domingo, 30 de novembro de 2008

Aos olhos de Deus

Fomos para a cidade de carro com senador Dawson, um vizinho do mosteiro, e o tempo todo eu me perguntava como reageria ao encontrar-me outra vez cara a cara com o perverso mundo. Aconteceu o encontro, e eu achei que no fim das contas o mundo não era tão percerso. Talvez as coisas de que me ressentira ao deixar o mundo fossem defeitos meus projetados sobre ele. Agora, ao contrário, achava que tudo despertava em mim uma sensação e compaixão profunda e muda. Talvez algumas das pessoas que vimos andando pelas ruas fossem duras e rudes [...] mas eu não parava para observá-las porque parecia que tinha perdido a capacidade de enxegar o mero detalhe exterior. Em vez disso, tinha decosberto um profundo senso de respeito , amor e piedade pelas almas que esses detalhes nunca revelam plenamente. Fui passando pele cidade percebendo que primeira vez na vida como são boas todas as pessoas do mundo e quanto valor elas têm aos olhos de Deus.


Thomas Merton
Citação do livro "O Sinal de Jonas"

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Bono Vox e a Graça de Deus

Entrevista com Bono Vox (vocalista do U2) falando sobre um pouco de sua história e sobre Graça; no minímo muito interessante, sei que muitos não vão gostar desse video aqui, mas ainda assim espero que edifique alguns e que levem outros à pensarem.

video


A Deus Somente A Glória,
Ricardo A. da Silva

Um pouco mais de Merton

"Havia essa sombra, esse dublê, esse escritor que entrou comigo no clausto.
Ele ainda está nos meus calcanhares. Vem atrás de mim, às vezes como o velho dor mar. Não consigo perde-ló. Ele ainda usa o nome de Thomas Merton. Será um nome de um inimigo?
Thomas Merton deveria estar morto.
Mas ele fica à espera e se encontra comigo na entrada de todas a minhas orações e me segue igreja adentro. Ajoelha-se comigo atrás da coluna, esse Judas, e o tempo todo fica soprando ao meu ouvido [...].
E o pior de tudo é que os meu superiores estão ao lado dele. Não o expulsam. Não consigo livrar-me dele.
Talvez no fim ele acabe me matando, bebendo o meu sangue.
Ninguém parece dar-se conta de que um de nós de morrer."

"Uma crise pessoal ocorre quando alguém toma conciência de opostos aparentemente irreconciliáveis dentro de si mesmo [...]. Uma crise pessoal é criativa e salutar caso se saiba aceitar o conflito e restaurar a unidade num nível mais alto, incorporando os elementos opostos numa unidade superior."


Thomas Merton
Citação do Livro "A Montanha dos Sete Patamares" e "Conjecturas de um Espectador Culpado" respectivamente

Thomas Merton e Entrega

Nada que nós consideremos ser um mal pode ser oferecido a Deus em sacrifício. Nós lhe damos o melhor do que temos a fim de declarar que Ele é infinitamente melhor. Damos-lhe tudo aquilo que apreciamos a fim de assegurar-les que ele é para nós mais que o nosso 'tudo'.


Thomas Merton
Citação do livro "Homem Algum é uma Ilha".

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Uma Parábola Da Igreja

Segue baixo uma mensagem do Ariovaldo Ramos sobre igreja, e como ele disse agradeço a Deus por podem ter amigos assim como os citados na mensagem, e sinceramente espero que possa ser amigo dessa forma também.

video


A Deus Somente A Glória,
Ricardo A. da Silva

A brevidade da vida

Porque a vida é breve, acordarei cedo nas segundas-feiras, olharei na direção do sábado e tremerei feito menino na cadeira do dentista. Não, não me conformo com a ladeira que transforma o tempo em cachoeira que despenca; meu relógio pegou velocidade, não tem mais quem o freie. Meus dias desaparecem em nacos semanais; minhas semanas se diluem em meses; meus meses se esfarelam em anos; meus anos se acabam nas décadas. Quando cerrar os olhos, finalmente, só espero que os meus inimigos se comportem e, discretos, digam um simples “foi-se, então?”. Pedirei que os meus filhos estejam do meu lado no instante em que precisar subir a escada de Jacó, cujo topo toca o céu.

Porque a vida é breve, cobiçarei novamente a deliciosa professora de matemática da minha adolescência. Em vão ela tentou ensinar-me as equações do terceiro grau; meus olhos apaixonados só se concentravam na geometria do seu corpo. Vou tentar rememorar aqueles tempos em que não conhecia moralismo, nem os tabus religiosos que assassinaram as minhas paixões.

Porque a vida é breve, recuperarei o tempo em que negligenciei a leitura. Aprenderei a distinguir entre os bons e os maus escritores. De Machado de Assis, lembrar-me-ei que a hipocrisia social é avassaladora e só conseguimos ser honestos sobre a vida, com os ardis humanos, se escrevermos “memórias póstumas”; de Graciliano Ramos, lembrar-me-ei que o sofrimento do pobre diminui as pessoas em menos que uma cadela chamada Baleia; de Fernando Pessoa, lembrar-me-ei que a angústia existencial precisa ser enfrentada, mesmo que produza o desespero mais intenso.

Porque a vida é breve, desejarei correr ao lado da minha mulher, do Villy, meu genro, e dos meus amigos Ed René e Márcio. Quero chegar melado de suor muitas vezes, tomar água-de-coco, alongar os músculos doloridos e conversar sobre tudo. Desejo sentir-me campeão de maratonas, São Silvestres e de todas as corridas de rua; quando pendurar uma medalha de participação no peito, deixar que um santo orgulho enrubesça o meu rosto enrugado.

Porque a vida é breve, sonharei com os meus parentes que já morreram para amá-los, mesmo tardiamente. Guardarei a carteira de atleta do Corinthians que papai me deu como um sacramento; o poema triste que mamãe imprimiu do tamanho de um pôster continuará na parede do meu escritório e o seu sorriso melancólico há de me acompanhar até o dia em que eu também tiver que partir.

Porque a vida é breve, beberei pouco para apreciar o paladar do vinho, que tanto agradou a Jesus. Esperarei o instante em que a lua tinge o dia de prata, com seu lusco-fusco, para acalmar o furor do sol. Quero ser sempre amigo da noite para curtir o silêncio, cheirar o meu travesseiro e poder sussurrar, “sou rei deste espaço inviolável, meu quarto”.

Porque a vida é breve, buscarei ser inteiro em tudo: fiel para com o amigo, bom para com o desconhecido, terno nos tropeços alheios, indignado com a injustiça e, para sempre, reverente com os pacificadores, pois só eles são chamados filhos de Deus.

Porque a vida é breve, trarei na aljava a delicadeza das rosas, o baile dos colibris, a folia dos golfinhos, a calma do jabuti, a imponência dos carvalhos, o renascer das marés, para dizer, diante da crueldade da história, "sou feliz".


Ricardo Gondim
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