quando destrói o mistério, você cria morbidez. O homem comum tem sido desde sempre são, porque o homem comum tem sido desde sempre um místico. Ele tem se permitido a luz do crepúsculo. Tem mantido um pé na terra e outro no país das fadas. Tem sido sempre livre para duvidar dos seus deuses; porém (e ao contrário do agnóstico de hoje), livre também para crer neles. Tem dado sempre maior valor à verdade do que à consistência. Quando vê duas verdades que parecem se contradizer, fica com as duas verdades e junto com elas abraça a sua contradição. Sua visão espiritual é estereoscópica, do mesmo modo que sua visão física: ele vê duas imagens diferentes ao mesmo tempo e enxerga melhor por essa mesma razão [...] Todo o segredo do misticismo é esse: que o homem é capaz de compreender todas as coisas pelo auxílio daquilo que não compreende.


Chesterton,
em sua Ortodoxia

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Uma palavra sobre oração

Mais uma palavra lúcida, firme e clara para os ouvidos atuais diretamente do púlpito deste pregador notável.

Mark Driscoll discorre sobre o tema da oração e nos lembra como Jesus, ao tratar do assunto com seus discipulos, antes de ensiná-los a orar, os ensinou como NÃO orar.

Aproveite e siga no twitter o perfil @Mark_Driscoll dos editores do Pastor Mark Driscoll no Brasil. O perfil divulga material produzido pelo ministério Mars Hill Church em português.



A Deus Somente A Glória,
Ricardo A. da Silva

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Ricardo Gondim e Fé

Ai vai mais uma mensagem do Ricardo Gondim, bom proveito a todos e bom natal.



A Deus Somente A Glória,
Ricardo A. da Silva

sexta-feira, 20 de março de 2009

O Delírio De Ser Cristão

Antes de julgar o que estou escrevendo quero pedir a você leitor que vá até o final do texto.

Primeiro quero definir pra você o que é delírio; Delírio, do Lat. deliriu, excesso de sentimento; fig., exaltação; entusiasmo. Medicina: desvio mórbido da razão contra o qual não valem a experiência nem a argumentação lógica e em virtude do qual o indivíduo se afasta cada vez mais da realidade. Ato consciente de uma ilusão crendo que tal ilusão é verdade, o delírio torna real na mente humana aquilo que se criou na mente (perseguições, monstros, etc.).

Não seria o cristianismo uma declaração de guerra a natureza humana? Na doutrina cristã, o homem é convidado a renunciar a "carne" (a própria natureza, instintos, desejos), em favor de Deus e de uma esperança metafísica, de um além-mundo! Se é homem criatura, se é Deus criador, não teria sido este que pôs no homem a natureza que possui? Não é agora um tanto quanto contraditório que o criador exorte a criatura a combater a natureza criada? Apelar a uma dita “natureza pós-queda" me é pouco confortável! O homem, segundo entende-se no relato das escrituras, tem uma tendência para o "pecado" desde o início. Ora, esta tendência o levou a desejar o fruto. Desde o Éder, a natureza humana tende para o que a moral judaico-cristã considera errado e mal. E o conceito de moral da religião cristã? Não trouxe esta prejuízos à liberdade do homem? Às vezes penso o cristianismo como utopia para o homem! O homem seria incapaz da moral cristã; Logo se torna incapaz do cristianismo!

Se a esperança cristã for utópica, terá todo cristão perdido seu tempo dedicando-se numa guerra contra si mesmo!

Certa vez um ateu disse: “Falar com Deus é fé, ouvir a Deus é loucura”. Por muitas vezes vemos este delírio chegando às raias da loucura mesmo, como foi com Jim Jones fundador do Templo do Povo, que em 18 de novembro de 1978, levou 909 pessoas mais ele a cometerem suicídio coletivo, na Guiana, outro delírio este mais recente é o que se autodenomina Inri Christ (Cristo), que leva centenas de fieis atrás de si em uma cegueira e falta de conhecimento bíblico geral.

O delírio maior e inexplicável para o ser humano “comum”, é que cremos naquilo que não vemos, cremos naquilo que não tocamos, somos embaixadores de um reino imaginário, obedecemos alguém que não vive em nosso meio, recebemos dádivas de quem “não existe”, vamos morar em um lugar perfeito (utópico).

Você consegue me entender porque muitas vezes nossa fé é considerada um delírio ou loucura pros demais?

E ainda tem mais, os que lêem a Bíblia podem não compreender a profundidade desta loucura, note o que Paulo escreve; (I Co. 1:18 (23/25)). “Pois a palavra da cruz é loucura para os quer perecem...”“Somos loucos por amor de Cristo.....Somos fracos....Somos desprezíveis” (I Co. 4:10). O que dizer ao se deparar com este texto pela primeira vez?

Somos loucos de certa forma e devemos nos acostumar com isso. Mas como viver este ou neste delírio?

Hebreus 11:1; “Ora, a fé é a certeza das coisas que se esperam, e a prova da que não se vêem”. Temos que viver esta adorável loucura de servir a este Deus tão maravilhoso, se ser cristão é viver este delírio, quero viver sempre desta forma, pois quando a igreja se une em adoração crendo (fé), e este delírio coletivo se torna real no meio da igreja, a sensação não é de medo ou pavor, mas de alegria, algo inexplicável invade nosso peito e extravasa pra mente e pro restante do corpo, quão bom seria se aqueles que perdem tempo tentando explicar que Deus não existe, ou que somos passivos de internação, canalizassem suas forças pra entender este Deus e seus planos pras vidas deles.

“Aquilo que a memória amou fica eterno.” Adélia Prado.


Paulo Sérgio Silva
(O Pr Paulo SIlva além de um grande amigo pessoal, junto com outro Pr amigo meu foram meus dois mestres no inicio de minha caminhada e ministério, portanto, grande parte de minhas heresias ou melhor delírios ele tem uma parcela de culpa, rs. Grifos Meus)

quinta-feira, 12 de março de 2009

E Jesus diz: "Vem"

Já faz algum tempo tenho passado várias horas meditando e meditando na passagem de Mateus 14 onde diz que Jesus anda por sobre as águas, e com certeza meu pensamento sobre esse texto mudou muito radicalmente de alguns anos para cá.

Sempre achei desconcertante o fato de Jesus mandar seus discípulos sozinhos atravessar o mar, que na verdade não era mar, mas só uma lagoa bem grande sabendo que eles no meio da viagem passariam por grandes dificuldades a ponto de suas próprias vidas em risco. Mas até ai tudo bem, sei que a vida assim mesmo e que tormentas, problemas, dificuldades, lutas seja qual for o nome que seja lá dado a isso acontece e sem dúvidas muitas vezes inevitavelmente.

Mas como esse fato já havia superado há algum tempo, o outro que me deixava meio perplexo ou no mínimo sem resposta. Afinal de contas por que Jesus demorou tanto para ir de encontro a seus discípulos em apuros. Já ouvi tantas repostas, pressupostos, sei lá que iam desde que Jesus estava a testar seus discípulos (diga de passagem essa foi a que ouvi a maioria das vezes) e outros bem “viajadas” no mínimo, mas nenhuma delas ela suficiente para me explicar esse estranho fato. Mas tudo bem hoje isso não importa mais, reconheço que o tempo de Deus é bem diferente do nosso e também já estou desistindo de entender como sua mente funciona, mas prefiro assim mesmo, afinal assim Deus continua a me surpreender com suas infinitas e criativas formas de aparecer e de me traz paz ao meu tormento.

Mas o que há anos atrás me deixava realmente confuso era quanto Jesus chega junto as seus discípulos no meio da tempestade, e o Pedrão (acho que meio sem pensar) diz: “Jesus se é você mesmo, me manda ir sobre as águas para junto de você”. E é nesse momento que vem a loucura, Jesus diz: “Vem”. Deixem-me tentar esclarecer meu pensamento aqui, mas imaginem só Pedro e os outros onze estão num barco no meio de uma tempestade, e mesmo que o barco esteja a ponto de a pique na minha opinião ainda é o lugar mais seguro, e ai Jesus diz: “Pedro vem”, ou seja, sai do barco seu relativo lugar segura e chama ele para o meio da tempestade. Há anos atrás ficaria em uma situação como essa periferia que Jesus disse-se: “Calma Pedro, irei fazer melhor acalmar a tempestade apenas com um levantar de mãos”, ou ainda quem sabe leva-los como em um passe de mágica apenas leva-los em segurança para a outra margem do mar, mas não Jesus diz: “Vem”.

Loucura não? Antigamente periferia um deus assim que acabasse como meus problemas, e se possível a minha maneira e no meu tempo. Mas hoje cada vez mais me apaixono por esse Jesus que me chama para foro do meu pequeno barquinho e de encontro as grandes ondas, independente da loucura que isso pareça, ainda mais porque mesmo se eu venha a falhar em meus primeiros passos foro do barco em meio a tempestade, sei que Ele estará lá para me salvar com suas doces e gentis mãos, e ainda me lembra e relembra quantas vezes for necessário, dizendo: “Por que dúvida? Lembre-se não foi fosse que meu escolheu mas eu que te escolhi”, ou melhor “escolhi vocês”.


A Deus Somente A Glória,
Ricardo A. da Silva

domingo, 8 de março de 2009

Voice of True by Casting Crowns

Segue o video da música Voice Of True do Casting Crowns, a música é realmente muito boa, recomendo para aqueles que ainda não tem o inglês muito legal procurem a tradução da letra, tenho certeza que vai valer a pena. (Ah, se não me engano essa é a música tema do filme "Desafiando Gigantes").




A Deus Somente A Glória,
Ricardo A. Silva

quarta-feira, 4 de março de 2009

Criação por evolução e por redenção

Comemoram-se os duzentos anos de Charles Darwin e de sua Teoria da Evolução das Espécies. Até ele, a criação era vista como algo fixo, sem mudança desde o 6º Dia da Criação.
Em momento algum, todavia, a Bíblia diz que o Pai já não cria e nem trabalha...
Ao contrário, Jesus disse: “Meu Pai trabalha até agora...”
Os cristãos querem um Deus que intervenha na vida, mas não querem um Deus que continue criando...
Sim! Querem um Deus de milagres para o homem, de criações novas para o homem; mas que não seja milagroso na criação.
E mais: fazem diferença entre Jesus curando e criando um olho em um cego de nascença e Jesus criando um órgão em um peixe no fundo do mar...
Assim, se são informados que animais estão ainda mudando e evoluindo, ganhando novos membros ou órgãos de adequação à vida, acham que isto seja blasfêmia.
Deus criou em Dias Eras de tempo e de não tempo.
Cada dia do Dia de Deus é feito de bilhões de anos humanos?... Por que não? Quem declarou tal impedimento?
Deus não sofre o tempo; posto que o tempo exista Nele.
Entretanto, se crê que o Deus dos crentes, o Criador, não tinha nada a fazer antes do homem.
Assim, agora, depois do homem, somente o homem interessa a Deus, pensam eles.
Deus, no entanto, assim como redime desde antes da fundação do mundo, também cria desde sempre; e assim como nunca deixou de redimir, também nunca deixou de criar.
O Gênesis diz Quem criou.
A ciência tenta dizer como foi criado.
Uma coisa é o Autor. Outra a Obra.
A fé lida com o Autor. A ciência lida com as Obras.
Qual é o problema?
Até no quintal de minha casa vejo as coisas mudando, se adaptando...
O Salmo 104 nos diz que tais Obras de Renovação da Natureza é trabalho do Espírito Santo, o qual, sendo enviado sobre a Terra, renova toda a criação... sempre.
Mas a pressa e a presunção do homem querem dizer quanto tempo Deus tem que ter levado para criar...
E mais:
A Bíblia não quer dizer como Deus criou. Apenas nos diz que Ele falou e assim se fez.
O Deus de Jesus criou, cria e continuará criando!...
Ora, o que é que existe entre o Gênesis e o Apocalipse senão Evolução?
Sim! O que existe entre o Jardim e a Cidade Santa senão evolução?
Evolução como evolução é; ou seja: cheia de “catástrofes”.
Entretanto, eu pergunto: E qual é o problema?
Darwin não é meu inimigo.
Celebro sua ousadia e fé.
Todavia, lamento que os crentes tenham endiabrado o homem, exceto os crentes ingleses, os quais, pela via de gente boa de Deus como C.S. Lewis e outros, logo entenderam que ali não havia conflito entre a Bíblia e a ciência.
Na América, porém, Darwin virou o diabo!
Ora, Darwin nunca esteve em briga com Deus. Apenas, como um homem de ciência, desejava entender a criação.
Mas a insegurança dos crentes, que tenta fazer da Bíblia um manual de “Ciências”, comete o crime de tornar anátema aquilo que não entende e nem tem cabeça isenta para refletir em paz a fim de compreender.
Ao fim da vida, tendo sido visto lendo a Bíblia por um crente que trabalhava no jardim onde estava meditando, Darwin ouviu o homem perguntar como ele lia a Bíblia se não cria nem na Bíblia e nem em Deus. Darwin assustou-se e disse: “Ah! Não! Eu creio tanto em Deus quanto na Bíblia. O que eu digo é uma teoria de como Deus criou, mas não uma negação de que Ele tenha criado”.
Muito assustará os crentes quando e se virem, no Reino de Deus, Charles Darwin, Einstein, Newton, Copérnico, entre outros... — enquanto muitos bispos estarão de fora...
Enquanto isto... o obscurantismo perdura.
Já imaginou se Deus está interessado na briga entre criacionistas e evolucionistas?
Ah, meus amigos, sem medo eu lhes digo que Ele não está.
Assisto documentários sobre a Evolução das Espécies e me deleito no amor de Deus!
Todavia, para mim, não há diferença se os 6 dias foram dias pequenos, mínimos de tempo ou se foram bilhões de dias e anos...
Entretanto, e se um Dia se tornasse um Dia apenas quando cada processo estivesse parcialmente concluído a fim de iniciar um outro...Dia?
Qual o problema?
Você está com pressa?
Não estou pedindo a sua opinião.
Apenas expresso a minha.
Afinal, quem pensa que cheguei aqui sem milhões de horas de oração e reflexão?
Nele, que trabalha até agora e continua criando sempre, ainda que não vejamos.


Caio Fabio

sábado, 28 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Fé é também obedecer

Hebreus é um dos livros mais fascinantes de toda a Bíblia e nos conduz a crer que a missão da Igreja está fundamentada em Cristo. Este livro fortemente cristocêntrico apresenta Jesus logo no primeiro capítulo como O resplendor da glória, Herdeiro de todas as coisas, Sustentador do universo, Purificador de pecados, Majestoso e Superior aos anjos.

Inicia com dois versos que falam que Deus havia outrora falado e que hoje o faz através do seu Filho, Jesus Cristo, expondo que a fé cristã não é apenas um aglomerado de informações históricas mas é para hoje, nossos dias, nosso tempo.

Um dos principais temas deste livro é a fé. Enquanto a fé crê no invisível a superstição crê no inexistente. No capítulo 11 encontramos a galeria dos heróis da fé, aqueles que traduziram o conhecimento de Deus para a vida com Deus.

Se estamos sem direção nos lembramos de Abraão que saiu sem saber para onde ir, mas na dependência de Deus seguiu para a terra prometida. Se estamos no fim da vida nos lembramos de Jacó, que terminou seus dias prostrado em seu cajado, adorando ao Senhor. Se temos grande responsabilidade sobre nós lembramos de Moisés conduzindo uma nação inteira durante 40 anos de peregrinação por um deserto. Se somos discriminados lembramos de Raabe que era uma prostituta mas foi escolhida por Deus para ser da linhagem de Davi. A fé é transformadora e consoladora, fundamentada em um Deus que controla o incontrolável.

Hebreus afirma que eles creram, portanto, obedeceram. Assim nos apresenta uma fé não utilitária, fundamentada nos desejos humanos, mas sim obediente, fundamentada nos desejos de Deus. Não é manipulada pelo homem mas sim um instrumento para que o homem seja usado por Deus. Desta forma Hebreus nos fala que pela fé ruíram as muralhas de Jericó, subjugaram reinos, obtiveram promessas, fecharam bocas de leões, mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos. Esta fé nos ensina que o impossível pode, a qualquer momento, acontecer, se o Senhor assim desejar.

Há, porém, o outro lado das ações fundamentadas na fé, pois Hebreus nos diz que estes que creram, possuidores de fé,foram torturados, passaram pela prova de açoites, foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos ao fio da espada, andaram peregrinos. É a fé que nos prepara para continuar crendo mesmo no vale da sombra da morte. Uma fé que não apenas produz resultados mas prepara o cristão para passar pelo vale do sofrimento sem deixar de crer.

Hebreus nos diz também que somos estrangeiros e peregrinos. Refere-se àqueles que estão de passagem pela terra e nos lembra que não é aqui que devemos guardar nossos mais preciosos investimentos, que os bens desta terra são transitórios, que a eternidade nos aguarda. Ajuntemos tesouros nos céus.

Fé e fidelidade não são apenas termos etimologicamente próximos. Seus conceitos na Palavra caminham de mãos dadas. Devemos, portanto, crer para a fidelidade e não apenas para nosso contentamento. Abraão, que creu, saiu de sua terra sem saber para onde ir . Obedeceu. Uma igreja que crê é uma igreja que sai para mostrar Jesus ao mundo, que nega a si mesma, seus interesses e tesouros transitórios para investir na eternidade, que não deseja ser honrada na terra mas sim ser sal da terra. Crer é confiar, mas não apenas isto. É também permanecer no caminho e obedecer.


Ronaldo Lidório

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A oração ao Deus desconhecido

Antes de prosseguir em meu caminho
e lançar o meu olhar para frente uma vez mais,
elevo, só, minhas mãos a Ti na direção de quem eu fujo.
A Ti, das profundezas de meu coração,
tenho dedicado altares festivos para que, em
Cada momento, Tua voz me pudesse chamar.
Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras:
“Ao Deus desconhecido”.
Seu, sou eu, embora até o presente tenha me associado aos sacrílegos.
Seu, sou eu, não obstante os laços que me puxam para o abismo.
Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servi-lo.
Eu quero Te conhecer, desconhecido.
Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida.
Tu, o incompreensível, mas meu semelhante,
quero Te conhecer, quero servir só a Ti.


Friedrich Nietzche
(traduzido por Leonardo Boff)

sábado, 11 de outubro de 2008

Exprimentar Deus

Embora sem nome adequado, Deus arde em nosso coração e ilumina nossa vida. Então não precisamos mais crer em Deus. Simplesmente sabemos dele porque o esperimentamos.


Leonardo Boff
Citação do livro "Exprimentar Deus"

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Deus Conosco

O Salmo 23 é o testemunho de Davi a respeito de seu relacionamento com Deus. Revela a maneira como Davi percebia e experimentava Deus. Caso alguém pedisse a Davi que descrevesse o seu Deus, ele diria Deus é o meu Senhor/Pastor, é Aquele que me supre, guia, restaura, acompanha na adversidade, protege dos inimigos e me cobre de misericórdia e bondade. Uma leitura teológico-sistemática diria que Deus pode ser chamado de Provedor (águas tranquilas, pastos verdes, e refrigério para a alma), Condutor (guia pelas veredas da justiça) e Protetor (vara e cajado no vale da sombra da morte, mesa farta na presença dos inimigos, bondade e misericórdia todos os dias) dos seus filhos.

Mas devo confessar minhas incredulidades. Caso você me pergunte se creio em Deus como meu Provedor, a resposta é um peremptório SIM. Mas se perguntar se isso significa que creio que jamais passarei por privações financeiras, jamais ficarei desempregado, jamais endividado, jamais irei mal nos negócios, jamais ficarei mais pobre do que sou hoje, jamais precisarei da ajuda de terceiros, a resposta desta vez é um peremptório NÃO.

Caso você me pergunte se creio em Deus como meu Condutor, a resposta é um peremptório SIM. Mas se perguntar se isso significa que creio que jamais tomarei decisões erradas, jamais escolherei o caminho da injustiça, jamais terei meus planos frustrados e castelos desmoronados, jamais ficarei indeciso e sem saber para onde ir, desta vez a resposta é igualmente um peremptório NÃO. Igualmente, caso você me pergunte se creio em Deus como meu Protetor, a resposta é um peremptório SIM. Mas se perguntar se isso significa que creio que jamais serei tocado pelas fatalidades, jamais serei alcançado pela tragédia, jamais serei ferido pela maldade, jamais serei injustiçado, jamais sofrerei perdas ou danos, mais uma vez a resposta é um definitivo NÃO.

A convicção quanto à provisão, orientação e proteção de Deus não nos isenta das possibilidades de fracassos, fatalidades, privações e ferimentos, tudo isso, ônus do direito de viver. A própria biografia de Davi me autoriza a tal afirmação. O início de sua trajetória rumo ao trono foi marcado por perseguição e ódio. Seu primeiro exército foi composto da escória da sociedade: endividados, angustiados e pessoas descartadas pela sociedade de então. Davi teve um filho que estuprou uma filha e depois foi assassinado pelo irmão. Depois disso, Davi usurpou seu poder de Rei e tomou para si a mulher de um de seus comandantes militares, que mandou matar: adultério e assassinato. O filho de seu adultério foi morto por ato disciplinar de Deus. O filho fratricida se revoltou contra sua autoridade e liderou uma rebelião no reino de Israel. Este filho rebelde foi morto pelo exército real e depois Davi teve que comparecer diante do povo para agradecer e honrar os assassinos do seu próprio filho, por quem chorou, desejando ter morrido em seu lugar. Qualquer pessoa poderia questionar que tipo de Provedor, Condutor e Protetor é esse que permite uma biografia marcada por tragédias, crimes, ódios, e pecados suficientes para determinar a infelicidade crônica de qualquer mortal.

Isso me leva a crer que as afirmações de Davi no Salmo 23 devem ser interpretadas de outra maneira, distinta daquela que nos leva a crer que Deus nos coloca dentro de uma bolha de bem-estar, conforto, e prosperidade inabaláveis. Por esta razão, creio que a expressão que sustenta o relacionamento entre Davi e Deus não apresenta Deus como Provedor, Condutor ou Protetor. Estas dimensões do relacionamento pertencem a Deus, e nas mãos de Deus está a prerrogativa de como prover, conduzir e proteger os seus. A expressão que determina a qualidade do relacionamento entre Davi e Deus é “tu estás comigo”. Caso você pedisse a Davi que descrevesse o seu Deus, ele deixaria de lado a teologia sistemática e falaria com o coração: Deus é meu grande companheiro. Ele está sempre comigo. Esteve comigo na caverna de Adulão. Esteve comigo quando Saul corria atrás de mim para me matar. Esteve comigo quando meus filhos se matavam e se odiavam. Esteve comigo quando eu não soube o que fazer para estancar o ódio dentro da minha casa. Esteve comigo quando eu andava pela escuridão usurpando, matando, mentindo. Esteve comigo quando meu filho conspirava contra mim. Esteve comigo quando eu precisei superar a minha dor para resguardar a autoridade do meu exército e preservar a unidade do exército e do povo. Deus é meu grande companheiro.

Minha leitura deste Salmo 23 me ensinou duas coisas essenciais. Primeiro, me ensinou que não devo basear meu relacionamento com Deus naquilo que Deus pode fazer por mim, mas sim naquilo que Deus pode fazer em mim. As expectativas que tenho a respeito de Deus não estão relacionadas ao que Ele pode fazer em minhas circunstâncias, mas sim ao que Ele pode fazer em meu coração.

Afirmar “o Senhor é meu Pastor e nada me faltará” implica um caminho livre de ansiedade e repleto de satisfação. Espero que o dia da escassez nunca bata à minha porta, mas se chegar, o que mais espero é poder dizer que “aprendi a estar contente em qualquer situação, porque Deus está comigo, e posso superar qualquer circunstância ruim naquele que me fortalece”.

Afirmar que “ele me conduz às águas tranqüilas, aos pastos verdejantes e restaura a minha alma”, implica um caminho de serenidade e saúde emocional. Tenho certeza que Deus tem o seu caminho no meio da tormenta, e mesmo no deserto, me levará aos mananciais onde poderei ser restaurado no corpo e na alma. Espero jamais passar pelo que Paulo apóstolo passou, mas caso necessário, o que mais espero é também poder dizer que “combati o bom combate, terminei a carreira e guardei a fé: estou inteiro e passaria por tudo novamente”.

Afirmar que Deus prepara uma mesa na presença dos meus inimigos e unge a minha cabeça com óleo, implica um caminho onde a alegria é possível mesmo quando o que é mal está diante dos nossos olhos. Espero que o ódio do mundo e do mal não se materializem contra mim de forma tão visível e explícita, mas caso aconteça, espero muito mais ter a coragem de continuar em frente, com os olhos fitos na mesa posta pelo Bom Pastor que me prometeu vida abundante no meio dos lobos.

A segunda coisa que aprendi lendo o Salmo 23 é que não devo basear meu relacionamento com Deus naquilo que Deus pode fazer por mim, mas no que eu posso fazer tendo um Deus como Ele. Diante dos vales de sombra da morte, não devo ficar esperando que Deus me leve para longe do vale, ou que Deus afaste do vale a sombra da morte. No dia em que tudo ficar escuro, espero me não me deixar tomar por um espírito de covardia, mas me levantar movido pelo espírito de amor, moderação, e poder, para atravessar o vale com a dignidade que somente os que afirmam “Deus está comigo” podem ter.

Que venha o futuro – ou melhor, eu vou ao futuro sentado na confortável poltrona 23.


Ed Rene Kivitz

domingo, 5 de outubro de 2008

O tipo de Fé que quero

Não quero a fé que espera Deus trabalhar por mim. Quero a fé que me faz trabalhar para Deus. Não quero a fé que me faça prosperar entre meus irmãos. Quero a fé que me faça cooperar e servir para que meus irmãos prosperem. No fundo, acho que sou movido por ambições maiores: não quero ser apenas fiel, quero ser herói da fé. Não me basta ser o tipo de homem que é digno no mundo. O que quero mesmo é ser o tipo de homem do qual o mundo não é digno.


Ed Rene kivitz
Citação do livro "Outra Espiritualidade"

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Pedindo a Deus que seja mais fácil

Meu Deus: quero lhe fazer uma crítica, talvez até por eu não ser capaz de alcançar os seus desígnios: você podia ser mais fácil! O mistério da sua existência deveria prescindir da teologia, da fé ou da graça e fluir claro, natural e nítido como as coisas da natureza. Você deveria ser manifesto; apreensível sem apreensão. Verdade e não necessidade.

Aprendo na teologia que é preciso ter não a teoria de Deus nem a práxis de Deus, mas a experiência de Deus. Ex quer dizer para fora, na direção de, Peri significa em torno, em volta de, o mesmo radical de perímetro, périplo, etc., Encia é conhecimento, saber, o mesmo radical de ci-ência.

A experiência de Deus é, portanto, algo que o vive em várias e muitas de suas infinitas dimensões e de seus incontáveis lados. Não é a teoria de Deus. Não é a prática de Deus (o mundo construído, em construção e a construir). Não é a reapresentação de Deus, em torno da qual, durante tantos séculos, girou, equivocadamente, a teologia. É a experiência de Deus.

A ex-peri-ência de Deus, ensina-me o grande teólogo Leonardo Boff, é a vivência ampla e multiforme de Deus, tanto no plano imanente à nossa condição de homens como no plano transcendente. Ele me ensina o conceito de trans-parência. Como é impossível aprisionar Deus, ou explicá-lo por nossa limitada razão, só através da transparência, ou seja, algo que torna diáfana a realidade de Deus manifestada nas coisas e seres do mundo. Ele se manifestaria através. A transparência nos permitiria experimentá-lo através das coisas do Universo, que o proclamam. Assim me ensinou o sábio teólogo num livrinho precioso: A Atualidade da Experiência de Deus.

Eu sei, meu Deus, que precisamos sabê-lo mais do que conhecê-lo. Eu sei que é necessário viver fundamente a experiência da sua Ex-istência e In-sistência em nós e na vida. Eu sei, também, como Bérgson, que se você não dotou a nossa razão da capacidade de conhecê-lo ou defini-lo e se você fez o nosso coração vacilante, ora aceitando-o, ora negando-o, você nos permitiu a percepção da sua existência através da intuição, fagulha de conhecimento que pode alcançar, mesmo sem definir, a pré-existência de uma realidade maior, a força geradora do universo, do cosmos, e do espaço sem fim.

Tudo isso eu sei!

Do zero do meu conhecimento, da pequenez da minha condição de areiazinha cósmica, fico daqui a apreciar a grandeza da sua condição. Eu sei que por vezes fui tocado por sua luz, mas, tão logo me dava conta do milagre da sua iluminação, você desaparecia, de novo você se escondia escapando célere de minha mente, coração e nervos talvez porque aquela fagulha da verdade tivesse que ser compartida com outros que estavam no mesmo desespero da sua procura, no idêntico cansaço da sua busca.

É por isso que eu lhe digo, meus Deus, blasfemo talvez (quanto já mataram em seu nome!) que há horas em que me canso de o procurar. Canso-me de esperar a sua resposta. Irrito-me ao perceber que você mergulhou o mundo no mistério e de que jamais será dado ao ser humano conhecer o todo, o destino do mundo e do universo ou conceber tudo o que está (se é que há algo) fora da finitude descomunal de seu pobre e tolo conhecimento. Palavras como ‘nunca’, ‘sempre’, ‘jamais’, nestas horas doem muito, implodem angústia metafísica. Por quê? Será mesmo que este é um planeta de provação? Aqui estamos só para seguir um inevitável ciclo biológico evolutivo de aprendizagem? Haverá então, uma espécie de Estado-Maior do universo que traça planos fora do nosso alcance? Mas por que, então, nos foi dada uma inteligência capaz de se dar conta da existência daquilo que ela não pode saber? Por que nos foi dado sofrer tal limitação, tal humilhação cósmica?

Por que, diga, meu Deus, é necessário sofrer tanto a dor de procurá-lo?

Por que é assim dilacerante a idéia de infinito, de morte e de desaparecimento total, após termos sido dotados de tanta sensibilidade para sentir a vida, e intuir o acima de nós, mas dele não saber, apenas perguntar? Por que?

Por que uma vida inteira de indagações e perguntas, quando mais fácil seria aceitá-lo magicamente, ou acalmar-me diante de uma crença sem contraditas? Mas, se só as crianças e os puros de coração o alcançam, porque, então, você nos dotou de uma razão inquieta, abelhuda, perguntadora, afirmadora e negadora de tudo quanto vê e descobre?

Por que, meu Deus, o que chamam de sua evidência é tão raro e difícil? Por que se torna você passível de explicação e descoberta? Por que não é óbvio? Por que precisamos de você?

Por que, sem você, a vida é (pelo menos) um absurdo cósmico?

Por que, diante do seu mistério, diante da vida, diante do cosmos, diante do universo, diante do infinito, temos que permanecer eternas crianças metafisicamente chatas na idade do porquê?

Se você me é possível, mas difícil, perdão, a culpa é sua. O onipotente é você e não eu. E, se é pra tudo ficar em mistério, por que dotar-nos da possibilidade de o defrontarmos, de o intuirmos como mistério e nada mais?

Ah, meu Deus, há horas em que me canso de tê-lo como esperança, há horas em que desesperadamente eu precisava tê-lo como certeza! Já estou grande demais para ser tratado como criança que não pode entrar em conversa de adulto! Já estou grande demais para ficar chorando por dentro e a dor do cansaço de procurá-lo e este pavor do desconhecido que se mistura à mais deslumbrante das sensações, a do novo que está em você, a do além e adiante que são você, a da surpresa que é você, a do encontro afinal liberador com a paz da sua transparência e com a luz de sua transcendência.

Dê-me, pelo menos, força e energia para procurá-lo. E esperança para disfarçar o medo de nunca o encontrar, na certeza de que você está exatamente onde se esconde. De que você se manifesta através da nossa necessidade. De que você está além do conhecimento, lá onde mora, além de nós, a Verdade.


Arthur da Távola

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Aquilo Que Jesus Não É

Deus deu à espécie humana aquilo que eu chamo bons sonhos: quero dizer, histórias piegas espalhadas pelas religiões pagãs acerca de um deus que morre e regressa à vida e, pela sua morte, de algum modo, dá vida nova ao homem. Ele também escolheu um povo particular e gastou vários séculos a martelar nas suas cabeças o tipo de Deus que Ele era - que Ele era Um e que Ele se preocupava com a boa conduta. Essa gente eram os Judeus e o Velho Testamento dá-nos conta do processo da martelada.

É aí que entra o verdadeiro choque. Entre estes Judeus, de repente há um homem que começa a falar como se Ele fosse Deus. Ele diz que perdoa os pecados. Ele diz que Ele existiu sempre. Ele diz que vem para julgar o mundo no fim dos tempos. Aqui tenhamos isto claro. Entre os Panteístas, como os Indianos, qualquer um pode dizer que é uma parte de Deus, ou um com Deus: isto não será nada estranho. Mas este homem, que era Judeu, não podia querer dizer que era esse tipo de Deus. Deus na língua daquela gente, significava o Ser fora do mundo que tinha feito o mundo e que era infinitamente diferente de qualquer outra coisa. E quando se percebe isto, pode-se ver como o que aquele homem dizia era, simplesmente, a coisa mais chocante alguma vez sussurrada por lábios humanos.

Uma parte da pretensão tende a passar ao nosso lado despercebida porque a ouvimos tantas vezes que já não sabemos de que se trata. Estou a falar da pretensão de perdoar os pecados: quaisquer pecados. A não ser que quem diz isto seja Deus, isto é tão prepóstero como cómico. Todos podemos compreender como um homem perdoa as ofensas contra si próprio. Pisas-me o dedo do pé e eu desculpo-te, roubas-me o dinheiro e eu desculpo-te.

Mas o que pensar de um homem, que não foi roubado ou pisado, que anunciou que te perdoou por ter pisado os dedos do pé de outro homem e roubado o dinheiro de outro homem? Fatuidade asinina é a descrição mais moderada que daríamos a esta conduta. Contudo, isto é o que Jesus fez. Ele disse às pessoas que os seus pecados estavam perdoados sem nunca ter esperado para consultar todas as outras pessoas a quem aqueles pecados tinham sem dúvida prejudicado. Ele comportava-se deliberadamente como se Ele fosse a principal parte interessada, a pessoa mais gravemente ofendida com todas as ofensas. Isto só faz sentido se Ele for realmente o Deus cujas leis são quebradas e cujo amor é ferido com cada pecado. Na boca de quem quer que não seja Deus estas palavras implicariam o que eu só consigo classificar como tontice e presunção nunca antes rivalizadas por qualquer personagem na história.

Porém (e isto é a coisa estranha e significativa) mesmo os Seus inimigos quando liam as Escrituras, não ficavam usualmente com a impressão de tontice e presunção. Ainda menos ficarão os leitores sem preconceito. Cristo diz que Ele é humilde e doce e nós acreditamo-lO, não reparando, que se Ele fosse meramente um homem, humildade e doçura são das últimas características que poderíamos atribuir a algumas das Suas palavras.

Estou a tentar aqui evitar que alguém diga a coisa realmente idiota que as pessoas dizem muitas vezes d'Ele: 'Estou pronto a aceitar Jesus como um grande mestre de moral, mas não aceito a Sua pretensão de ser Deus.' Esta é a coisa que não devemos dizer. Um homem que fosse meramente homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre de moral. Seria ou um lunático - ao nível de um homem que diz que é um ovo escalfado - ou então seria o Diabo do Inferno.

Temos que fazer a nossa escolha. Ou este homem era, e é, o Filho de Deus ou então é um louco ou qualquer coisa pior. Pode-se ignorá-lo como um louco, pode-se cuspir-Lhe e matá-Lo como um demônio; ou pode-se cair a Seus pés e chamar-Lhe Deus e Senhor. Mas deixemo-nos de vir com disparates condescendentes acerca d'Ele ser um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa saída. Ele não fez tenções disso.


C. S. Lewis

Um Novo Credo

Creio no Deus desaprisionado do Vaticano e de todas a religiões existentes e por existir. Deus que precede todos os batismos, pré-existe aos sacramentos e desborda de todas as doutrinas religiosas. Livre dos teólogos, derrama-se graciosamente no coração de todos, crentes e ateus, bons e maus, dos que se julgam salvos e dos que se crêem filhos da perdição, e dos que são indiferentes aos abismos misteriosos do pós-morte.

Creio no Deus que não tem religião, criador do Universo, doador da vida e da fé, presente em plenitude na natureza e nos seres humanos. Deus ourives em cada ínfimo elo das partículas elementares, da requintada arquitetura do cérebro humano ao sofisticado entrelaçamento do trio de quarks.

Creio no Deus que se faz sacramento em tudo que aproxima, atrai, enlaça, abraça e une - o amor. Todo amor é Deus e Deus é o real. Em se tratando de Deus, bem diz Rumî, não é o sedento que busca a água, é a água que busca o sedento. Basta manifestar sede e a água jorra.

Creio no Deus que se faz refração na história humana e resgata todas as vítimas de todo poder capaz de fazer o outro sofrer. Creio em teofanias permanentes e no espelho da alma que me faz ver um Outro que não sou eu. Creio no Deus que, como o calor do sol, sinto na pele, sem no entanto conseguir fitar ou agarrar o astro que me aquece.

Creio no Deus da fé de Jesus, Deus que se aninha no ventre vazio da mendiga e se deita na rede para descansar dos desmandos do mundo. Deus da Arca de Noé, dos cavalos de fogo de Elias, da baleia de Jonas. Deus que extrapola a nossa fé, discorda de nossos juízos e ri de nossas pretensões; enfada-se com nossos sermões moralistas e diverte-se quando o nosso destempero profere blasfêmias.

Creio no Deus que, na minha infância, plantou uma jabuticabeira em cada estrela e, na juventude, enciumou-se quando me viu beijar a primeira namorada. Deus festeiro e seresteiro, ele que criou a lua para enfeitar as noites de deleite e as auroras para emoldurar a sinfonia passarinha dos amanheceres.

Creio no Deus dos maníacos depressivos, das obsessões psicóticas, da esquizofrenia alucinada. Deus da arte que desnuda o real e faz a beleza resplandecer prenhe de densidade espiritual. Deus bailarino que, na ponta dos pés, entra em silêncio no palco do coração e, soada a música, arrebata-nos à saciedade.

Creio no Deus do estupor de Maria, da trilha laboral das formigas e do bocejo sideral dos buracos negros. Deus despojado, montado num jumento, sem pedra onde recostar a cabeça, aterrorizado pela própria fraqueza.

Creio no Deus que se esconde no avesso da razão atéia, observa o empenho dos cientistas em decifrar-lhe os jogos, encanta-se com a liturgia amorosa de corpos excretando sumos a embriagar espíritos.

Creio no Deus intangível ao ódio mais cruel, às diatribes explosivas, ao hediondo coração daqueles que se nutrem com a morte alheia. Misericordioso, Deus se agacha à nossa pequenez, suplica por um cafuné e pede colo, exausto frente à profusão de estultices humanas.

Creio sobretudo que Deus crê em mim, em cada um de nós, em todos os seres gerados pelo mistério abissal de três pessoas enlaçadas pelo amor e cuja suficiência desbordou nessa Criação sustentada, em todo o seu esplendor, pelo frágil fio de nosso ato de fé.


Frei Betto
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...