segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Os "se(s)" das Bodas de Caná

Foi num casamento em Caná, um lugar da Galiléia, que devia ser muito parecida com as favelas de hoje, que Jesus fez o primeiro milagre registrado, e, cujo único propósito foi fazer um casal feliz. E, para isso, muitas lacunas tiveram de ser preenchidas, lacunas que chamo de os “ses” do casamento em Caná.

E se no casamento em Caná…
Jesus não tivesse sido convidado?

A vida transcorreria, mas restrita ao plano (a), sem lugar para alternativas, porque a lei da impossibilidade só pode ser vencida pelo milagre!

E se no casamento em Caná…
Jesus nao tivesse aceito ao convite?

A festa teria acabado mais cedo e em tom de frustração.

Jesus ter aceito o convite foi o que tornou a festa especial, porque onde Jesus está tudo pode recomeçar, e é a vida e não a morte que passa a dar a palavra final. Que bom que Jesus aceita convite para ir a casamentos, mesmo que já tenham sido celebrados, ele vai, e a alegria é retomada. Que bom que há convites que Jesus aceita! Aliás, a gente só deveria participar de situações e locais, em que Jesus pudesse ser convidado a participar.

E se no casamento em Caná…
Maria não fosse até Jesus?

Jesus, provavelmente, só o saberia quando todos o soubessem e, ainda que interferisse, não poderia fazer muito em relação ao vexame a que os noivos seriam expostos. O ato de Maria poupou os noivos da provável exposição pública, intercessão tem de ser assim, para abençoar e não para expor.

E se no casamento em Caná…
Jesus não fosse movido pela graça?

Ainda não era o tempo de Jesus se expor ao seu povo, e nem era tempo de Maria ver o seu sacrifício explicado. Mas Jesus levou em conta a angústia dos noivos, e o que Jesus não podia fazer por meio da lei o pode por meio da graça. Tudo deve ser levado a Jesus, porque ele conta com as infindas possibilidades da graça.

E se no casamento em Caná…
Jesus nao achasse festa importante?

Jesus fez um milagre para a festa não acabar, e para poupar os noivos do vexame; ainda bem que o bem estar dos noivos era precioso para o Cristo, ainda bem que a glória do Deus passa pela realização humana, porque o bom criador se alegra com a alegria de suas criaturas.

E se no casamento em Caná…
Maria não fosse respeitada pelos vizinhos?

José, pai adotivo de Jesus cuidou muito bem de Maria, de modo que ao invés de permanecer sob o estigma de pecadora, por ter engravidado antes do casamento, ainda que por milagre de Deus, tornou-se respeitada pelos vizinhos, o que lhe deu autoridade para orientar os garçons. Que papel admirável José desempenhou! A gente protege alguém quando faz a sua dignidade ser preservada.

E se no casamento em Caná…
Maria não soubesse de Jesus?

Maria só pode dizer o que disse aos garçons, 1º porque sabia do poder dado a Jesus, talvez, já o tivesse visto em ação, e, também, porque sabia do amor de Jesus pelas pessoas. Saber do Cristo é saber de suas possibilidades por causa da bondade de seu caráter. por isso vale a pena orar!

E se no casamento em Caná… 
Os garçons não atendessem a Jesus?

A obediência dos garçons ofereceu a matéria prima para o milagre. O que Jesus lhes pediu era sem sentido, as pessoas já tinham lavado as mãos para comer, não havia mais necessidade de água. Eles, certamente, não compreendiam a razão para encher as talhas, mas Jesus sabia que milagre estava realizando. Atender a Jesus é sempre participar de um milagre, para além da nossa compreensão.

E se no casamento em Caná…
Jesus não tivesse agido como salvador?

Jesus poderia ter feito qualquer gesto para transformar a água em vinho, mas não o fez, se o fizesse teria exposto aos noivos, mas Jesus não veio para esmagar a cana quebrada, mas para restaurá-la. O importante para Jesus não era que as pessoas soubessem do seu poder, mas que os noivos soubessem do seu amor – colocou os noivos antes do ministério, ele estava ali para beneficiá-los, não para beneficiar-se de sua situação e carência; e assim devem ser os seu seguidores: gente que faz tudo para salvar, curar, abençoar e proteger o outro.

E se no casamento em Caná…
O mestre sala nao tivesse feito o comentário sobre o vinho?

Talvez, mesmo que viéssemos a saber do milagre, não saberíamos da sua intensidade, demonstrada pela qualidade do vinho – que nos dá conta de que Jesus vai muito além de nossa capacidade de pedir ou de pensar – essa é a função do testemunho – transmitir o resultado do amor de Deus.

Que bom que João, o evangelista registrou esse milagre, para sabermos quantas pessoas e trabalho o Deus mobilizou para, tão somente, fazer um casal feliz. Joao está certo: Deus é amor.


Ariovaldo Ramos
(Grifos por Ricardo A. da Silva)

domingo, 24 de novembro de 2013

Sobre a Trindade

"A subsistência e as operações das três pessoas do Ser Divino são assinaladas por certa ordem definida. Há uma certa ordem na Trindade ontológica. Quanto à subsistência pessoal o Pai é a primeira pessoa, o Filho é a segunda, e o Espírito Santo é a terceira. Mal se precisa dizer que esta ordem não pertence a nenhuma prioridade de tempo ou de dignidade essencial, mas somente à ordem de derivação lógica. O Pai não é gerado por nenhuma das outras duas pessoas, nem delas procede; o Filho é eternamente gerado pelo Pai, e o Espírito procede do Pai e do Filho desde a eternidade. A geração e a processão ocorrem dentro do Ser Divino, e implicam certa subordinação quanto ao modo da subsistência pessoal, não porém subordinação no que se refere à posse da essência divina. Esta Trindade ontológica e sua ordem inerente constitui a base metafísica da Trindade econômica. Portanto, nada mais natural que a ordem existente na Trindade essencial se reflita nas opera ad extra (obras externas ao ser essencial) que se atribuem mais particularmente a cada uma das pessoas. A Escritura indica claramente esta ordem nas chamadas praepositiones distinctionales, ek, dia, e en, utilizadas para expressar a idéia de que todas as coisas provêm do Pai, mediante o Filho, e no Espírito Santo.

A igreja confessa que a Trindade é um ministério que transcende a compreensão do homem. A Trindade é um mistério, não somente no sentido bíblico de que se trata de uma verdade anteriormente oculta e depois revelada, mas também no sentido de que o homem não pode compreendê-la e não pode torná-la inteligível. É inteligível em algumas de suas relações e de seus modos de manifestação, mas é ininteligível em sua natureza essencial. Os numerosos esforços feitos para explicar o mistério foram especulativos, e não teológicos. Invariavelmente redundaram no desenvolvimento de conceitos triteístas ou modalistas de Deus, na negação ou da unidade da essência divina ou da realidade das distinções pessoais dentro da essência. A real dificuldade está na relação em que as pessoas da Divindade estão com a essência divina e uma com as outras; e esta é uma dificuldade que a igreja não é capaz de remover, podendo apenas tentar reduzi-la a suas apropriadas proporções mediante uma apropriada definição de termos. Ela jamais tentou explicar o mistério da Trindade, mas procurou somente formular a doutrina de modo que fossem evitados os erros que a ameaçam."



Berkhoff

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Menos ortodoxia e mais ortopraxia

É inútil insistir em arrazoamentos teológicos e filosóficos, se na prática não forem revertidos em mudanças visíveis e reais. No final, de que serve o muito conhecimento se minhas atitudes e reações para com meus semelhantes distam impressionantemente dos meus livros favoritos, do meu discurso eloquente, da beleza e bondade ideal da minha pregação? Não quero obviamente desmerecer o tesouro intelectual aglomerado por grandes famosos e também por aqueles não tão famosos estudiosos e pensadores ao longo da história, apenas me espanto com o paradoxo que muitas vezes encontro entre o muito saber e o pouco fazer. E às vezes me encanto com a bondade, humildade, generosidade, sabedoria e mansidão que algumas pessoas tão simples oferecem no trato com àqueles ao seu redor. Chego a me perguntar de que vale tanto conhecimento, tanto senso crítico, se aos poucos me percebo cada vez mais intolerante, insensível e distante do meu próximo, e, quem sabe, de Deus? Se a graça que tanto estudo e prego não se manifestar em pequenas atitudes práticas em favor daqueles que me estão mais próximos, dificilmente deixarei um legado capaz de impactar e mudar suas vidas. Às vezes sinto saudade da simplicidade sincera que me permitia amar o meu irmão, livre dos obstáculos do preconceito e do intelectualismo sofisticado e vazio. O Evangelho de Cristo é prático, é simples. Sua Graça é palpável... São nas pequenas atitudes cotidianas de Graça e amor, e não em discussões sobre a “teologia mais correta”, que glorificamos o nome de Cristo na Terra. Platão que me perdoe, mas cansei do “mundo das ideias”. Que Deus me ajude a viver a simplicidade do Seu Evangelho a cada dia, que a minha busca pelo conhecimento seja acompanhada pela busca de mudança de atitude e de coração, que o meu falar não se distancie do meu agir, e que o amor supere o muito saber. Dá-me Graça Deus para que assim seja em mim. Menos ortodoxia e mais "ortopraxia", por favor!


Thalita Ubiali

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Nossa missão

Quanto mais leio as Escrituras mais me convenço do fato de que o princípio ético por excelência do cristianismo é tratar o próximo à luz da antropologia bíblica. Nenhum sistema de pensamento jamais exaltou a vida humana como o evangelho. O homem mais confuso, inculto, fétido, traz as características do ser infinito-pessoal que o criou. Que responsabilidade crer assim, uma vez que isso pode nos levar a dar a vida pelo que consideramos tão valioso. Que incoerência dizer que isso é verdade e não se importar com o estado de privação, exclusão e vulnerabilidade de milhões de miseráveis. 

Todo cristão deveria enxergar o invisível, esse número incontável de homens e mulheres pobres cuja vida ignoramos. Todo garçom, sapateiro, lixeiro, porteiro de prédio, lavadeira, gari, trocador de ônibus, deveria através do contato conosco redescobrir a origem divina do seu ser.

Essa é a missão da igreja.


Antonio Carlos Costa

A essência do Evangelho

O amor é a essência do Evangelho, o segredo da pregação viva e eficaz e o poder mágico da eloquência. O objetivo da pregação é reivindicar o coração do ser humano para Deus, e nada, a não ser o amor, pode desvendar as avenidas misteriosas que conduzem ao coração. Se não sentirmos um amor ardente e uma profunda compaixão pela humanidade, estejamos certos de que o dom da eloquência cristã nos foi negado. É impossível resistir ao amor.


D.L. Moody
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