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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Um pouco de Bonhoeffer

"Eu creio que devemos amar a Deus nesta vida e em tudo que Ele nos outorga de bem, de maneira que com confiança estejamos prontos a ir ao Seu encontro - mas também só quando chegar a hora - com o mesmo amor e a mesma alegria. Para expressá-lo mais claramente, que um homem que se acha nos braços da amada esposa sinta saudade do além, é sem gosto e menos ainda vontade de Deus. Devemos achar e amar a Deus exatamente naquilo que Ele nos dá no momento. Se aprover a Deus conceder-nos uma felicidade intensa e terrena, não queiramos ser mais divinos e mais piedosos que Ele e minar essa felicidade com pensamentos arrogantes e provocações resultantes de uma fantasia religiosa fanatizada que jamais se satisfaz com o que Deus concede. Aquele que achar a Deus sua felicidade terrena e lhe agradecer, também não deixará de oferecer horas nas quais se há de lembrar de que o terreno é sempre passageiro e que é bom acostumar-se o coração à ideia da eternidade. Afinal também chegará o hora em que todos poderemos dizer sinceramente: "quisera que estivesse já em casa..." Mas tudo isso tem seu tempo próprio,e continua sendo o principal que se mantenha passo com Deus e não pretender ir adiante dEle por alguns passos, nem tampouco se deve ficar para trás."


Dietrich Bonhoeffer em Resistência e Submissão

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Os "se(s)" das Bodas de Caná

Foi num casamento em Caná, um lugar da Galiléia, que devia ser muito parecida com as favelas de hoje, que Jesus fez o primeiro milagre registrado, e, cujo único propósito foi fazer um casal feliz. E, para isso, muitas lacunas tiveram de ser preenchidas, lacunas que chamo de os “ses” do casamento em Caná.

E se no casamento em Caná…
Jesus não tivesse sido convidado?

A vida transcorreria, mas restrita ao plano (a), sem lugar para alternativas, porque a lei da impossibilidade só pode ser vencida pelo milagre!

E se no casamento em Caná…
Jesus nao tivesse aceito ao convite?

A festa teria acabado mais cedo e em tom de frustração.

Jesus ter aceito o convite foi o que tornou a festa especial, porque onde Jesus está tudo pode recomeçar, e é a vida e não a morte que passa a dar a palavra final. Que bom que Jesus aceita convite para ir a casamentos, mesmo que já tenham sido celebrados, ele vai, e a alegria é retomada. Que bom que há convites que Jesus aceita! Aliás, a gente só deveria participar de situações e locais, em que Jesus pudesse ser convidado a participar.

E se no casamento em Caná…
Maria não fosse até Jesus?

Jesus, provavelmente, só o saberia quando todos o soubessem e, ainda que interferisse, não poderia fazer muito em relação ao vexame a que os noivos seriam expostos. O ato de Maria poupou os noivos da provável exposição pública, intercessão tem de ser assim, para abençoar e não para expor.

E se no casamento em Caná…
Jesus não fosse movido pela graça?

Ainda não era o tempo de Jesus se expor ao seu povo, e nem era tempo de Maria ver o seu sacrifício explicado. Mas Jesus levou em conta a angústia dos noivos, e o que Jesus não podia fazer por meio da lei o pode por meio da graça. Tudo deve ser levado a Jesus, porque ele conta com as infindas possibilidades da graça.

E se no casamento em Caná…
Jesus nao achasse festa importante?

Jesus fez um milagre para a festa não acabar, e para poupar os noivos do vexame; ainda bem que o bem estar dos noivos era precioso para o Cristo, ainda bem que a glória do Deus passa pela realização humana, porque o bom criador se alegra com a alegria de suas criaturas.

E se no casamento em Caná…
Maria não fosse respeitada pelos vizinhos?

José, pai adotivo de Jesus cuidou muito bem de Maria, de modo que ao invés de permanecer sob o estigma de pecadora, por ter engravidado antes do casamento, ainda que por milagre de Deus, tornou-se respeitada pelos vizinhos, o que lhe deu autoridade para orientar os garçons. Que papel admirável José desempenhou! A gente protege alguém quando faz a sua dignidade ser preservada.

E se no casamento em Caná…
Maria não soubesse de Jesus?

Maria só pode dizer o que disse aos garçons, 1º porque sabia do poder dado a Jesus, talvez, já o tivesse visto em ação, e, também, porque sabia do amor de Jesus pelas pessoas. Saber do Cristo é saber de suas possibilidades por causa da bondade de seu caráter. por isso vale a pena orar!

E se no casamento em Caná… 
Os garçons não atendessem a Jesus?

A obediência dos garçons ofereceu a matéria prima para o milagre. O que Jesus lhes pediu era sem sentido, as pessoas já tinham lavado as mãos para comer, não havia mais necessidade de água. Eles, certamente, não compreendiam a razão para encher as talhas, mas Jesus sabia que milagre estava realizando. Atender a Jesus é sempre participar de um milagre, para além da nossa compreensão.

E se no casamento em Caná…
Jesus não tivesse agido como salvador?

Jesus poderia ter feito qualquer gesto para transformar a água em vinho, mas não o fez, se o fizesse teria exposto aos noivos, mas Jesus não veio para esmagar a cana quebrada, mas para restaurá-la. O importante para Jesus não era que as pessoas soubessem do seu poder, mas que os noivos soubessem do seu amor – colocou os noivos antes do ministério, ele estava ali para beneficiá-los, não para beneficiar-se de sua situação e carência; e assim devem ser os seu seguidores: gente que faz tudo para salvar, curar, abençoar e proteger o outro.

E se no casamento em Caná…
O mestre sala nao tivesse feito o comentário sobre o vinho?

Talvez, mesmo que viéssemos a saber do milagre, não saberíamos da sua intensidade, demonstrada pela qualidade do vinho – que nos dá conta de que Jesus vai muito além de nossa capacidade de pedir ou de pensar – essa é a função do testemunho – transmitir o resultado do amor de Deus.

Que bom que João, o evangelista registrou esse milagre, para sabermos quantas pessoas e trabalho o Deus mobilizou para, tão somente, fazer um casal feliz. Joao está certo: Deus é amor.


Ariovaldo Ramos
(Grifos por Ricardo A. da Silva)

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A arte de abrir mão

"Mas é preciso escolher. Porque o tempo foge. Não há tempo para tudo. Não poderei escutar todas as músicas que desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei abraçar todas as pessoas que desejo. É necessário aprender a arte de “abrir mão” – a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial."


Rubem Alves

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Aniversário


Os aniversários devem ser celebrados. Julgo que é mais importante celebrar um aniversário do que o sucesso de um exame, uma promoção ou uma vitória. Porque celebrar um aniversário significa dizer a alguém: “obrigado pelo que fez, ou disse, ou conseguiu”. Não, nós dizemos: “obrigado por ter nascido e por estar aqui conosco”.

Nos aniversários celebramos o tempo presente. Não nos queixamos do que aconteceu nem especulamos sobre o que acontecerá, mas encorajamos alguém e damos chance para que todos digam: “Eu te amo”.

Conheço um amigo que, no dia de seu aniversário, é agarrado pelo seus amigos, levado ao banheiro e lançado todo o vestido para a banheiro e lançado todo vestido para a banheira cheia de água. E todos esperam com ansiedade pelo seu dia de anos; inclusive ele próprio. Não faço ideia de onde terá vindo esta tradição, mas ser levantado e “rebatizado” parece uma ótima  maneira de celebrar a própria vida. Assim tomamos consciência de que, embora tendo que ter os pés bem firmes na terra, fomos criados para outros voos, e que, embora nos sujemos facilmente, podemos sempre lavar-nos e dar à nossa vida um novo começo. 

Celebrar um aniversário recorda-nos que a vida é bela e é neste espírito que devemos celebrar o dia de anos das pessoas todos os dias, demonstrado gratidão, compreensão, perdão, gentileza e afeto. Isto equivale a dizer: “É bom você estar vivo; é bom você fazer o mesmo caminho que eu, neste mundo. Alegremo-nos com isso. Este é o dia que o Senhor fez para existirmos e estarmos juntos”. 


NOUWEN, Henri.
Mosaicos do presente: Vida no Espírito. São Paulo: Paulinas, 1998.

domingo, 5 de agosto de 2012

Sofrimento


O sofrimento pode ser o caminho através do qual chegamos às nossas verdades. A estrada pela qual chegamos à maturidade atravessa, necessariamente, a escuridão e a solidão. A escuridão, porque sofrer implica perder as referências, desdenhar das explicações, questionar os clichês e aventurar perguntas. A escuridão é o momento quando não caminhamos porque vemos, mas porque intuímos, recordamos e temos fé. Intuímos o rumo certo pelo tanto que já caminhamos, recordamos as experiências aprendidas em momentos semelhantes no passado e andamos por fé, que supera as trevas, prescinde de explicações e transcende as certezas.

A solidão é imprescindível na trilha do sofrimento. A dor pode ser compartilhada, mas jamais transferida. Pode ser percebida, mas não capturada. Pode até ser escondida, mas nunca suprimida. Quem sofre, sofre sempre em solidão. Não necessariamente porque lhe falta boa e providencial companhia, mas porque todo sofrimento pessoal, em sua dimensão mais profunda e essencial, é intransferível. O sofrimento tem sua realidade particular, e não pode ser diferente: cada um sofre por uma razão, é vitimado em áreas distintas, por motivos diversos e com respostas as mais variadas, num dégradé de resiliência que vai da meninice do chororô ao heroísmo quase estóico, incluído entre os tons das cores a grandeza da fé, resignada e esperançosa, e por isso engajada e mobilizadora.

O sofrimento desperta para o ético e o estético. Convoca virtudes adormecidas a que subam ao palco: coragem, perseverança, paciência, honradez, respeito à vida. Possibilita o lapidar do caráter, apara arestas, harmoniza as formas, faz irromper a beleza escondida na frieza do coração. O sofrimento quebranta orgulhosos, vaidosos e prepotentes, faz desmoronar intransigentes, legalistas e moralistas. Como o martelo do escultor, retira os excessos da pedra e dá à luz o belo, o sublime, o deslumbrante.

Quem sofre descobre seus limites, identifica verdadeiras amizades, vislumbra novos horizontes, abre a mente para novas verdades e o coração para novos amores. O sofrimento produz compaixão, evoca misericórdia, gera solidariedade. O sofrimento cria caminhos para arrependimentos e confissões, subverte juízos e sentenças, possibilita aproximações e reconciliações.

O sofrimento coloca homens, mulheres, velhos e crianças, de joelhos. Faz com que os olhos procurem os céus. Dilata a alma para o mistério, conclama o espírito para o inefável, inspira poesias e canções, faz surgir nos lábios o perfeito louvor. Quem sofre aprende a perdoar e pedir perdão. Ganha a oportunidade de colocar o rosto no chão, em clamor e oração. O sofredor jamais chora em vão. Deus habita também a sombra e a escuridão.

O sofrimento é o ônus do viver, o custo do amor, a paga pelo crescimento, o preço da maturidade. Viver é muito perigoso, já dizia Guimarães. Amar é muito precioso. Crescer é muito doloroso. Amadurecer é muito custoso. Crer é coisa de teimoso. O sofrimento diminui o poder da morte, dissolve a crueldade da indiferença, envergonha a pequenez da alma, desmascara o mundo de mentirinha da ingênua infância, quebra a maldição da incredulidade. Aceitar a realidade e inevitabilidade do sofrimento é escolher a vida, decidir amar, optar pela plenitude, apostar na fé.


Ed René Kivitz

sábado, 28 de julho de 2012

O Tempo e a Jabuticaba


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.

Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas.

As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.

Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. 

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.

Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo.

Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”,onde “tiramos fatos a limpo”.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 
“as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.

O essencial faz a vida valer a pena.


Rubem Alves

sábado, 31 de dezembro de 2011

Contar os dias e celebrar a vida!

É sempre o mesmo sentimento: noutro dia começávamos o ano, ele parecia longo, tanto por fazer, tanto tempo pela frente e, agora, já passou. O tempo passa muito rapidamente, nós voamos com ele. O tempo passou e fizemos muitas coisas das quais nos orgulhamos e, certamente, muitas outras pelas quais nos arrependemos. O fato é que o que passou é imutável, não é possível alterar absolutamente nada. Mas é possível se apropriar desse passado para, como matéria prima, usá-lo para um futuro melhor. É importante olhar para o passado para aprender com ele. Talvez essa seja a única forma de realmente saber apreciar melhor a vida e o ano que começa daqui a pouco.

Aprendi com Ricardo Gondim que o tempo foge, que devo saborear os anos como o menino que saboreia as últimas jabuticabas de uma bacia, uma de cada vez, lentamente, apreciando cada uma. Quanto mais velhos ficamos, mais vamos dando valor ao tempo, porque ele vai escasseando, vai ficando, portanto, mais precioso. Daí porque temos que ter reverência pela vida e pelo tempo.

“Ensina-me a contar os meus dias, de modo que eu alcance um coração sábio”, foi a oração de um poeta bíblico. Contar os dias com sabedoria, não desperdiçá-los de maneira tola, mas, com inteligência, aproveitá-los ao máximo. Seguem alguns palpites para isso. Repito, são apenas palpites.

Não espere que chegue o dia em que finalmente você vai ser feliz. A felicidade é fugidia, são momentos, muitos deles pequenos, em que você a experimenta. Não espere que um emprego, um casamento, uma viagem, uma faculdade, farão você feliz. O que vai determinar se você vai ser feliz mesmo é o modo como você vai trabalhar nesse emprego, a disposição que você vai ter para uma vida compartilhada pelo casamento, o espírito com que você vai curtir a viagem, por exemplo.

Valorize pessoas mais do que coisas. No fim, serão pessoas que estarão ao seu lado quando você precisar. Ou não. Quem sempre valoriza coisas em detrimento de pessoas, corre o sério risco de ficar sozinho com suas coisas.

Seja mais indulgente com as pessoas, elas não são perfeitas. Assim como você, todas são imperfeitas, falhas, incoerentes. Mas é preciso amá-las assim mesmo, porque você precisa ser amado também. Não tenha expectativas mirabolantes, irrealizáveis, você vai acabar frustrado. Não cobre tanto das pessoas, do mundo e de você. Aceite o fato de que você é humano, e, portanto, inacabado e imperfeito. Assuma sua humanidade e seja autêntico.

Não perca a esperança. O amargo que você pode ter provado no tempo que passou não tira a capacidade do seu paladar de sentir o doce novamente. Por mais dolorosas que tenham sido as lágrimas que você derramou no ano que vai embora, há a possibilidade do riso feliz no ano que começa. Por maiores que tenham sido as frustrações, um novo tempo sempre é a possibilidade de novas realizações, novos sentimentos, uma nova postura diante da vida.

Celebre a vida sempre, celebre os pequenos momentos com as pessoas que você ama. Celebre o tempo que passou e o que está por vir.

Celebremos 2012.


Márcio Rosa da Silva

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Ainda no clima do Pearl Jam, Alive

Boa musica e boa a fala antes. Afinal assim é a vida sendo constantemente re-significada, aquilo que antes tratávamos como uma maldição agora ganha novo sentido, isso não devido nos mesmos, mas gracas aqueles que nos cercam.




A Deus Somente A Glória,
Ricardo A. da Silva

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O direito de esquecer

Você já passou pela situação de colocar a mão na cabeça e lembrar de um compromisso que era para você ter ido, mas esqueceu completamente?

Já sabemos como é ruim esquecer das coisas importantes, mas algo que não sabemos é que é desastroso não esquecermos das coisas. Vou explicar.

Estamos vivendo em uma era que a tecnologia tem ganhado cada vez mais importância em nossas vidas, passamos quase o dia todo com ela na frente do computador e nossos smartphones que contem relógio, agenda, e-mails, torpedos, post it, e uma infinidade de outras coisas.

Estes dias baixei um aplicativo no meu telefone que me avisa cada vez que o meu time entra em campo e faz gol.

No começo achei que era um bom aplicativo, mas percebi ao longo do tempo o quanto eu esquecia que tinha jogo e não fazia falta para mim. Fui vendo que cada torpedo de gol do meu time ia me tirando da vida que estava vivendo naquele presente e fazia eu querer para tudo e ir para a frente de uma TV.

Percebi que esquecer algumas coisas é algo fundamental para uma mente e vida saudáveis. Esquecer é um direito!

Mas cada vez mais somos privados deste direito, os telefones e computadores on-line o tempo todo nos dominam e nos tiram o direito de esquecer, de ter uma mente e vida saudáveis.

Nos avisam dos assuntos mais comentados no dia, do texto que aquele autor postou em seu blog, e-mail do seu trabalho que chegou as 22h e que antes você tinha a desculpa de falar que não viu, a temperatura de amanhã, a promoção daquele restaurante, e da reunião que você não quer ir e que sua mente esqueceu por querer. Afinal de contas, Freud explica!

O que faz de um momento inesquecível na nossa mente, são todos os outros que esquecemos. Se estamos parando de esquecer aquilo que nossa mente descartou naturalmente, enfraquecemos o que ela coloca em destaque.

Lembrar nem sempre é uma virtude e esquecer nem sempre é uma fraqueza.

Hoje em dia, um sentimento de culpa assola as pessoas, por não esquecermos de nada, ou melhor, não deixarem a gente esquecer de nada. Temos um sentimento de estar devendo algo a alguém o tempo todo, de estar atrasado para algum encontro nesse exato momento, de estar ficando para trás academicamente em cada livro ou texto que foi lançado hoje, agora. O simples fato de dormir me faz sentir culpado!

O direito de esquecer é tão sagrado como o direito de lembrar. Vamos nos dar o direito de esquecer sem peso na consciência, para podemos lembrar das coisas que importam e assim viver em paz.


Marcos Botelho

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Celebrando no meio do caminho

Sempre é emocionante ver os atletas na linha de chegada comemorando um bom resultado de sua corrida. Quando os acompanhamos desde o começo, vemos antes da largada olhares preocupados e ansiosos para saber qual será o resultado. Durante a corrida rostos tensos, olhares determinados e em pouco tempo a linha de chegada, o final e a comemoração ou frustração.

Crescemos vendo isso e aprendendo que a celebração é vivida na linha de chegada, com o resultado final. Dessa forma a corrida tem que passar rápido, o mais rápido possível.

Mas o apóstolo Paulo mostra que pode ser diferente.

Paulo na linha de chegada da sua vida escreve uma carta emocionante para seu discípulo Timóteo. Dando suas últimas recomendações para o jovem líder ele aproveita e faz uma reavaliação de sua vida e de seu chamado.

Em um texto emocionante da sua segunda carta para Timóteo, ele, o apóstolo, prevê sua morte por ser seguidor de Jesus Cristo e descreve o que valeu a pena:

Eu já estou sendo derramado como uma oferta de bebida. Está próximo o tempo da minha partida.

Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.

Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda.

II Tm 4:6-8

Ele não fala que derrotou o adversário no combate, que ganhou a corrida ou que moveu montanhas com sua fé. Ele mostra na linha de chegada que a corrida que ele fez foi boa do começo ao fim, que lutou com firmeza a luta toda e que, mesmo com as derrotas aparente, guardou a sua fé.

O apóstolo mostra para o jovem Timóteo e para todos nós, que o foco não está apenas no resultado da vida e sim no jeito que se caminha, em cada passo, em cada respirar de nossa corrida.

Se aprendermos com Paulo esta lição, vamos aprender a celebrar, no meio do caminho, as pequenas vitórias, vamos ter prazer no jeito de viver e assim não vamos querer que a corrida passe rápido.

Poderemos chegar na linha final e dizer: Sei que fiz o melhor em Cristo e a medalha que Ele quiser me dar será a minha alegria.


Marcos Botelho

domingo, 26 de junho de 2011

A poética do encontro

Sem dúvida um dos lugares que me dão mais alegria em estar, hoje em dia, é o pátio da Fundação Casa (Febem), onde faço visitas semanais.

Existe uma poética linda por trás de meu encontro com aqueles meninos.

A Adélia Prado tem um poema que diz: “Algumas vezes Deus me tira a poesia, quando isso acontece ao pegar uma maçã vejo apenas uma maçã”. Minhas idas a Fundação são repletas desta percepção de belezas poéticas que são reveladas através do Espírito, belezas que a maioria das pessoas não consegue mais enxergar.

Tenho visto, por exemplo, a vitória da esperança. Temos uma capacidade quase infinita de suportar a dor, desde que haja esperança. Diz-se por ai que a esperança é a última que morre, creio que é a penúltima porque quando se morre a esperança se conclui que não há mais razões para viver. Alguns daqueles meninos chegam àquele lugar horrível sem razões pra viver, sem esperança. Já ouviram tantas vezes que nunca seriam nada na vida, já passaram por tanta violência, já foram maltratados de tantas formas que acreditam realmente que a vida não tem mais jeito, que o jeito é morrer.

Impressionante o que um abraço pode fazer! O poder do abraço, o poder do sorriso! Minha mãe dizia que não existe cara feia pra quem sabe sorrir. Não existe sensação mais maravilhosa do que ver nosso sorriso contagiando semblantes tristes e carrancudos.

A palavra compaixão ganha novos contornos em meu coração e saio de lá mais humano, com muita reverência pela vida. Após longos abraços e muitos sorrisos, as fisionomias tristes agora ganham brilho especial, brilho do céu. Creio que ficam parecidas com a do Jesus menino.

A minha face também sai de lá resplandecente!

Hoje, sei que Jesus não pregava simplesmente o evangelho, Ele era e é o próprio evangelho.

Minha oração é para que você também se torne o evangelho, boas novas para alguém. Sorria, abrace, toque, a fim de ver a face do Cristo resplandecendo nas pessoas.

Você conseguirá ver algo novo resplandecendo dentro de você.


Rogério Quadra

Ventos

Aqui vai mais um.



A Deus Somente A Glória,
Ricardo A .da Silva
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